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Tarifaço dos EUA expõe setores brasileiros e acende alerta para nova guerra comercial
Publicado 16/07/2026 • 23:59 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 16/07/2026 • 23:59 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras já era esperada pelo mercado, mas abre uma nova fase de negociações políticas, disputas jurídicas e busca por novos mercados. A avaliação é do consultor em comércio internacional Welber Barral, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Para Barral, as declarações recentes do secretário de Estado americano, Marco Rubio, atribuindo ao governo brasileiro a responsabilidade pelo fracasso das negociações, evidenciam que a discussão extrapolou o campo técnico.
“Vai ser uma negociação longa, tensa, complicada e que provavelmente vai ter que esperar as eleições para poder avançar concretamente”, afirma.
O especialista destacou que há divergências dentro da própria administração americana. Enquanto o Departamento de Estado reforça o caráter político da decisão, o representante comercial dos Estados Unidos havia afirmado, no dia anterior, que a investigação era exclusivamente técnica.
De acordo com o consultor, a conclusão da investigação apenas consolida um cenário que já vinha sendo antecipado pelas empresas brasileiras desde o ano passado, quando alguns setores chegaram a enfrentar tarifas de 40%. Diante desse ambiente de incerteza, muitas companhias iniciaram um processo de diversificação das exportações.
Apesar da sobretaxa, Barral avalia que a extensa lista de exceções reduz parte dos danos. Produtos alimentícios, minerais, aeronaves e componentes aeronáuticos ficaram de fora da medida, preservando segmentos relevantes da pauta exportadora brasileira. Por outro lado, setores como madeira, móveis, têxteis, máquinas, equipamentos e autopeças permanecem entre os mais vulneráveis à perda de competitividade no mercado americano.
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Siga o Times | CNBC“Não vai haver um efeito macroeconômico, porque estamos falando de cerca de 4% das exportações brasileiras. Mas haverá efeitos setoriais e geográficos”, diz.
Na avaliação do especialista, a estratégia brasileira vai precisar combinar negociações diplomáticas, medidas jurídicas e adaptações por parte das empresas. Entre as alternativas estão a renegociação de contratos, pedidos de exclusão de produtos da tarifa, reclassificações tarifárias e eventual judicialização da medida, além da possibilidade de novas ações na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ele afirma ainda que a Lei da Reciprocidade Econômica pode servir como instrumento de pressão, embora a aplicação dependa de um processo administrativo conduzido pela Camex e não produza efeitos imediatos.
“A ameaça de reciprocidade foi muito eficaz no contencioso do algodão entre Brasil e Estados Unidos. Mas não é uma medida que acontece de um dia para o outro”, afirma.
Para o consultor, o aumento das barreiras comerciais também deve acelerar a estratégia brasileira de ampliar acordos internacionais. Segundo ele, o movimento já vem ocorrendo desde o ano passado, com o avanço das negociações do Mercosul com a União Europeia e Singapura, além de tratativas com outros parceiros comerciais.
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