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Ciclo de juros é “particular” e cercado de incertezas, diz diretor do Banco Central
Publicado 08/04/2026 • 14:21 | Atualizado há 7 meses
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Publicado 08/04/2026 • 14:21 | Atualizado há 7 meses
KEY POINTS
Durante o primeiro painel do segundo dia da 12ª edição do Brazil Investment Forum, evento anual promovido pelo Bradesco BBI em São Paulo (SP), o diretor de Política Monetária do Banco Central do Brasil, Nilton David, afirmou que o atual ciclo de política monetária no país é atípico e marcado por um nível de incerteza acima do usual.
O encontro reuniu cerca de 150 empresas e mil investidores, com mais de 2 mil reuniões e 21 painéis ao longo do dia. Participaram CEOs de grandes companhias como JBS, Sabesp, Minerva, EcoRodovias e Motiva, além de executivos do próprio Bradesco.
Segundo Nilton David, fatores externos, como a volatilidade no preço do petróleo e tensões geopolíticas, têm dificultado a leitura do cenário econômico e a condução das decisões. “Fui dormir ontem sem saber se o barril de petróleo começaria hoje a US$ 150 ou US$ 90 e não tenho ideia de quanto estará daqui a uma semana”, disse, ao ilustrar o ambiente de imprevisibilidade.
De acordo com o diretor, o processo de aperto monetário iniciado em 2024 ocorreu em um contexto singular, no qual houve, inicialmente, dúvidas sobre a efetividade da política de juros. Essa percepção contribuiu para a deterioração das expectativas de inflação e também para a volatilidade cambial.
Apesar disso, ele reforçou que “a política monetária funciona” e destacou que a inflação corrente segue sendo o principal indicador para projeções futuras, influenciando decisões de preços, salários e planejamento da indústria.
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O diretor também abordou o aumento do endividamento das famílias, tema que vem preocupando o mercado. Segundo ele, não há necessariamente um problema no fato de as famílias estarem mais endividadas, desde que haja maior sensibilidade ao nível de juros. Parte desse movimento, afirmou, já foi absorvida ao longo do ciclo.
Nilton David destacou ainda que as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) são tomadas com base em informações imperfeitas e dentro de um processo altamente institucionalizado, com forte embasamento técnico.
Leia também: Fed vê política monetária bem posicionada para equilibrar riscos em meio a choque do petróleo
Com a evolução do cenário, o Banco Central passou a adotar o termo “calibração” para definir o momento atual da política monetária, em substituição à ideia de afrouxamento. Ainda assim, a expectativa segue sendo de manutenção em território restritivo.
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