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União Europeia adia votação sobre acordo comercial com os EUA após ameaça de Trump
Publicado 23/02/2026 • 13:40 | Atualizado há 5 meses
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KEY POINTS
Foto: JONATHAN ERNST
Donald Trump
A Europa alertou que acordos comerciais firmados com os Estados Unidos podem agora estar em risco depois que o presidente Donald Trump anunciou, no fim de semana, uma nova tarifa global de 15% sobre todas as importações.
A decisão de Trump veio após a Suprema Corte dos EUA ter derrubado, na sexta-feira, sua política de tarifas globais, implementada na primavera passada, que havia abalado a ordem comercial internacional estabelecida há décadas.
O presidente reagiu ao julgamento anunciando inicialmente uma nova tarifa universal de 10%, utilizando uma base legal diferente para as medidas mais recentes, mas depois elevou a taxa global para 15% — o máximo permitido por lei por até 150 dias antes de ser necessária aprovação do Congresso.
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As novas tarifas de importação estão “em vigor imediatamente”, afirmou Trump em publicação na rede Truth Social no sábado.
Autoridades na Europa e em Londres demonstraram preocupação e perplexidade com a mais recente reviravolta nas relações comerciais globais, afirmando que a nova política tarifária de Trump pode comprometer acordos assinados com os EUA no ano passado.
Elas pediram mais clareza à Casa Branca sobre o que o novo arcabouço tarifário significa, na prática, para seus respectivos acordos comerciais, que preveem tarifa de 15% sobre a maioria das exportações da União Europeia para os EUA e taxa de 10% para produtos do Reino Unido.
“Puro caos tarifário da administração dos EUA”, reagiu no domingo o presidente da comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, Bernd Lange.
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“Ninguém consegue mais entender — só há perguntas em aberto e crescente incerteza para a UE e outros parceiros comerciais dos EUA”, escreveu Lange na rede X.
“As novas tarifas… não configuram violação do acordo? De qualquer forma, ninguém sabe se os EUA vão cumpri-lo — ou sequer se serão capazes disso”, disse ele, acrescentando que “clareza e segurança jurídica são necessárias antes de qualquer passo adicional”.
A comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu realizou uma reunião de emergência na segunda-feira para discutir a mais recente medida comercial de Trump, e Lange afirmou em comunicado que o trabalho legislativo está “em espera” após a decisão da Suprema Corte.
“A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de 20 de fevereiro de 2026 sobre o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) é clara e inequívoca. Suas implicações não podem ser ignoradas, e seguir como se nada tivesse acontecido não é uma opção”, disse.
“Um instrumento-chave utilizado pelo lado americano para negociar e implementar o Acordo de Turnberry não está mais disponível”, acrescentou. “A situação agora está mais incerta do que nunca. Isso vai contra a estabilidade e previsibilidade que buscávamos alcançar com o acordo.”
A Comissão Europeia divulgou nota no domingo afirmando que “acordo é acordo” e que espera que os EUA “honrem seus compromissos… assim como a UE honra os seus”. A CNBC solicitou comentários adicionais ao órgão.
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O chanceler alemão Friedrich Merz disse à emissora ARD que haverá “uma posição europeia muito clara sobre isso” antes de sua visita à Casa Branca no início de março, mas deixou a cargo da Comissão Europeia, em Bruxelas, a resposta do bloco às tarifas.
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Siga o Times | CNBCJá o ministro do Comércio da França, Nicolas Forissier, sugeriu que Bruxelas pode retaliar Washington. Em entrevista ao Financial Times, ele pediu que os membros da UE não sejam “ingênuos” e adotem uma postura unificada diante da nova posição comercial da Casa Branca.
O Reino Unido também questionou como a nova política tarifária afetará seu acordo comercial com os Estados Unidos, que, com tarifa básica de 10%, colocava o país em vantagem competitiva em relação aos vizinhos europeus.
“Em qualquer cenário, esperamos que nossa posição comercial privilegiada com os EUA continue e trabalharemos com a administração para entender como a decisão afetará as tarifas para o Reino Unido e o restante do mundo”, disse um porta-voz do governo britânico no fim de semana.
A reação dura da Europa à nova política tarifária significa que o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, terá trabalho para convencer parceiros de que os acordos firmados no último verão continuam válidos.
Greer defendeu a posição tarifária de Trump no domingo, afirmando que a política comercial do presidente não mudou fundamentalmente e que os acordos permanecem em vigor.
“A política do presidente continuaria. É por isso que eles assinaram esses acordos, mesmo enquanto havia litígios em andamento. Estamos em conversas ativas com eles. Queremos que entendam que esses acordos serão bons acordos. Esperamos cumpri-los. Esperamos que nossos parceiros também os cumpram”, disse à CBS, no programa Face the Nation.
“E ainda não ouvi ninguém vir até mim e dizer: ‘o acordo acabou’. Eles querem ver como isso vai se desenrolar. Estou em conversas ativas com eles sobre isso”, acrescentou.
À primeira vista, as tarifas comerciais atuais dos EUA sobre a UE não mudam, já que a nova taxa de 15% é a mesma prevista no acordo. Isenções continuam válidas: produtos farmacêuticos, minerais críticos, fertilizantes e certos itens agrícolas permanecem livres de tarifas, enquanto outras tarifas sobre exportações de automóveis e aço seguem inalteradas.
No entanto, países que já tinham tarifas mais baixas tendem a ser mais prejudicados, com o Reino Unido em desvantagem significativa caso a taxa prevista em seu acordo não seja respeitada.
Considerando o peso do comércio, o Reino Unido enfrenta aumento de 2,1 pontos percentuais em sua tarifa média, enquanto a UE registra alta de 0,8 ponto, segundo análise da organização suíça Global Trade Alert. Em contraste, a taxa do Brasil cai 13,6 pontos, e a da China recua 7,1 pontos.
Tina Fordham, fundadora da Fordham Global Foresight, disse à CNBC na segunda-feira que os aliados mais próximos dos EUA parecem ser os mais afetados pelo que chamou de mais recente “caos comercial”, mas concordou que é necessária mais clareza por parte das autoridades americanas.
“Esta é uma administração que não pensa muito sobre efeitos de segunda ou terceira ordem, e o que estamos vendo é que países que tentaram agir cedo e fechar acordos vantajosos quando o presidente começou a falar dessas tarifas… estão sendo penalizados”, afirmou à CNBC, no programa Europe Early Edition.
Os mercados europeus abriram em queda na segunda-feira, refletindo a apreensão dos investidores com a nova medida tarifária. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou no domingo que a relação comercial transatlântica pode sofrer como consequência da incerteza.
“É fundamental que todos os envolvidos no comércio, tanto fora quanto dentro dos Estados Unidos, tenham clareza sobre o futuro das relações”, disse à CBS.
“É como dirigir: você quer conhecer as regras da estrada antes de entrar no carro. Com o comércio é a mesma coisa”, acrescentou.
“Se isso [a nova política tarifária] abalar todo o equilíbrio ao qual as pessoas no comércio estavam acostumadas… certamente trará perturbações aos negócios”, concluiu.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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