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Taxação da China sobre carne bovina pode gerar prejuízo de US$ 3 bilhões ao Brasil
Publicado 31/12/2025 • 21:14 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 31/12/2025 • 21:14 | Atualizado há 3 meses
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AEN
A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) divulgou uma estimativa preocupante nesta quarta-feira (31): a nova política comercial da China pode causar uma perda de até US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16,5 bilhões, na cotação atual) na receita das exportações brasileiras em 2026.
O anúncio ocorre após o Ministério do Comércio da China confirmar a aplicação de uma tarifa de 55% sobre a carne bovina importada que exceder as cotas estabelecidas. A medida entra em vigor já nesta quinta-feira (1º) e tem validade prevista de três anos.
Embora o governo chinês alegue que a taxação visa proteger a indústria local, foi criado um sistema de cotas para atenuar o impacto nos principais parceiros. O Brasil terá a maior cota do mundo, com permissão para exportar 1,106 milhão de toneladas livre de tarifas em 2026.
No entanto, o volume é insuficiente para cobrir toda a demanda: em 2025, o Brasil vendeu cerca de 1,5 milhão de toneladas para os chineses, o que significa que aproximadamente 30% das exportações atuais estarão sujeitas à pesada taxa de 55%, tornando esse excedente economicamente inviável.
A Abrafrigo alerta que a decisão chinesa atinge o setor em um momento de vulnerabilidade, marcado pela redução da oferta e pela transição do ciclo pecuário.
A associação teme que a barreira comercial funcione como um desestímulo para o pecuarista investir na ampliação da produção, o que pode gerar reflexos negativos em toda a cadeia produtiva, afetando a geração de empregos e a renda no campo.
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Em 2025, o mercado chinês consolidou-se como o principal cliente do Brasil, gerando uma receita de aproximadamente US$ 8 bilhões (R$ 44 bilhões).
Diante do cenário de dependência do país asiático, a entidade defende uma ação diplomática “firme e coordenada” por parte do governo brasileiro para renegociar os termos ou ampliar as cotas nos próximos anos. Além disso, o setor produtivo prega a necessidade de acelerar a abertura de novos mercados consumidores para reduzir a exposição aos riscos da política comercial de Pequim.
A expectativa é que, com esforços institucionais, o Brasil consiga manter seu protagonismo global, apesar da tarifa que incidirá sobre os volumes excedentes até 2028.
Confira a nota oficial divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA):
“A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entendem que a aplicação das medidas de salvaguarda pela China, no contexto da investigação conduzida sobre as importações de carne bovina, altera as condições de acesso ao seu mercado e impõe uma reorganização dos fluxos de produção e de exportação. Esses embarques dizem respeito a produtos com valor agregado e perfil distinto do consumo doméstico, associados à geração de emprego e renda no setor. A China permanece como o principal destino da carne bovina brasileira e um importante mercado para o funcionamento da pecuária nacional.
A medida passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2026 e estabelece uma quota crescente nos três primeiros anos, iniciando em 1,106 milhão de toneladas no primeiro ano, com tarifa de 12% para os volumes dentro da quota e sobretaxa de 55% para os volumes excedentes, resultando em tarifa total de 67% fora da quota. Em 2025, as importações chinesas de carne bovina brasileira somaram cerca de 1,7 milhão de toneladas, o equivalente a 48,3% do volume exportado. Nesse cenário, passam a ser necessários ajustes ao longo de toda a cadeia, da produção à exportação, para evitar impactos mais amplos.
As exportações brasileiras para a China são fruto de uma relação comercial construída ao longo de anos, baseada em fornecimento regular, previsibilidade e estrito cumprimento dos requisitos sanitários e técnicos acordados entre os dois países. A carne bovina brasileira, reconhecida por sua qualidade, exerce papel complementar no abastecimento do mercado chinês e contribui para a estabilidade da oferta ao consumidor.
Cabe ressaltar que a cadeia da pecuária bovina tem papel central na economia brasileira, levando renda a milhares de municípios e sustentando cerca de 7 milhões de empregos diretos e indiretos. Aproximadamente 70% da carne bovina produzida no Brasil é destinada ao mercado interno, enquanto cerca de 30% é exportada, evidenciando o caráter complementar das exportações e sua importância para o equilíbrio e o funcionamento da cadeia pecuária nacional.
A ABIEC e a CNA seguirão acompanhando a implementação das medidas, atuando diretamente junto ao Governo Brasileiro e às autoridades chinesas para reduzir os danos que essa sobretaxa causará aos pecuaristas e exportadores brasileiros e para preservar o fluxo comercial historicamente praticado.”
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