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Mercado Livre perde a coroa, e cai para o terceiro lugar entre as gigantes da América Latina

Publicado 24/02/2026 • 14:20 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Arrancada de Petrobras e Itaú Unibanco redefine o topo do ranking e expõe nova geografia de valor na região.
Fachada Mercado Livre

Reprodução/Mercado Livre

O reinado do e-commerce latino-americano chegou ao fim, e de forma mais contundente do que o mercado havia percebido à primeira vista. A Mercado Libre, que desde agosto de 2024 ocupava o posto de empresa mais valiosa da América Latina, não apenas perdeu a liderança: escorregou diretamente para a terceira posição, ultrapassada simultaneamente por Petrobras e Itaú Unibanco.

O movimento marca uma inflexão clara no eixo de valor da região. Se nos últimos anos a narrativa dominante apontava para a supremacia das plataformas digitais, o início de 2026 mostra uma volta, ainda que parcial, ao protagonismo dos setores tradicionais, especialmente energia e sistema financeiro.

A Petrobras reassumiu o trono com valor de mercado de US$ 100,9 bilhões, após adicionar impressionantes US$ 26,3 bilhões desde o fim de 2025, a maior expansão absoluta entre todas as companhias latino-americanas no período. Logo atrás, o Itaú Unibanco avançou US$ 22,1 bilhões, atingindo US$ 97,8 bilhões e consolidando a segunda posição.

A ex-líder Mercado Livre, por sua vez, perdeu US$ 7,6 bilhões em valor de mercado em 2026, recuando para US$ 94,5 bilhões, o suficiente para cair duas posições de uma vez. A correção interrompe um ciclo iniciado em 1º de agosto de 2024, quando a companhia havia ultrapassado a Petrobras e inaugurado uma fase simbólica de domínio das empresas de tecnologia na região.

O novo ranking revela ainda uma forte concentração brasileira no topo: cinco das dez maiores companhias são do país, BTG Pactual, Vale e Ambev completam a lista, além da Nu Holdings, sediada nas Ilhas Cayman, mas operacionalmente brasileira. México aparece com três representantes, Grupo México, América Móvil e Walmart de México, enquanto a Argentina mantém apenas o Mercado Livre no seleto grupo.

Outro dado revelador: apenas duas empresas perderam valor de mercado no ano, Mercado Livre e Nu Holdings (queda de US$ 2,65 bilhões). Todas as demais avançaram, algumas de forma vigorosa. Além de Petrobras e Itaú, destaque para Vale (alta de US$ 16,4 bilhões), BTG Pactual (US$ 15,5 bilhões) e Grupo México (US$ 19,1 bilhões).

Por trás dessa valorização das companhias brasileiras há também um fator cambial decisivo. A desvalorização de 6,16% do dólar em 2026 inflou automaticamente os valores de mercado quando convertidos para a moeda americana, amplificando a percepção de ganho de valor das empresas listadas na B3.

O resultado é uma mudança silenciosa, porém profunda, na hierarquia corporativa latino-americana. A perda da liderança pelo Mercado Livre já havia sido noticiada. O que ainda não havia entrado no radar é o tamanho da queda: sair do topo diretamente para o terceiro lugar, ultrapassado simultaneamente por duas empresas brasileiras de setores tradicionais.

Mais do que uma troca de posições, o episódio sugere uma reprecificação estrutural, um lembrete de que, na América Latina, ciclos de commodities, bancos e câmbio continuam tendo peso suficiente para redesenhar rapidamente o mapa de poder corporativo.

Se 2024 foi o auge das plataformas digitais, 2026 começa com um recado claro: o velho motor da economia regional voltou a acelerar. E desta vez, com Petrobras e Itaú no volante.

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