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Lula fala sobre Trump no G7 e cita cooperação no combate ao crime organizado
Publicado 17/06/2026 • 14:48 | Atualizado há 40 minutos
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Publicado 17/06/2026 • 14:48 | Atualizado há 40 minutos
KEY POINTS
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participa do encerramento da cúpula do G7, onde faz discurso aos líderes reunidos. Em coletiva, o presidente afirmou que conversou com Donald Trump sobre o combate ao crime organizado e destacou que o Brasil está aberto à cooperação.
“O presidente Trump fala muito e ouve pouco. Então eu fiz questão de entregar para ele por escrito o que nós queremos para combater o crime organizado, o que nós queremos sobre a questão de terras raras e minerais críticos, o que nós queremos sobre a questão do comércio”, ressaltou.
Durante a fala, Lula apontou que armas utilizadas pelo crime organizado no Brasil teriam origem em Miami e citou Delaware como um possível centro de lavagem de dinheiro ligado a empresas brasileiras. Ele também disse ter recebido com surpresa as punições anunciadas pelos Estados Unidos na semana passada.
Lula disse ainda ter ficado surpreso com o anúncio feito pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre a classificação das facções, embora tenha reconhecido que o tema já havia sido discutido anteriormente com Trump.
O presidente brasileiro também disse que não quer que Trump interfira nas eleições brasileiras. A reação ocorreu após o líder americano comentar a situação política do Brasil e fazer referências à família Bolsonaro.
Lula afirmou que Trump conhece pouco o país e sugeriu que a percepção do presidente americano sobre a realidade brasileira estaria limitada à relação que mantém com integrantes da família Bolsonaro.
“Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil”, declarou.
Ao responder às críticas de Trump, o presidente defendeu o sistema eleitoral brasileiro, destacando a confiabilidade das urnas eletrônicas e a rapidez na apuração dos resultados.
“Não tem país no mundo que tem um sistema de urna eletrônica como o nosso. Eu quero até mandar uma urna eletrônica para mostrar para ele como é que ela funciona”, comentou.
Lula também rebateu a avaliação de que o ambiente político brasileiro seria instável ou perigoso, afirmando que o país realiza eleições pacíficas e organizadas.
“Não tem país no mundo de eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas”, enfatizou.
Durante a entrevista, o presidente reconheceu que Trump tem o direito de manter suas preferências políticas e ideológicas, mas ressaltou que isso não deve resultar em manifestações que interfiram nos assuntos internos de outros países.
“Eu acho que ele tem o direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania”, pontuou.
Lula acrescentou que não vê problema em Trump manter proximidade política com a família Bolsonaro, mas afirmou que o processo eleitoral brasileiro deve ser tratado exclusivamente pelos brasileiros.
“Pra mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. Agora não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, como as eleições americanas são um problema deles”, frisou.
Ao concluir a resposta, o presidente defendeu uma relação baseada no respeito mútuo entre os dois países.
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Seguir no Google“A única coisa que eu quero é o respeito pelo Brasil que eu tenho pelos Estados Unidos. Só isso”, concluiu.
Enquanto europeus apontam desequilíbrios na concorrência com a China, Lula reforçou que não pretende entrar no embate e destacou a relação com Pequim.
“Nós não queremos entrar na briga dos dois. Para nós, a China é importante. Eu não tenho nenhuma queixa da China. A balança comercial com o Brasil é de US$ 165 bilhões com superávit para o Brasil. A relação com os EUA, ano passado, foi de US$ 80 bilhões com déficit de US$ 10 bilhões para o Brasil. Então, obviamente, a China passa a ser um parceiro privilegiado para o Brasil”, afirmou Lula em declaração à imprensa em Genebra (Suiça).
O presidente também destacou o efeito dos investimentos chineses no ambiente econômico brasileiro e citou o impacto na dinâmica de outros setores industriais no país.
Lula avaliou ainda que, após o fim da Guerra Fria, a União Europeia concentrou esforços no Leste Europeu, deixando América Latina e África em segundo plano, espaços que, segundo ele, passaram a ser mais explorados pela China. Ele também incluiu os Estados Unidos nesse movimento de menor atenção às regiões.
“Quanto mais países estiverem interessados em fazer investimentos nos nossos países, em comprar nossos produtos, e estiverem dispostos a contribuir participando da exploração, industrialização e do enriquecimento das terras raras e minerais críticos, desde que seja nos nossos países, sejam bem-vindos”, afirmou.
A participação brasileira no G7 terminou com o endosso a três das oito declarações finais, em temas como segurança digital, combate ao câncer e narcotráfico. Segundo Lula, a decisão reflete uma “visão diferenciada” do Brasil em relação a outros países do grupo.
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