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Redata pode reduzir custo de data centers no Brasil e atrair novos investimentos
Publicado 01/09/2026 • 14:30 | Atualizado há 1 mês
Publicado 01/09/2026 • 14:30 | Atualizado há 1 mês
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O Brasil pode ampliar sua posição no mercado global de data centers caso avance com o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata). Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Cynthia Baral, diretora jurídica da CTC Infra, afirmou que o programa pode reduzir custos de implantação e estimular novos investimentos no setor.
O Senado vota o Redata nesta quarta-feira (27). O programa prevê a suspensão, por cinco anos, de impostos federais sobre equipamentos destinados à instalação ou ampliação de data centers, incluindo PIS, Cofins, IPI e, nos casos previstos, Imposto de Importação.
Segundo a estimativa apresentada durante a entrevista, o programa terá impacto fiscal de R$ 5,2 bilhões em 2026 e de aproximadamente R$ 1 bilhão nos anos seguintes. Em contrapartida, as empresas beneficiadas terão de cumprir exigências como destinar ao menos 10% da capacidade de processamento e armazenamento ao mercado interno, utilizar energia limpa ou renovável e investir no país o equivalente a 2% do valor dos equipamentos incentivados.
Para Cynthia, o incentivo pode representar um primeiro passo para reduzir uma das principais barreiras à expansão do setor no país: o custo dos equipamentos importados. Segundo a executiva, esses componentes representam cerca de metade do investimento em um data center.
“O Redata vai muito além. Os data centers são estratégicos para toda uma cadeia de fornecedores, de grandes construções, de geradores de empregos, de projetos de grande porte em todo o Brasil”, afirmou.
O país já ocupa uma posição relevante no mercado latino-americano de data centers. Cynthia destacou a capacidade energética renovável, a extensão territorial e o tamanho do mercado consumidor brasileiro como vantagens competitivas para atrair novos projetos.
A expansão, porém, esbarra nos custos. Segundo a executiva, o Brasil ainda não é competitivo em relação a mercados como Chile, México e Estados Unidos quando se considera o custo total de instalação.
Um estudo da Fundação Getulio Vargas citado durante a entrevista aponta que um data center de 100 MW, com investimento de US$ 5 bilhões, apresenta custo cerca de 27% maior no Brasil do que a referência americana. Com o Redata, essa diferença poderia cair para aproximadamente 18%.
“Ainda nós não somos competitivos no preço por megawatt que é instalado”, explicou Cynthia. Para ela, a redução de impostos federais sobre equipamentos pode ajudar a diminuir o custo de implantação, mas não elimina todas as barreiras.
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Siga o Times | CNBCA tributação sobre energia aparece como outro ponto relevante para a competitividade do setor. Cynthia afirmou que, mesmo com uma eventual desoneração federal, os estados ainda precisam discutir medidas relacionadas ao ICMS.
Segundo a executiva, a energia é um componente essencial para a operação dos data centers e já impulsiona investimentos em fontes renováveis. Ela citou bilhões de reais em projetos de energia renovável no estado de São Paulo voltados ao atendimento dessa demanda.
“O fator energia é essencial e o investimento em energias renováveis tem sido impulsionado pelos data centers”, afirmou.
Na avaliação da diretora jurídica da CTC Infra, uma segunda etapa de desoneração, envolvendo os estados, será necessária para aproximar o Brasil dos custos praticados em outros mercados.
A infraestrutura brasileira de data centers está concentrada principalmente em São Paulo, mas novos projetos começam a surgir em outras regiões. Cynthia citou movimentos no Nordeste, Norte e Sul do país.
A expansão pode acompanhar o crescimento da demanda por computação e armazenamento de dados, especialmente com o avanço das aplicações de inteligência artificial.
“O Brasil consegue muito bem se posicionar”, afirmou. Para a executiva, a combinação entre capacidade energética, mercado consumidor e disponibilidade territorial cria condições para que o país amplie sua participação no setor.
O desafio agora é transformar essas vantagens em competitividade de custos. O Redata representa uma das iniciativas para isso, mas a discussão sobre tributação estadual e infraestrutura energética ainda deve definir o ritmo de novos investimentos.
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