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Grupo Boticário se posiciona após citação de franqueado em operação da Receita contra PCC

Publicado 26/09/2025 • 13:27 | Atualizado há 3 meses

KEY POINTS

  • Grupo Boticário nega envolvimento em ilícitos da Operação Spare e reforça políticas de prevenção à lavagem de dinheiro.
  • Receita Federal aponta uso de postos, motéis e franquias como instrumentos de ocultação patrimonial e movimentação bilionária.
  • Operação Spare investiga esquema ligado ao setor de combustíveis, com conexões a fraudes anteriores e apreensão de bens de luxo.

Operação Spare

O Grupo Boticário se manifestou após ser citado de forma indireta na Operação Spare, deflagrada pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo. Em nota, a companhia afirmou que não tinha conhecimento nem tem responsabilidade sobre as ações ilícitas denunciadas, que envolvem Maurício Soares de Oliveira, sócio de uma empresa terceira com participação em lojas franqueadas.

A empresa destacou que mantém políticas específicas de prevenção à lavagem de dinheiro e anticorrupção, além de um Código de Conduta e cláusulas contratuais de franquia que exigem cumprimento irrestrito da legalidade.

O Boticário também afirmou que está buscando informações junto às autoridades e que repudia qualquer prática ilegal.

A Operação Spare

A Operação Spare é um desdobramento da Carbono Oculto e revelou como o Primeiro Comando da Capital (PCC) usava setores formais da economia para lavar dinheiro de atividades ilícitas, sobretudo jogos de azar e adulteração de combustíveis.

De acordo com a Receita Federal, o grupo movimentava recursos por meio de postos, motéis, franquias e fintechs, formalizando valores obtidos em crimes. Ao menos 267 postos controlados diretamente ou indiretamente pelo esquema movimentaram R$ 4,5 bilhões entre 2020 e 2024, mas recolheram apenas 0,1% em tributos federais.

Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Santo André, Barueri, Bertioga, Campos do Jordão e Osasco.

Maquininhas, fintechs e o BK Bank

A apuração mostrou que o PCC utilizava maquininhas de cartão adaptadas para direcionar pagamentos de postos, motéis e lojas de conveniência a uma fintech controlada pelo grupo. O dinheiro entrava no sistema formal e era usado para aquisição de bens.

O núcleo financeiro se apoiava na fintech BK Bank, apontada como um “buraco negro” da lavagem. Segundo a Receita, a instituição misturava valores de clientes em contas próprias e realizava transferências sem rastro contábil do remetente ou beneficiário real, usando uma “contabilidade paralela”.

Bens de luxo e patrimônio

Com a estrutura, os investigados adquiriram artigos de luxo como um iate de 23 metros, um helicóptero Augusta A109E e um Lamborghini Urus, além de terrenos avaliados em mais de R$ 20 milhões usados para erguer motéis.

A Receita Federal estima que os bens identificados representem apenas 10% do patrimônio real do grupo.

Franquias sob suspeita

As investigações também detectaram 21 CNPJs ligados a 98 estabelecimentos de uma mesma rede de franquias, que movimentaram cerca de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2024, mas emitiram apenas R$ 550 milhões em notas fiscais.

Apesar de operacionais, esses negócios apresentavam indícios de ocultação patrimonial e sonegação, com recolhimento de apenas 2,5% em tributos federais sobre a movimentação.

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