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Brasil ganha vantagem estratégica com avanço das energias renováveis no mundo
Publicado 07/07/2026 • 17:45 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 07/07/2026 • 17:45 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
O avanço das fontes renováveis sobre o carvão na geração mundial de eletricidade representa mais do que um marco ambiental: sinaliza uma transformação econômica impulsionada por segurança energética, inovação e geopolítica. A avaliação é do vice-presidente de Sustentabilidade da MIT Tech Review Brasil, Hudson Mendonça, que vê o Brasil em posição privilegiada para aproveitar essa mudança.
“Esse marco vem sendo construído há cerca de dez anos. Desde 2016, os investimentos em energias renováveis superam os destinados aos combustíveis fósseis. Agora estamos vendo o resultado dessa trajetória“, afirmou Hudson Mendonça em entrevista nesta terça-feira (7) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo levantamento do centro de pesquisas Ember Energy, as fontes renováveis responderam por 34% da geração global de eletricidade em 2025, ultrapassando pela primeira vez o carvão, que ficou com 33%.
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Para o especialista, a expansão das energias limpas deixou de ser motivada apenas pelas metas de sustentabilidade e passou a atender também a uma preocupação crescente dos países com a segurança do abastecimento energético.
“Hoje o principal motor dessa transformação é a segurança energética. Os conflitos internacionais mostraram que depender de poucas fontes ou de determinadas regiões do mundo representa um risco enorme para qualquer economia“, explicou.
Na avaliação de Mendonça, episódios como a guerra na Ucrânia, as tensões envolvendo o Irã, a disputa por minerais estratégicos e outros conflitos internacionais reforçaram a necessidade de diversificar as matrizes energéticas.
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“Diversificação passou a ser a palavra-chave. Os países perceberam que investir em renováveis não é apenas uma agenda ambiental, mas uma estratégia econômica e geopolítica“, destacou.
Enquanto a média mundial de eletricidade gerada por fontes renováveis chega agora a 34%, o Brasil já opera com uma matriz elétrica próxima de 90% de fontes limpas.
Segundo Hudson Mendonça, poucos países possuem uma vantagem comparável, sobretudo considerando o tamanho da economia brasileira.
“O Brasil está onde praticamente todos os países gostariam de chegar daqui a dez anos. Temos uma matriz elétrica extremamente limpa e uma posição privilegiada para liderar essa transformação“, afirmou.
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Ele acrescenta que o bom relacionamento diplomático com diferentes blocos econômicos também favorece a atração de investimentos internacionais em infraestrutura energética. “Temos condições técnicas, disponibilidade de energia e uma posição geopolítica muito favorável para receber investimentos de diferentes partes do mundo“, observou.
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Siga o Times | CNBCAlém da busca por segurança energética, Mendonça destaca que a evolução tecnológica foi decisiva para acelerar a adoção das fontes renováveis.
Segundo ele, a eficiência dos painéis solares, dos aerogeradores e de outros equipamentos aumentou significativamente, enquanto os custos de instalação caíram nos últimos anos.
“Hoje um sistema de energia solar residencial, em muitos casos, já produz energia a um custo inferior ao fornecido pelas distribuidoras. Isso acontece porque a tecnologia evoluiu muito rapidamente“, explicou.
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Para o executivo, novos materiais, equipamentos mais eficientes e ganhos de escala tornaram os investimentos cada vez mais competitivos.
Outro diferencial brasileiro, segundo o especialista, é a disponibilidade de energia limpa para atender ao crescimento acelerado da inteligência artificial.
Ele cita estudos da MIT Tech Review Brasil que apontam que os data centers brasileiros deverão consumir, até 2029, mais eletricidade do que toda a iluminação pública do país.
“Hoje o principal limitador da expansão da inteligência artificial no mundo não é chip, nem água, nem construção civil. É energia disponível. E o Brasil possui exatamente esse ativo“, ressaltou.
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Na avaliação de Mendonça, o País reúne condições para se tornar um dos principais destinos globais para grandes centros de processamento de dados, especialmente pela oferta de energia renovável em regiões como o Nordeste.
Apesar do cenário favorável, o especialista afirma que transformar essa vantagem em crescimento econômico dependerá da expansão da infraestrutura elétrica, especialmente dos sistemas de transmissão e armazenamento de energia.
Segundo ele, leilões de baterias e novos investimentos na rede serão fundamentais para evitar desperdícios de energia e garantir estabilidade ao sistema.
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“Se conseguirmos executar esse planejamento da forma correta, teremos mais atividade econômica, atrairemos investimentos e os consumidores poderão ser beneficiados. O Brasil tem capacidade técnica para isso. Agora é preciso transformar esse potencial em execução“, concluiu.
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