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“Inimigos silenciosos”: como startups de I.A. tentam resolver um dos maiores problemas do varejo de roupas
Publicado 05/04/2026 • 13:06 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 05/04/2026 • 13:06 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Justo aqui, folgado ali, e o caimento não fica bom. Esse é o tipo de feedback que uma nova geração de aplicativos de inteligência artificial pode oferecer a consumidores que testam roupas antes da compra, com o objetivo de reduzir as chances de devolução.
O varejo de moda tem recorrido cada vez mais à IA para enfrentar o aumento das devoluções, um problema recorrente que afeta a rentabilidade e é frequentemente chamado no setor de “inimigo silencioso”.
Um número crescente de startups desenvolve soluções de provador virtual, permitindo que o cliente visualize a peça no corpo e faça ajustes no estilo antes de comprar.
Embora empresas de tecnologia tentem resolver esse desafio desde a década de 2010, os avanços recentes da IA generativa tornaram essas ferramentas eficazes a ponto de impactar os resultados financeiros das varejistas.
A Federação Nacional do Varejo dos Estados Unidos estimou que 15,8% das vendas do setor foram devolvidas em 2025, somando US$ 849,9 bilhões. No comércio eletrônico, a taxa chegou a 19,3%. A geração Z lidera esse movimento, com consumidores de 18 a 30 anos realizando, em média, quase oito devoluções online por pessoa no ano.
Grande parte dos produtos devolvidos não retorna às prateleiras e, em muitos casos, o custo do processo supera o valor reembolsado. Trata-se de um problema bilionário que reduz diretamente as margens das empresas.
“Encontrar formas de antecipar e reduzir devoluções pode impulsionar o desempenho e a rentabilidade”, afirmou Simeon Siegel, diretor sênior da Guggenheim.
Segundo ele, a tecnologia nunca substituirá totalmente provar uma roupa presencilamente, mas ajuda a diminuir a incerteza. “A tendência é de melhora contínua, o que deve reduzir as devoluções ao longo do tempo.”
A principal razão para devoluções e abandono de carrinhos é a dúvida sobre o caimento, afirmou Ed Voyce, fundador da startup Catches.
A empresa desenvolveu uma plataforma que permite criar uma versão digital do usuário para experimentar roupas virtualmente com alto nível de realismo. A ferramenta foi lançada recentemente no site da marca de luxo Amiri, em uma seleção de peças.
Diferentemente de outras soluções focadas apenas na aparência, a tecnologia da Catches simula características físicas dos tecidos e sua interação com o corpo em movimento.
Segundo Voyce, o avanço recente de diferentes tecnologias tornou essa solução viável, especialmente pela capacidade de processar imagens em nuvem a custos mais baixos, garantindo retorno financeiro para as marcas.
Ele afirma que a tecnologia pode transformar o setor e redefinir o padrão de experiência esperado pelos consumidores. Além de reduzir devoluções, essas ferramentas também buscam estimular compras.
Apesar do crescimento do comércio eletrônico, o setor enfrenta pressão. A política comercial dos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, afetou cadeias produtivas dependentes da Ásia. Ao mesmo tempo, a inflação tem tornado consumidores mais sensíveis a preços, enquanto os custos das empresas aumentam.
As devoluções, embora prejudiquem as margens, seguem sendo decisivas para o consumidor. Dados mostram que 82% consideram essencial a possibilidade de devolução gratuita, mas o custo dessa prática tem se tornado difícil de sustentar.
Diante disso, varejistas combinam tecnologia e mudanças operacionais para preservar margens.
As estratégias incluem cobrar pelo frete de devolução, oferecer informações mais detalhadas sobre medidas e incentivar trocas em vez de reembolsos.
A Inditex, dona da Zara, foi uma das primeiras a cobrar pela devolução de compras online. A medida gerou resistência, mas ajudou a proteger margens e a reduzir a prática de comprar vários tamanhos para teste em casa. A empresa também lançou um provador virtual.
A ASOS registrou melhora na rentabilidade, em parte pela redução na taxa de devoluções. A empresa testa provadores virtuais com tecnologia que mostra roupas em diferentes tipos de corpo, altura e tom de pele, embora ressalte que a ferramenta é apenas orientativa.
A Shopify integrou soluções semelhantes à sua plataforma, buscando reduzir dúvidas sobre tamanho, aumentar a confiança do consumidor e elevar as conversões.
Empresas como Amazon, Adobe e Google também desenvolvem tecnologias do tipo em parceria com grandes marcas.
A partir de 30 de abril, a ferramenta do Google passa a ser integrada diretamente aos resultados de busca de produtos.
A Catches estima que sua solução pode elevar as conversões em cerca de 10% e gerar retorno de 20 a 30 vezes para marcas parceiras, com foco no segmento de luxo. A empresa ainda não quantificou o impacto na redução de devoluções, mas projeta queda significativa.
Apesar do potencial, especialistas ressaltam que a tecnologia não resolve todos os problemas. Além do ajuste de roupas, varejistas avaliam o uso de IA na gestão de estoques, segmentação de clientes e prevenção a fraudes.
“O produto continua sendo mais importante do que a forma de vendê-lo. Essa distinção define quais empresas vão extrair valor da tecnologia e quais podem ser superadas por ela”, afirmou Siegel.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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