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Primeira semana da guerra entre EUA e Irã tem 368 ataques cibernéticos

Publicado 24/03/2026 • 15:40 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Operações cibernéticas vieram antes dos ataques bélicos entre Estados Unidos e Irã, aponta relatório da Apura Cyber Intelligence
  • Inteligência artificial foi usada para mapear alvos, derrubar defesas e interromper comunicações
  • Internet do Irã caiu para quase 0%, sistemas e apps governamentais foram derrubados; câmeras e infraestrutura foram hackeadas

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã não começou com mísseis. Antes das explosões, havia um movimento invisível, porém, estratégico no ciberespaço. Relatório da Apura Cyber Intelligence aponta que ataques digitais precederam e acompanharam as ofensivas militares iniciadas em 28 de fevereiro, consolidando um novo padrão de conflito: operações cibernéticas integradas às ações bélicas. Na primeira semana do conflito, foram registrados 368 ataques cibernéticos, com Israel como principal alvo, concentrando 184 incidentes. 

Segundo o levantamento, sistemas iranianos já apresentavam sinais de comprometimento antes dos primeiros bombardeios. Houve queda abrupta na conectividade do país, interrupção de aplicativos governamentais e falhas em comunicações estratégicas, indicando uma estratégia coordenada de desestabilização prévia. 

Anchises Moraes, especialista em cibersegurança da Apura, afirma: “o foco desses ciberataques está na infraestrutura, telecomunicações, setores financeiros e de defesa”.

Além disso, operações de inteligência digital foram usadas para mapear alvos com precisão. O relatório cita o uso de câmeras de vigilância e monitoramento urbano como parte de ações que permitiram identificar padrões de deslocamento e localizar lideranças iranianas, integrando tecnologia e poder militar de forma inédita. 

“Em um cenário envolvendo potências com histórico consolidado de operações cibernéticas, o risco digital se torna politicamente motivado, assimétrico, volátil e altamente imprevisível”, afirma Moraes.

Retaliação digital

Se os ataques iniciais demonstram a capacidade ofensiva de Estados Unidos e Israel no ambiente digital, a resposta iraniana tem se concentrado justamente nesse campo.

Com limitações na frente militar convencional, o Irã intensificou uma estratégia de retaliação cibernética, considerada mais ágil, de menor custo e difícil de rastrear. O resultado é uma escalada rápida e difusa.

“Aliás, este vem sendo o maior evento de guerra cibernética integrada a operações cinéticas desde o conflito Rússia-Ucrânia”, observa Anchises Moraes.

A ofensiva também atingiu outros países da região, como Kuwait e Jordânia, além de se espalhar para territórios na Europa e no Golfo, evidenciando a rápida internacionalização da guerra digital.

As ofensivas incluem desde ataques de negação de serviço (DDoS), que sobrecarregam sistemas até tirá-los do ar, e desfiguração de sites, quando páginas são invadidas e alteradas. 

Além disso, identificaram ações mais sofisticadas, como ransomware, que sequestra dados e exige pagamento para liberá-los. Espionagem digital e invasões a sistemas industriais e infraestrutura crítica, capazes de comprometer serviços essenciais como energia, transporte e comunicação.

Um conflito com múltiplos atores

A análise da Apura descreve que a guerra cibernética no Oriente Médio mobiliza uma rede complexa de atores, que inclui grupos hacktivistas, organizações criminosas e unidades ligadas diretamente a governos.

Embora grupos pró-Irã liderem parte significativa das ações ofensivas, com atuação concentrada contra alvos em Israel, Estados Unidos e aliados regionais, o relatório também aponta a presença ativa de operações vinculadas a interesses ocidentais. Ataques atribuídos a estruturas ligadas a Israel e Estados Unidos teriam antecedido ofensivas militares, com foco em espionagem, desestabilização de sistemas e coleta de inteligência estratégica.

O conflito também atraiu a participação de atores internacionais. Grupos associados à Rússia se somaram a campanhas digitais, enquanto países como Polônia e Turquia aparecem entre os territórios afetados por incidentes cibernéticos. Na região do Golfo, alvos em Catar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos também foram registrados.

Além disso, o relatório identifica a atuação de grupos ligados diretamente ao Estado iraniano, incluindo unidades associadas à Guarda Revolucionária, ao lado de coletivos descentralizados que operam de forma oportunista. Do outro lado, estruturas de inteligência ocidentais operam com maior grau de sofisticação técnica, especialmente em ações de infiltração, vigilância e preparação de alvos.

Esse ecossistema híbrido, que mistura Estados, atores não estatais e alianças informais, torna o conflito mais imprevisível e dificulta a atribuição direta das operações, aumentando o grau de incerteza e o risco de escalada global.

Infraestrutura sob ataque

Diferentemente de conflitos tradicionais, os alvos não se restringem a bases militares. A infraestrutura civil e econômica tornou-se um dos principais focos.

Setores como telecomunicações, energia, sistema financeiro e defesa aparecem entre os mais atingidos. Em alguns casos, houve comprometimento de sistemas industriais e interrupções em serviços de computação em nuvem na região, ampliando os impactos para além do campo de batalha físico.

O relatório também aponta tentativas de invasão e controle de sistemas de água, transporte e logística, indicando que a guerra digital pode gerar efeitos concretos no funcionamento das cidades e serviços essenciais.

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Brasil e América Latina fora do alvo direto 

Até o momento, não há registros de ataques direcionados ao Brasil ou a países da América Latina. Ainda assim, o risco é considerado indireto.

Segundo a Apura, setores estratégicos da região — como energia, telecomunicações, saúde e sistema financeiro — permanecem vulneráveis a efeitos colaterais ou à eventual expansão do conflito digital. 

A recomendação é que empresas e governos reforcem medidas de cibersegurança e ampliem o monitoramento de ameaças, diante de um cenário global cada vez mais interconectado.

A guerra antes da guerra

A tecnologia sempre fez parte das disputas de poder, como na criptografia militar às comunicações estratégicas. O que muda agora é a escala e o momento em que ela entra em cena.

No conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, as operações digitais passam a abrir caminho para a guerra. Sistemas são invadidos, comunicações são interrompidas e alvos são mapeados antes mesmo de qualquer movimentação militar visível.

Além de acompanhar os bombardeios, os ataques cibernéticos ajudam a torná-los possíveis e até mesmo mais precisos. A mudança é decisiva e o conflito começa nos dados e nas redes.

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