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Guerra no Oriente Médio leva Banco Central Europeu a elevar juros a 2,5% e manter novas altas no radar

Publicado 10/09/2026 • 16:10 | Atualizado há 41 minutos

KEY POINTS

  • A inflação de energia na zona do euro chegou a 14,3% em agosto, pressionada pelo choque no mercado de combustíveis.
  • Investidores estão divididos entre uma taxa terminal de 2,5%, 2,75% ou 3% neste ciclo de aperto.
  • O BCE mantém as decisões reunião a reunião, enquanto petróleo e tensões geopolíticas ampliam a incerteza sobre a inflação.

Alex Kraus | Bloomberg | Getty Images

O Banco Central Europeu (BCE) votou a favor de elevar sua taxa básica de depósito em 25 pontos-base, de 2,25% para 2,5%, em uma decisão amplamente esperada pelos investidores.

Mas a incerteza em torno da guerra entre Estados Unidos e Irã continua dificultando as perspectivas para a trajetória da política monetária do BCE no longo prazo, segundo analistas de mercado. Os investidores estarão atentos aos sinais dados pelos dirigentes do banco em seus comentários mais tarde nesta quinta-feira.

O BCE espera que a inflação de referência, excluindo energia e alimentos, alcance 2,5% em 2026, 2,6% em 2027 e 2,3% em 2028.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, alertou que o conflito no Oriente Médio e os acontecimentos recentes na guerra da Rússia contra a Ucrânia manterão a inflação cheia “bem acima da meta” de 2% do banco por um período prolongado.

Lagarde afirmou, em uma entrevista coletiva realizada imediatamente após a alta dos juros, que, apesar da “resiliência maior do que o esperado” demonstrada pela economia da zona do euro, o choque nos preços de energia, assim como as tensões comerciais globais, continuam sendo um risco para o crescimento.

“As perspectivas permanecem altamente incertas, com riscos de alta para a inflação e de baixa para o crescimento econômico”, afirmou o Conselho do BCE, reconhecendo uma “ampla gama de resultados” para o crescimento e a inflação em decorrência do choque energético, incluindo sua duração e os efeitos de segunda ordem.

Os mercados precificavam uma probabilidade de 100% de alta de 25 pontos-base antes da reunião desta quinta-feira, segundo dados da LSEG.

Dirigentes do BCE afirmaram desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã que adotariam uma abordagem de reunião a reunião para a política monetária. O Conselho do BCE, responsável pelas decisões sobre as taxas de juros, realizará uma entrevista coletiva em Berlim, marcada para as 8h45, no horário de Brasília, após a decisão.

A decisão ocorre dias depois de dados mostrarem que a inflação na zona do euro atingiu 3,3% em agosto, enquanto a inflação de energia disparou para 14,3%.

A zona do euro, importadora líquida de energia, registra inflação acima da meta de 2% do BCE desde que a guerra no Oriente Médio ameaçou o transporte de commodities pelo Estreito de Ormuz, fazendo com que os preços do petróleo disparassem e permanecessem voláteis.

Os custos de financiamento dos governos também subiram drasticamente nas últimas semanas, com os rendimentos dos títulos europeus atingindo máximas de várias décadas à medida que a intensificação do conflito no Oriente Médio levou os investidores a precificar uma inflação mais elevada e novas altas de juros.

Estrategistas de investimentos afirmaram que a decisão indica que novas altas de juros agora são prováveis.

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Ed Hutchings, chefe da área de juros da Aviva Investors, afirmou que as perspectivas para a inflação continuam sendo uma “fonte significativa de preocupação” tanto para o Conselho do BCE quanto para os investidores.

“Está claro que novas altas virão, e potencialmente mais de uma”, disse Hutchings. “A prioridade imediata do BCE é clara: enfrentar o cenário inflacionário e, nesse sentido, o mercado está correto ao considerar que novas altas virão. No entanto, com duas altas já realizadas e mais de duas outras precificadas pelo mercado, as coisas podem ter ido longe demais.”

Patrick Ernst, estrategista de investimentos macroeconômicos do JP Morgan Private Bank, afirmou que a trajetória dos juros agora depende do cenário geopolítico incerto.

“Ao manter aberta a possibilidade de um aperto adicional, os formuladores de política monetária deixaram claro que o risco de uma inflação impulsionada pela energia continua muito presente”, disse Ernst. “Uma alta não é um teto.”

Felix Feather, economista da Aberdeen, afirmou esperar outra alta na reunião do BCE em dezembro.

“A zona do euro demonstrou uma resiliência notável apesar dos preços mais altos de energia e da incerteza geopolítica, levando os formuladores de política monetária a revisar para cima suas expectativas de crescimento”, disse Feather. “Ao mesmo tempo, as projeções de inflação também subiram, refletindo os custos elevados de energia e as preocupações de que a inflação possa permanecer acima da meta por mais tempo.”

O BCE elevou os juros em junho pela primeira vez desde 2023, levando sua principal taxa de juros para 2,25% e tornando-se o primeiro grande banco central a promover uma alta em resposta à guerra.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou na ocasião que havia riscos de alta para a inflação e riscos de baixa para o crescimento econômico, mas ressaltou que os formuladores de política monetária “não estão se comprometendo antecipadamente com uma trajetória específica para os juros”.

O BCE manteve as taxas de juros inalteradas em sua reunião seguinte, enquanto o Conselho do BCE afirmou estar “monitorando de perto a intensidade e a duração do choque [energético], assim como seus efeitos indiretos e de segunda ordem”.

A incerteza em torno da trajetória dos juros do BCE dividiu os investidores: uma pesquisa do Deutsche Bank com seus clientes ao longo da última semana mostrou que não havia consenso sobre em que ponto do ciclo de alta do banco central a decisão desta quinta-feira se encaixaria.

Economistas do Deutsche Bank afirmaram, em uma nota divulgada na terça-feira, que mais de um terço dos entrevistados concordava com a avaliação de que o BCE levaria sua principal taxa de juros a um pico de 2,75%. Um em cada quatro acredita que o BCE manterá os juros em 2,5%.

Outro quarto dos entrevistados considera que o ciclo terminará com uma taxa terminal de 3%, o que significaria mais duas altas antes do fim do ciclo de aperto monetário do BCE.

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