Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Selic parada, Copom alerta: quando cortar é mais arriscado que manter
Publicado 05/08/2025 • 13:54 | Atualizado há 6 meses
Mais três navios são atingidos no Golfo Pérsico enquanto o Irã alerta para petróleo a US$ 200
Plano de liberação recorde de petróleo indica que guerra no Oriente Médio pode durar meses
Boom e queda das ações de empresas de memória chegam ao fim com avanço da IA
Trump diz que vai usar Reserva Estratégica de petróleo para reduzir custos de energia na guerra contra o Irã
Ford lança nova IA para impulsionar Pro, um negócio comercial bilionário
Publicado 05/08/2025 • 13:54 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
A decisão foi manter a Selic em 15% ao ano. Mas a ata do Copom vai além: confirma que a política monetária seguirá significativamente contracionista por período bastante prolongado. Não é só por prudência. É porque o Brasil, de novo, parece caminhar para o pior dos mundos: uma inflação resistente com uma política fiscal frouxa. E agora, com os Estados Unidos erguendo tarifas, até o externo virou risco inflacionário.
O Comitê não cortou os juros — e não há pressa para isso. A economia mostra sinais mistos: queda no crédito, inadimplência em alta, consumo mais fraco. Mas o mercado de trabalho ainda roda forte, com salários reais acima da produtividade. Essa inflexão de ciclo, com indicadores divergentes, é justamente quando errar custa caro.
Leia mais da coluna de Alberto Ajzental
O Copom quer mais tempo. Mais dados. Mais convicção. As projeções de inflação seguem acima da meta: 4,9% em 2025, 3,6% em 2026 e ainda 3,4% no início de 2027. A meta é 3%. O recado está dado: enquanto as expectativas seguirem desancoradas, os juros não cairão. O Comitê afirma que “seguirá vigilante” e que “não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado”.
A ata é explícita: o esforço fiscal perdeu fôlego. O Comitê fala em “esmorecimento das reformas”, “incerteza sobre a estabilização da dívida” e “aumento de crédito direcionado”. Todos fatores que elevam a taxa de juros neutra — aquela que não aquece nem esfria a economia. Traduzindo: o governo está pressionando a inflação e exigindo uma Selic mais alta para contê-la.
A política monetária opera sozinha. Isso reduz sua potência e aumenta seu custo — mais desemprego, mais crédito caro, menos crescimento. A frase usada é técnica, mas precisa: impactos deletérios sobre a potência da política monetária. O BC está dizendo, com todas as letras, que o fiscal sabota o monetário.
Pela primeira vez desde o início das tensões comerciais com os EUA, o Copom dedica um parágrafo inteiro — o sexto — às tarifas. A avaliação é clara: o impacto setorial já é certo, mas o impacto agregado ainda é incerto, e dependerá da evolução das negociações. O risco não está apenas nos preços, mas na confiança. Tarifas podem pressionar o câmbio, desancorar expectativas e obrigar o BC a manter os juros altos por ainda mais tempo.
Enquanto Brasília encara o tarifaço como palco para retórica política, o BC trata como choque de risco. E responde com mais cautela.
Do lado da demanda, há sinais de desaceleração: concessões de crédito caem, juros sobem, inadimplência aperta. As famílias pagam mais dívidas do que contratam. Mas a outra perna da demanda — o emprego — resiste. O desemprego está em mínimas históricas, e a renda segue em alta real. Resultado: a inflação de serviços, a mais difícil de conter, não cede.
Por isso, os núcleos de inflação continuam elevados. E o BC insiste: será necessário manter os juros altos por mais tempo para reequilibrar oferta e demanda.
A interrupção do ciclo de alta não é sinônimo de conforto. O Comitê segue vigilante. E manda um recado sutil, mas firme: se as expectativas não se ancorarem, se o fiscal não melhorar, se o câmbio disparar, “não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado”.
O Brasil vive um momento de ambiguidade econômica. Mas o BC optou pela clareza. A Selic está em 15%. E continuará assim até que a inflação volte para a meta — ou até que alguém além do Copom comece a fazer sua parte.
—
📌ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
Cidadania italiana vai a julgamento hoje: o que muda para 70 milhões de descendentes no Brasil
2
Raízen: quem ganha e quem perde com a crise da companhia?
3
Bancos pedem urgência em recurso que pode mudar destino da recuperação da Ambipar
4
Relatório aponta distorções bilionárias e crise de liquidez na Patria Investimentos; Fundo nega
5
Indústria farmacêutica deve crescer mais de 10% ao ano no Brasil até 2026 com inovação e políticas públicas