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Justus cai em contradição: mensagens a Vorcaro desmentem entrevista do empresário ao Times Brasil | CNBC na qual afirmou não ter negócios com o banqueiro

Publicado 03/10/2026 • 16:32 | Atualizado há 2 minutos

KEY POINTS

  • Justus afirmou ao Times Brasil | CNBC em janeiro e em março que o negócio com Vorcaro não saiu, versão contrariada por mensagens de 2025
  • Mensagens de 2025 mostram aportes, notas comerciais de R$ 143 milhões e proposta de recompra por R$ 130 milhões
  • Defesa de Justus diz que a conversão não foi realizada e que a menção à RJ buscava resolver o impasse
Roberto Justus e Daniel Vorcaro

montagem Times Brasil

Roberto Justus e Daniel Vorcaro

A contradição entre o que Roberto Justus disse em público e o que escreveu a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, aparece nas mensagens da Polícia Federal. No começo do ano, o empresário afirmou que o negócio com o ex-banqueiro não saiu. As conversas extraídas do celular de Vorcaro mostram, porém, que Justus cobrou a conversão de aportes na SteelCorp, empresa da qual é sócio, e propôs recomprar a participação por R$ 130 milhões.

Em janeiro, Justus disse ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, que os negócios não avançaram. Dois meses depois, em uma entrevista ao programa Pânico, o empresário novamente afirmou que  as conversas com Vorcaro foram tratativas que não confirmaram.

Leia também: “Nunca fiz negócio com o Banco Master”, diz Roberto Justus ao Times Brasil

Justus negou negócio com Vorcaro em janeiro

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC no final de janeiro deste ano, Justus disse que a conversa com Vorcaro, em 2024, envolvia o fundo Dynamic e o ex-banqueiro como pessoa física. Segundo ele, a operação “efetivamente nunca se concretizou”.

“Tive sorte que o negócio com o Vorcaro, pessoa física, não foi pra frente”, afirmou.

Na mesma conversa, o empresário relatou que só em dezembro soube que o Banco Master estava por trás do fundo da Reag, gestora que havia investido na SteelCorp. Ao descobrir, disse ter aportado R$ 300 milhões para reduzir a participação do fundo de 30% para 10%.

Justus repete versão no rádio

Já no Pânico, Justus contou que Vorcaro o procurou por interesse em construção industrializada e que os dois conversaram “várias vezes”. Em seguida, afirmou que o negócio não saiu.

Quando o apresentador comentou “graças a Deus”, Justus respondeu da mesma forma e acrescentou “não teve negócio”. Ainda no programa, disse que nunca imaginou Vorcaro “capaz desse tipo de coisa”.

Cobranças por aportes desde 2024

As mensagens tratam o investimento como uma operação em andamento. Segundo as conversas, em 21 de dezembro de 2024, Justus escreveu que um contrato havia sido assinado em agosto, mas que o ano terminaria sem a conclusão do aporte.

Em janeiro de 2025, a preocupação passou também pelo caixa da SteelCorp e por uma dívida de curto prazo. Já em abril, Justus afirmou que os primeiros R$ 80 milhões ainda precisavam ser formalizados como antecipação ligada ao investimento, e não como dívida.

Justus cita recuperação judicial em mensagem para Vorcaro

No dia 28 de agosto de 2025, Justus pediu uma conversa com Vorcaro e escreveu que o assunto era “muito urgente”. A captura das conversas registra chamadas de voz perdidas em 18 e 28 de agosto e em 1º de setembro.

Em 1º de setembro, Justus escreveu que, se a dívida continuasse no balanço, teria de pedir recuperação judicial e Vorcaro perderia todo o investimento. “Vale a pena?”, perguntou. Na mesma mensagem, disse nunca ter ficado tão decepcionado com alguém e que precisava tratar da “sobrevivência” da empresa.

Por sua vez, Vorcaro classificou a mensagem como “falta de empatia” e respondeu que havia cumprido “a duras penas” os aportes combinados. Atribuiu a demora na conversão a “entraves técnicos e jurídicos”.

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Proposta de recompra por R$ 130 milhões

No dia 2 de setembro, a conversa passou a tratar da saída de Vorcaro. Justus propôs assumir o pagamento de R$ 130 milhões em até cinco anos, com mecanismo de cash sweep ligado às vendas secundárias. Vorcaro pediu “um fluxo minimo garantido” e sugeriu dividir o valor em 60 parcelas.

Em outro trecho, Justus perguntou “Mas o cotista do fundo não é você?”. Vorcaro respondeu “Sim, mas pra ser um true sale tem que ter um fluxo”.

Na quinta-feira (4), Justus enviou proposta com correção pelo IPCA e parcelas anuais de R$ 6,5 milhões, R$ 13 milhões, R$ 19,5 milhões e R$ 26 milhões. Os R$ 65 milhões restantes seriam pagos ao fim do quinto ano.

Na sequência, o empresário resumiu a estrutura. As notas comerciais estavam em R$ 143 milhões, seriam convertidas em participação de 30% e, no mesmo ato, as cotas seriam compradas por R$ 130 milhões. Vorcaro respondeu “Ok”.

As mensagens divulgadas não bastam para concluir que a recompra foi efetivada.


Leia também: “Vou ter que pedir uma RJ”: Justus cobrou Vorcaro por aporte em empresa da qual é sócio

Patrimônio negativo e saída de Vorcaro

No dia 11 de setembro, Justus escreveu que a SteelCorp era “incapaz de honrar compromissos financeiros passados ou de obter novos financiamentos”. Citou ainda “patrimônio negativo” e disse que preparava um roadshow para captar recursos.

Mesmo assim, afirmou que manteria o compromisso de pagar R$ 130 milhões, com condição suspensiva para a parcela final de R$ 65 milhões.

Já Vorcaro respondeu que havia entrado no negócio por causa de Justus e que não queria sair. Disse aceitar uma saída “sem qualquer prêmio” e em prazo longo, desde que o valor aportado ficasse garantido.

Defesa de Justus explica mensagens

Em nota enviada ao Times Brasil | CNBC para a reportagem publicada na quinta-feira (1º) de outubro, a defesa afirmou que Justus negociou o investimento na SteelCorp em 2024 por meio de “uma dívida que poderia ser convertida em ações”. Segundo o texto, as negociações se arrastaram até 2025, quando o empresário decidiu encerrar o acordo.

A nota diz que as mensagens mostram Justus negociando a conversão do investimento e a recompra da participação resultante. Conforme o texto, a conversão não foi realizada e Vorcaro não se tornou sócio da SteelCorp.

A defesa sustenta que a menção à recuperação judicial serviu para resolver o impasse e não anunciava um pedido. Afirma ainda que Justus resolveu o tema antes da liquidação do banco e da prisão de Vorcaro.

Nova nota solicitada a Justus

O Times Brasil | CNBC pediu nova manifestação a Justus sobre as declarações dadas ao veículo em janeiro e ao Pânico em março. A reportagem quer saber como o empresário concilia a afirmação de que o negócio não saiu com as mensagens sobre aportes, notas comerciais de R$ 143 milhões e recompra por R$ 130 milhões.

Também pergunta como a dúvida sobre Vorcaro ser cotista do fundo, feita em 2 de setembro de 2025, se relaciona com a declaração de que Justus só soube em dezembro quem estava por trás do fundo. O espaço segue aberto.

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