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Lucratividade extraordinária? Fundo ligado à Reag multiplicou patrimônio em 30 mil vezes após operação com Banco Master
Publicado 15/01/2026 • 08:25 | Atualizado há 29 minutos
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Publicado 15/01/2026 • 08:25 | Atualizado há 29 minutos
KEY POINTS
Reag Investimentos
Divulgação
Um fundo de investimentos administrado pela Reag multiplicou seu patrimônio em cerca de 30 mil vezes em apenas 20 dias após receber R$ 450 milhões vinculados a uma operação de crédito com o Banco Master.
O caso entrou no radar do Banco Central e do Ministério Público Federal, que apuram suspeitas de reavaliação indevida de ativos e de uma “rentabilidade extraordinária” sem correspondência com ganhos econômicos reais.
Leia também: Banco Central decreta liquidação da Reag
O Fundo Brain Cash foi registrado em 5 de abril de 2024 com patrimônio inicial de R$ 15 mil e proposta de investir em crédito privado, como títulos de renda fixa e dívidas de empresas.
O fundo tinha um único cotista: a Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias, empresa dirigida por uma ex-funcionária da Reag, gestora que administrava o fundo.
A estrutura chamou atenção porque, nesse formato, qualquer grande movimentação de recursos depende exclusivamente desse investidor, o que facilita mapear a origem e o destino do dinheiro, mas também torna mais sensível qualquer salto brusco de patrimônio sem histórico operacional.
A mudança aconteceu em 24 de abril de 2024, 19 dias após o registro, quando o Brain Cash recebe, às 15h22, um aporte de R$ 450 milhões feito pelo seu único cotista.
Na prática, esse depósito transformou um fundo recém-criado, com patrimônio simbólico, em um veículo com centenas de milhões sob gestão em um único movimento.
O ponto de maior atenção é o encadeamento temporal. Dois dias antes do aporte, em 22 de abril, a empresa cotista havia tomado um empréstimo de R$ 459 milhões junto ao Banco Master, valor muito próximo ao que seria aplicado no fundo na sequência.
Leia também: Haddad diz que caso do Banco Master pode ser a maior fraude bancária da história
A investigação registra que o empréstimo contrasta com o porte societário da empresa. Na data da operação, o capital social era de R$ 2,2 milhões, depois de ter sido elevado de R$ 100 cerca de quatro meses antes.
Em termos práticos, é o caso de uma companhia que passou por uma mudança formal recente na estrutura de capital e, ainda assim, conseguiu acessar crédito em volume centenas de vezes superior ao capital.
Esse descompasso é um dos elementos que, segundo a investigação, ajuda a explicar por que o caso entrou no radar das autoridades, especialmente ao considerar que o fundo tinha apenas 20 dias de existência e registraria, em seguida, movimentações rápidas entre veículos ligados à mesma gestora.
Leia também: Como o Banco Master teria desviado R$ 11,5 bilhões; entenda
O dinheiro não permaneceu no Brain Cash. Cerca de uma hora e meia após receber os R$ 450 milhões, o fundo repassou integralmente o valor ao Fundo D Mais, também administrado pela Reag.
O encadeamento sugere que o Brain Cash funcionou como etapa intermediária, e não como destino final da alocação, já que não há indicação de estratégia de investimento que justificasse manter recursos por tão pouco tempo.
Na sequência, o próprio D Mais faz uma movimentação ainda mais rápida: três minutos depois de receber o dinheiro, transfere o mesmo montante ao FIDC High Tower, operação que, segundo a apuração, serviu para liquidar parte da aquisição de papéis do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), ativos descritos como de baixa liquidez.
É nesse trecho do fluxo que aparece o ponto mais sensível. Segundo os investigadores, o FIDC High Tower reavaliou esses ativos e passou a precificá-los em R$ 10,8 bilhões, apesar de a referência original ser de papéis com liquidez reduzida.
A consequência contábil, sempre de acordo com o que está sendo investigado, foi a geração de uma rentabilidade registrada de 2.300% em 2024.
Para fins de comparação, no mesmo ano, o bitcoin rendeu por volta de 120% em dólar e o ouro subiu cerca de 61,6% em reais. Essa discrepância ajuda a ilustrar por que esse tipo de resultado acendeu alertas e passou a ser tratado como indício de possível distorção de precificação.
As autoridades apuram se houve uma sequência de operações em camadas, incluindo repasses fracionados e passagens por diferentes fundos, com o objetivo de reavaliar ativos e criar uma rentabilidade extraordinária que não corresponderia a ganho econômico real.
O foco, segundo a apuração, é entender se essa valorização foi sustentada por critérios técnicos consistentes ou se foi usada para inflar resultados e dar aparência de retorno excepcional.
Em outras palavras, o que está sob análise é se o ganho surgiu de uma mudança legítima de valor, ou se foi produzido por uma dinâmica de “vai e vem” entre fundos que altera o preço de ativos sem liquidez, gerando números contábeis incompatíveis com o mercado.
Outro ponto em apuração é o destino final dos recursos. A investigação suspeita que, após circular por fundos administrados pela Reag, o dinheiro teria retornado ao Banco Master por meio da compra de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), instrumento central de captação de bancos.
Se confirmado, o desenho seria o de um ciclo fechado, com os recursos saindo do banco via crédito, transitando por fundos e retornando ao banco como captação.
Esse tipo de hipótese é relevante porque altera a interpretação do fluxo: em vez de uma alocação típica de investimento, o movimento passa a ser visto como uma estrutura que pode ter como finalidade manter dinheiro “rodando” dentro de um mesmo circuito.
A Reag também aparece associada, no noticiário, à Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas ao PCC no setor de combustíveis e em empresas financeiras.
Segundo reportagens já publicadas, três fundos administrados pela gestora que tiveram relações com o Master constam na lista de investigados, em meio à apuração sobre repasses rápidos em camadas.
O Banco Central e o Ministério Público Federal acompanham os desdobramentos do caso envolvendo os fundos e as transações com o Master, e o tema ganhou peso adicional após a liquidação do banco no fim do ano passado.
Procurada pela reportagem, a Reag afirmou que os recursos mencionados decorrem de operações de crédito estruturadas, cujos desembolsos estariam condicionados ao avanço de projetos específicos e a aprovações técnicas previstas em contrato.
A gestora disse ainda que, enquanto as condições contratuais não são verificadas, os valores não podem ser utilizados e devem permanecer aplicados em instrumentos financeiros vinculados ao próprio credor, modelo que classifica como usual no mercado de crédito estruturado.
O Banco Master não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
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