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Vinicius Torres Freire: crise no STF pode render “alguns décimos” diante de uma eleição apertada

Publicado 28/09/2026 • 22:27 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • Analista avalia que disputa envolvendo STF, TSE e conteúdo religioso pode ter efeito eleitoral.
  • Torres Freire afirma que conflito interno no Supremo se aproximou de questões eleitorais nos últimos meses.
  • Para o comentarista, levar a polêmica ao plenário do STF seria a saída “menos ruim” diante da proximidade da eleição.

A disputa envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), decisões da Justiça Eleitoral e conteúdo religioso pode produzir efeito sobre a eleição presidencial, ainda que pequeno e difícil de capturar pelas pesquisas. É o que avalia Vinicius Torres Freire, analista do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Para Torres Freire, uma movimentação de poucos décimos de ponto percentual pode ganhar relevância diante de uma eleição apertada. Ele ponderou, no entanto, que não há elementos para atribuir eventuais oscilações nas pesquisas diretamente à crise entre integrantes do Judiciário.

“Pode render alguns décimos de porcentagem de voto. Isso é inverificável por pesquisa, mas a gente supõe que deva ter um efeito”, afirmou.

A análise ocorre após uma nova polêmica entre ministros em torno de publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. André Mendonça havia determinado a retirada de conteúdo, decisão posteriormente derrubada por Flávio Dino. A defesa de Flávio Bolsonaro (PL) recorreu ao ministro Luiz Fux, relator no STF de processo relacionado ao Marco Civil da Internet, para tentar suspender a decisão de Dino.

Leia também: Caso Master: Novo pede que STF desconsidere pedido de vista de Dino em julgamento sobre Moraes

Efeito nas pesquisas é difícil de medir

Torres Freire afirmou que os primeiros levantamentos realizados após o período de maior turbulência não permitem concluir que a disputa institucional tenha provocado uma mudança relevante nas intenções de voto.

Segundo ele, mesmo uma eventual variação associada ao episódio poderia ficar abaixo da margem de erro das pesquisas.

“Pode ter influenciado? Pode. Mas, como esse ganho de voto deve ser pequeno e a margem de erro é muito maior do que isso, a gente não vai ter certeza”, afirmou.

Na avaliação do analista, isso não reduz a importância atribuída ao tema pelas campanhas.

“As campanhas são desesperadas”, disse, ao destacar a disputa por pequenos grupos de eleitores na reta final.

Conflito no Supremo se aproxima da eleição

Para Torres Freire, as divergências dentro do STF não começaram agora nem se limitam à corrida presidencial.

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“Dois grupos querem saber quem manda ali, quem vai ter mais poder sobre as decisões sobre o país”, afirmou.

Segundo o analista, porém, a disputa interna da Corte passou a se relacionar mais diretamente com temas eleitorais nos últimos meses.

“A gente vai ver ministro sobre ministro tentando invalidar decisões”, afirmou.

Para ele, o quadro contribui para uma perda de clareza sobre quais órgãos e ministros devem decidir determinadas questões.

“A gente não tem mais controle sobre quem decide o quê, com base no quê”, disse.

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Plenário seria saída “menos ruim”

Diante da proximidade da votação, Torres Freire avaliou que a melhor saída institucional seria uma decisão colegiada do Supremo.

“O menos ruim para a institucionalidade é o caso ser julgado pelo plenário do Supremo, e tem que ser rápido porque a eleição é agora no final de semana”, afirmou.

O analista ressaltou que o componente religioso adiciona sensibilidade ao episódio por ocorrer em uma campanha polarizada e em um país no qual questões de fé ganharam espaço crescente no debate político.

“Assunto religioso num país conturbado, polarizado e que vem botando a religião na política há pelo menos uma década e meia deve ter algum impacto”, disse.

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