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“Efeitos irracionais de produção”: economista explica impacto de Ormuz no diesel
Publicado 05/04/2026 • 13:49 | Atualizado há 7 meses
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Publicado 05/04/2026 • 13:49 | Atualizado há 7 meses
KEY POINTS
A alta do diesel no Brasil já não reflete apenas oferta e demanda. Para Hugo Garbe, economista e fundador da Wallet Holding, o movimento atual é marcado por “efeitos irracionais de produção”, em meio à instabilidade política e ao estrangulamento logístico no Oriente Médio.
O diesel S10 subiu 14% em março e chegou a R$ 7,06, pressionado por um cenário externo que desorganiza o fluxo global de petróleo. No centro dessa tensão está o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela relevante da produção mundial. O risco de bloqueio pelo Irã compromete o escoamento da commodity e amplia a incerteza no mercado.
Segundo Garbe, é nesse ambiente que surgem os chamados efeitos irracionais de produção. “Há fatores comportamentais dentro da economia, em que produtor e consumidor passam a reagir mais ao risco do que aos fundamentos”, afirmou. Na prática, isso se traduz em repasses de preços sem critério claro, antecipação de reajustes e decisões que fogem da lógica tradicional de formação de preços.
Esse movimento, segundo o economista, não fica restrito ao petróleo. Em momentos de crise, o efeito se espalha pela cadeia produtiva e atinge diferentes setores, com impacto direto e rápido sobre a inflação, especialmente em itens sensíveis como combustíveis.
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Siga o Times | CNBCMedidas como subsídios ao diesel, em negociação entre governo federal e estados, podem trazer algum alívio no curto prazo. Ainda assim, Garbe avalia que se trata de uma ação paliativa. “Se o problema logístico global continuar, o efeito no médio e longo prazo tende a ser limitado”, disse, ao destacar que a origem da pressão está fora do país.
Sobre o risco de desabastecimento, ele afirma: “Acredito em um acordo entre EUA e Irã no curto ou médio prazo”. Segundo o economista, há pressão interna nos Estados Unidos, com inflação elevada e dificuldades para reduzir juros, o que pode acelerar uma solução negociada.
Garbe também aponta custo político para o presidente Donald Trump. Parte do eleitorado questiona o aumento do envolvimento em conflitos externos, em um cenário que pode influenciar decisões estratégicas e antecipar uma saída diplomática para a crise.
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