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DADOS DA POLÍCIA FEDERAL E CVM: Forbes Brasil e Brazil Journal, os negócios secretos de mídia de Daniel Vorcaro

Publicado 02/09/2026 • 16:33 | Atualizado há 24 minutos

KEY POINTS

  • Mensagens divulgadas em relatório da PF mostram Vorcaro atuando sobre reportagens do Brazil Journal para atender pedidos atribuídos ao ministro Alexandre de Moraes.
  • Vorcaro teria feito investimento indireto no Brazil Journal por meio de um empresário amigo.
  • Estratégia de “sócio oculto” também ocorreu no controle da Forbes Brasil, segundo a CVM, através de um empréstimo conversível de R$ 100 milhões à empresa.

Muito antes do colapso do Banco Master e de sua prisão, Daniel Vorcaro investiu para ter o controle da própria narrativa em veículos de mídia. O banqueiro construiu relações, mobilizou interesses e influenciou a cobertura em algumas publicações para moldar a maneira como ele e seus negócios eram apresentados ao público.

Mensagens extraídas do celular do banqueiro pela Polícia Federal mostram que ele atuou diretamente para atender pedidos atribuídos ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, sobre o conteúdo de reportagens do Brazil Journal.

Leia também: Ex-ministro e chefe do SBT News, Fábio Faria atuou como intermediário entre Vorcaro e Moraes

Em um dos episódios, Vorcaro pediu diretamente ao fundador do site, Geraldo Samor, a inclusão de uma informação sobre um encontro entre ministros do Supremo e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Os diálogos foram retirados do documento de 218 páginas produzido pela Polícia Federal a partir do material apreendido na Operação Compliance Zero. O relatório foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

O pedido de Vorcaro ocorreu no dia 26 de abril de 2024, durante o Fórum Jurídico Brasil de Ideias, evento realizado em Londres que reuniu ministros do Supremo. Segundo a análise da corporação, Vorcaro afirmou a Samor que “Alexandre pediu” a inclusão, na matéria, da informação de que os três ministros do STF haviam se reunido de forma privada com Blair.

Consultas editoriais a Moraes

Em outro episódio localizado pela PF, Vorcaro voltou a tratar do conteúdo de uma notícia do Brazil Journal, agora em conversa com o ex-ministro Fábio Faria. O banqueiro pediu a Faria que verificasse com “Alexandre” se havia algo a alterar ou acrescentar no texto, além de cobrar rapidez na consulta.

Fábio respondeu, na sequência, que o conteúdo estava adequado e escreveu “pode liberar”.

A ausência de notícias no Brazil Journal sobre a prisão de Daniel Vorcaro e a liquidação extrajudicial do Banco Master levantou questionamentos no mercado sobre a relação do banqueiro com Geraldo Samor, fundador do site. A apuração do jornal O Estado de S. Paulo revelou que Vorcaro investiu indiretamente no veículo. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, administrava o fundo Leal, único cotista de outro fundo, o Duke. E foi por meio do Duke que se firmou uma sociedade com dois empresários que se conectaram à empresa de Geraldo Samor, publisher do Brazil Journal.

Procurado à época, Samor admitiu o aporte e a sociedade com o empresário ligado a Vorcaro, mas negou que o banqueiro ou o Banco Master integrassem a composição societária da publicação. A relação com o Brazil Journal se inseriu em um movimento mais amplo do controlador do Master em direção à mídia.

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Fundo ligado a Vorcaro é “sócio” da Forbes Brasil

A Forbes Brasil também apareceu no radar de apurações ligadas ao banqueiro. A FRBS Participações, controladora da marca no país, consta na CVM, a Comissão de Valores Mobiliários, como ativo principal do fundo Eagle Eye Investments, que integra a estrutura Astralo 95, apontada pela PF como núcleo do esquema de fundos investigado no caso Master.

O Eagle Eye declarou à autarquia deter R$ 113,7 milhões em ações da FRBS, equivalentes à totalidade do capital social da empresa até o ano passado. Um documento adicional, com data de recebimento em 23 de abril de 2025, confirma patrimônio líquido de R$ 123,3 milhões, dos quais 92,87% estavam concentrados nessas ações.

Além da participação acionária, os registros mostram um mútuo conversível de R$ 100 milhões, pelo qual o fundo teria emprestado recursos à Forbes Brasil com previsão de quitação por meio da emissão de novas ações. Esse valor correspondia a 81,1% do patrimônio líquido do Eagle Eye no mesmo documento de abril de 2025.

🔍 Mútuo conversível é um contrato de empréstimo entre um investidor e uma empresa, geralmente uma startup, no qual o valor emprestado pode ser convertido em participação societária (equity) em vez de ser devolvido em dinheiro.

Reag administrava fundo ligado a Forbes Brasil

O fundo era administrado pela Reag Investimentos, também investigada pela PF na Operação Carbono Oculto por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital e liquidada pelo Banco Central em janeiro deste ano.

Antonio Camarotti, CEO da Forbes Brasil e pai de Katarina Camarotti, diretora executiva da empresa, reafirmou em nota que são os únicos sócios da companhia e que o Banco Master Master, seus sócios ou quaisquer estruturas a eles relacionadas não detêm, nunca detiveram e não possuem qualquer direito de adquirir ou vir a deter participação societária na empresa.

A nota da empresa novamente não explica, porém, por que o fundo Eagle Eye declarou à CVM, em mais de um corte temporal, deter a totalidade das ações da FRBS, nem esclarece a origem do mútuo conversível de R$ 100 milhões registrado no mesmo período.

A Forbes Brasil também operou por cerca de doze meses um projeto de rádio em São Paulo, com custo milionário e caráter experimental. A estreia da programação, em fevereiro de 2026, ocorreu no mesmo período em que a FRBS passou a enfrentar questionamentos sobre a proximidade com o ecossistema de Vorcaro.

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