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STF derruba sigilo de investigação que envolve troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro
Publicado 01/09/2026 • 14:07 | Atualizado há 54 minutos
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Publicado 01/09/2026 • 14:07 | Atualizado há 54 minutos
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Márcio Gustavo Vasconcelos/Wikimedia Commons (CC0) e Andressa Anholete/STF.
Daniel Vorcaro (à esquerda) e Alexandre de Moraes; Mendonça pediu esclarecimentos à PGR sobre suposta mensagem do ex-banqueiro ao ministro.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (1º) o fim do sigilo de uma investigação que apura a existência de uma suposta rede de monitoramento e influência ligada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Entre os elementos apurados estão mensagens atribuídas a Vorcaro que envolvem contatos com o ministro Alexandre de Moraes nos dias anteriores à prisão do banqueiro.
A decisão torna públicos elementos reunidos pela Polícia Federal (PF) a partir da análise do celular apreendido com o banqueiro.
Segundo o despacho, a PF encontrou indícios de que Vorcaro teria estruturado uma rede capaz de obter informações reservadas em diferentes instituições públicas. Na avaliação dos investigadores, esses dados poderiam ser utilizados tanto para orientar decisões relacionadas aos negócios do grupo quanto para antecipar movimentos das autoridades.
O despacho de Mendonça registra que relatórios da Polícia Federal foram elaborados a partir da análise técnica do celular apreendido com Vorcaro. Inicialmente, os investigadores identificaram diálogos entre o banqueiro e uma pessoa cuja identidade ainda não havia sido estabelecida nos documentos mencionados pela decisão.
Na avaliação da PF, o conteúdo indicaria que Vorcaro teve conhecimento antecipado da investigação que resultou em decisão da 10ª Vara Federal do Distrito Federal. Os investigadores também apontam que ele teria recebido previamente informações sobre procedimentos criminais e apurações em andamento no Banco Central.
Mensagens mostram que, dois dias antes de ser preso, Vorcaro questionou Moraes sobre a necessidade de deixar o Brasil. O banqueiro também teria procurado saber sobre o andamento das diligências e sobre autoridades envolvidas no caso.
As conversas reveladas pela imprensa indicam ainda pedidos para que Moraes atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Esses episódios se relacionam à linha investigativa mencionada no despacho, segundo a qual Vorcaro buscaria intervenções perante autoridades responsáveis por decisões que poderiam afetá-lo.
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Siga o Times | CNBCA apuração não está limitada às conversas encontradas no aparelho. De acordo com Mendonça, sucessivas diligências foram autorizadas desde que surgiu a suspeita sobre a existência de um núcleo dedicado à obtenção de informações sigilosas.
A Polícia Federal investiga quem seriam os demais integrantes dessa estrutura e de que forma ela funcionaria. Relatórios citados pelo ministro mencionam a hipótese de tentativa de dificultar investigações e procedimentos de fiscalização considerados prejudiciais aos interesses do grupo investigado.
Diante da informação de que ainda poderiam existir participantes não identificados, Mendonça solicitou à Polícia Federal uma atualização específica sobre o estágio das apurações e sobre a identificação dos integrantes da suposta rede atribuída a Vorcaro. A resposta da corporação deu origem a uma nova petição no Supremo.
As mensagens divulgadas nesta terça mostram que os contatos se intensificaram nos dias anteriores à prisão do banqueiro.
Em 15 de novembro, Vorcaro teria perguntado a Moraes se deveria estar fora do país na segunda-feira seguinte. Também buscou informações sobre o juiz responsável pelo caso e sobre o conhecimento do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a respeito da situação.
No dia seguinte, voltou a perguntar sobre a possibilidade de uma ação policial. A ordem de prisão preventiva foi expedida em 17 de novembro, e Vorcaro foi detido naquela noite quando se preparava para embarcar em um jato particular no Aeroporto Internacional de São Paulo.
O destino inicial era Malta, com previsão de seguir posteriormente para Dubai. Vorcaro alegava que a viagem estava relacionada às negociações para a venda do Banco Master, mas os investigadores acreditam que o banqueiro tentava fugir do país.
Ao retirar o sigilo, Mendonça afirmou que os novos elementos apresentados pela Polícia Federal deverão ser submetidos ao plenário do Supremo. Segundo o ministro, a análise deverá ocorrer em sessão presencial e pública, ainda sem data definida.
O relator fundamentou a retirada do sigilo no princípio constitucional da publicidade dos atos judiciais e no interesse público sobre as informações do processo. Ao final do despacho, assinado em 1º de setembro, determinou que os autos deixassem de tramitar sob sigilo.
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