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IGP-M acelera em março e derivados de petróleo sinalizam pressão inflacionária à frente
Publicado 30/03/2026 • 09:01 | Atualizado há 2 horas
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KEY POINTS
IGP-M fica praticamente estável em dezembro (-0,01%) e fecha 2025 com queda de 1,05%
IGP-M fica praticamente estável em dezembro (-0,01%) e fecha 2025 com queda de 1,05%
O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) registrou alta de 0,52% em março, revertendo a queda de 0,73% observada em fevereiro. Com o resultado, o índice acumula alta de 0,19% no ano e deflação de 1,83% em 12 meses.
Em março de 2025, o indicador havia recuado 0,34% no mês, com acumulado de 8,58% em 12 meses. O dado foi apurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e divulgado nesta segunda-feira (30).
🔍 O que é o IGP-M e como é calculado: O IGP-M é composto por três índices com pesos distintos. O IPA, que mede a variação de preços no atacado, tem o maior peso, respondendo por 60% do índice. O IPC, que acompanha os preços ao consumidor final em sete capitais brasileiras, representa 30%. O INCC, que mede os custos da construção civil, completa o índice com os 10% restantes. Por refletir majoritariamente os preços no atacado e nas matérias-primas, o IGP-M tende a reagir mais rapidamente a choques externos, como variações cambiais e oscilações no mercado de commodities, antes que essas pressões cheguem ao consumidor final. Por isso, o índice é amplamente utilizado como referência de reajuste em contratos de aluguel e em tarifas de serviços públicos.
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O movimento mais relevante do mês está no subgrupo de Produtos Derivados do Petróleo dentro do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA). O segmento passou de -4,63% em fevereiro para 1,16% em março, sinalizando uma inversão de trajetória após meses de recuo.
Para Matheus Dias, economista do FGV IBRE, a mudança está diretamente ligada ao agravamento do conflito geopolítico no Oriente Médio. “O agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio já se reflete nos preços de derivados de petróleo, indicando a disseminação dessas pressões para outros segmentos”, afirmou o economista.
Dias destacou ainda que, apesar de a taxa acumulada em 12 meses para o subgrupo permanecer em -14,13%, a inflexão na margem representa uma mudança de sinal relevante, associada à elevação da percepção de risco sobre a oferta global de petróleo diante da intensificação do conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã.
O IPA avançou 0,61% em março, revertendo a queda de 1,18% registrada em fevereiro. O estágio das Matérias-Primas Brutas foi o destaque, com aceleração de 0,67% após recuar 2,88% no mês anterior.
O grupo de Bens Finais subiu 0,80% em março, contra 0,12% em fevereiro. Já os Bens Intermediários avançaram 0,32%, após 0,01% no mês anterior.
Além dos derivados de petróleo, a agropecuária seguiu como fator de pressão. Dias apontou contribuições de bovinos, ovos, leite, feijão e milho para impulsionar a aceleração do índice no mês.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) repetiu a variação de 0,30% pelo segundo mês seguido. Entre as oito classes de despesa, cinco aceleraram: Alimentação (de 0,17% para 0,95%), Despesas Diversas (de 0,37% para 1,30%), Vestuário (de -0,43% para 0,14%), Transportes (de 0,53% para 0,61%) e Comunicação (de 0,01% para 0,14%). Recuaram Educação, Leitura e Recreação (de 0,72% para -1,71%), Habitação (de 0,33% para 0,28%) e Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,12% para 0,08%).
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,36% em março, ligeiramente acima dos 0,34% de fevereiro. O grupo Mão de Obra foi o destaque, com avanço de 0,39% para 0,47%, enquanto Materiais e Equipamentos recuou de 0,30% para 0,28% e Serviços desacelerou de 0,36% para 0,24%.
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