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Eleitor americano barra data centers e o Redata tenta atrair as obras para o Brasil, e a COP31 vai falar muito sobre isso

Publicado 08/11/2026 • 19:44 | Atualizado há 15 minutos

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Allan Ravagnani

Repórter Especial

Allan Ravagnani é jornalista há 20 anos, duas vezes eleito entre os 50 jornalistas de Economia mais admirados do Brasil. Assina a coluna AI-451 e é repórter especial do Times Brasil | CNBC. Estudou Publicidade na ESPM e Jornalismo na Fapcom, fez pós-graduações em Macroeconomia, Finanças e Ciência Política.

Eleitor americano barra data centers e o Redata tenta atrair as obras para o Brasil, e a COP31 começa falando sobre isso

Nano Banana 3

Placas contra data centers em rua residencial dos Estados Unidos, onde eleitores rejeitaram projetos em consultas locais na terça-feira (3)

Duas fileiras de fardos de feno, a de cima soletrando "no data" e a de baixo "centers", com três deles pintados com a bandeira americana, ilustram a reportagem da agência Stateline sobre a terça-feira (3), dia em que eleitores de dez estados rejeitaram, em quase todas as consultas locais, a instalação de data centers perto de casa.

O recado de beira de estrada interessa ao Brasil porque o Redata, regime de isenção de impostos para esses prédios de servidores sancionado em setembro, é a oferta nacional a quem ficou sem endereço, e interessa ainda mais na semana em que a COP31, a conferência do clima da ONU, abre em Antalya, na Turquia, na segunda-feira (9).

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Eleitor americano rejeita servidores e big techs olham para fora

O rastreador Data Centers on the Ballot contou 38 consultas em que prevaleceram restrições e uma única derrota, em Harwood, na Dakota do Norte. Na boca de urna da NBC, 56% dos eleitores disseram que a inteligência artificial e os data centers pesaram muito ou bastante no voto para o Congresso.

O mercado entendeu o recado: as ações de Amazon, Microsoft, Alphabet e Meta subiram na quarta-feira (4), mas o ganho foi em boa parte desfeito na quinta-feira (5), quando a Nvidia caiu 9,3% e a Dell, 15%.

Na quarta-feira (4), no evento WSJ Tech, a presidente da Meta, Dina Powell McCormick, afirmou que será muito difícil construir novos data centers nos Estados Unidos e que todo hyperscaler, como se chamam as gigantes de nuvem, se pergunta se precisa construir fora do país.

A consultoria STL Partners, citada pela CNBC, soma US$ 77 bilhões (R$ 413 bilhões, pelo câmbio de 29/10) em projetos americanos adiados ou cancelados por oposição local e US$ 42 bilhões na Europa.

Carlos Barrera, presidente da Atlas Renewable Energy, disse à Fortune que a América Latina pode ser uma válvula de escape para a falta de capacidade nos Estados Unidos, o que dá ao Redata uma freguesia em potencial antes mesmo de ele funcionar.

Conferência do clima cobra a conta de energia da inteligência artificial

A presidência turca da COP31, com a Austrália à frente das negociações, publicou o Compromisso de Inteligência Artificial de Antalya, de adesão voluntária, que pede energia de baixa emissão nos data centers e relatórios sobre o impacto ambiental da IA, e que reconhece que o consumo de eletricidade dessas instalações subiu 50% em 2025.

O Google já se mexeu: anunciou na quinta-feira (5) um data center em Wyoming que pagará por 100% da energia que consumir e será refrigerado a ar, para poupar a água local, segundo a Barron’s.

Evan Tachovsky, do World Resources Institute, avaliou que o texto aponta a direção certa, mas não prevê responsabilização de empresas e governos.

O Brasil chega a essa mesa com uma matriz de quase 87% de fontes renováveis e eletricidade que custa menos da metade da americana, com 60% dos dados do país processados no exterior, segundo o Ministério do Desenvolvimento.

Redata espera decreto, licença e rede elétrica

A lei 15.504 suspende por cinco anos tributos federais como PIS/Cofins e IPI sobre equipamentos, exige que 10% da capacidade atenda o mercado interno e que 2% do valor dos bens volte em pesquisa e desenvolvimento, mas o regime ainda não opera porque depende de decreto.

A Fazenda resiste a incluir o gás natural entre as fontes aceitas, nove frentes parlamentares e 32 entidades pediram a Lula, em carta de outubro, que publique o texto com gás e deixe os pontos técnicos para depois, e o presidente já disse que quem vier terá de investir na construção de energia renovável.

O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, disse em outubro que o governo trabalha para concluir a regulamentação até o fim do ano.

Quem espera o decreto já sentiu o custo, pois, segundo a Elea Data Centers, os investimentos em novos data centers caíram para cerca de R$ 2 bilhões em 2025, menos de um décimo da média anual de R$ 25 bilhões entre 2020 e 2024, e a empresa atribui a queda à demora do Redata.

O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, disse em setembro que os pedidos de conexão somam quase 20 gigawatts, cerca de 30% da energia do país, enquanto a projeção do próprio órgão para a carga dos data centers em 2030 é de 3,5 gigawatts, o que sugere que boa parte da fila é intenção e não obra.

A obra mais adiantada, o Data Center Pecém, do TikTok, no Ceará, com 300 megawatts e R$ 50 bilhões na primeira etapa de um plano que chega a R$ 200 bilhões até 2036, mostra o obstáculo da licença. Em setembro, na quinta-feira (10), o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União foram à Justiça para impedir que ele opere antes de uma consulta ao povo indígena Anacé e de um estudo de impacto ambiental, porque, segundo a ação, foi enquadrado como empreendimento de baixo ou médio impacto numa região que depende de poços e tem histórico de escassez de água.

A Omnia, responsável pelo projeto, afirma que o licenciamento segue o rito regular conduzido pela Semace, órgão ambiental do Ceará. A mesma ação cita 120 geradores a diesel, detalhe que entraria no relatório de impactos previsto no compromisso de Antalya, se o Brasil aderir.

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