Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Dormir pouco custa caro: como a falta de sono derruba decisões e a saúde
Publicado 11/11/2025 • 22:06 | Atualizado há 2 meses
OpenAI alerta investidores para declarações “absurdas” de Elon Musk; entenda
Cloudflare adquire mercado de dados de inteligência artificial
Juiz anula decisão de Trump, e companhia retomará projeto eólico em Nova York
Morgan Stanley supera estimativas impulsionado por gestão de fortunas; veja os números
Austrália completa um mês de proibição de redes sociais para menores; veja os efeitos da medida
Publicado 11/11/2025 • 22:06 | Atualizado há 2 meses
Falta de sono pode prejudicar o cérebro.
Pexels.
Entre reuniões, relatórios e fusos horários, dormir virou uma variável ajustável. No mundo corporativo, ainda é comum ouvir frases como "durmo pouco, mas produzo muito" - uma distorção moderna que confunde resistência com eficiência. Na prática, a privação de sono reduz o desempenho cognitivo, aumenta erros de julgamento e compromete decisões estratégicas.
Pesquisas publicadas na revista Sleep Medicine Reviews mostram que dormir menos de seis horas por noite, por períodos prolongados, reduz em até 40% a capacidade de foco e planejamento. É como operar um fundo multimilionário com a tela parcialmente embaçada. O cérebro privado de descanso trabalha, mas de forma reativa - com menos discernimento, paciência e visão de longo prazo.
Boa parte dos profissionais de alta performance recorre a estimulantes para manter o ritmo: cafés em sequência, "supercoffees" e pré-treinos empurram o corpo além do limite. À noite, entram em cena ansiolíticos ou hipnóticos para tentar desligar a mente. O resultado é um ciclo de extremos: sedar para descansar, forçar para funcionar.
Esse padrão fragmenta o sono e impede que o cérebro atinja as fases profundas de recuperação. A curto prazo, parece uma solução. A médio prazo, desregula hormônios, acelera o envelhecimento e aumenta o risco de burnout, depressão e doenças cardiovasculares.
Dormir bem não é indulgência; é gestão biológica para alta performance. Durante o sono profundo, o cérebro elimina resíduos metabólicos, consolida memórias e reorganiza redes neurais ligadas à criatividade e ao raciocínio estratégico. Privar-se disso é operar no curto prazo - reativo, impulsivo e propenso a erros.
Empresas do Vale do Silício e fundos de investimento internacionais já entenderam esse impacto. Programas de gestão do sono e de exposição à luz natural fazem parte das rotinas de líderes e equipes, com resultados mensuráveis em produtividade, concentração e estabilidade emocional.
Novas áreas da medicina, como a biofotônica, mostram avanços concretos no tratamento da insônia sem medicamentos. A luz, aplicada em comprimentos de onda específicos, estimula as mitocôndrias - responsáveis pela produção de energia das células - e reprograma o sistema nervoso autônomo, reduzindo a tensão e restaurando o ritmo biológico.
Aliada à neurofisiologia, a fotobiomodulação já é usada em clínicas especializadas para reequilibrar corpo e mente, devolvendo o sono reparador a pacientes que há anos viviam exaustos. É a ciência da luz aplicada ao descanso - e, portanto, ao desempenho.
No mercado, decisões ruins custam caro. Na biologia, custam ainda mais. O cérebro precisa de sono tanto quanto de oxigênio: é à noite que se consolidam a memória, o aprendizado e a autorregulação emocional.
Executivos que dormem bem não apenas pensam com mais clareza - envelhecem mais devagar, decidem melhor e erram menos. O descanso, portanto, não é luxo. É o ativo invisível que sustenta todos os outros.
Dra. Lara Motta CRBM: 631.77 | CRO: 74.516
PhD em Ciências da Saúde - UNIFESP e Professora e Pesquisadora em Medicina Biofotônica da Universidade Nove de Julho
Mais lidas
1
Agibank: bloqueado pelo INSS, banco quer estrear na bolsa americana em 2026
2
Cimed sacode o mercado fitness e estreia nos suplementos com a marca Urso
3
Pedro Batista analisa impacto do ChatGPT Health na medicina personalizada
4
Flamengo: por que o clube ficou fora da Copinha 2026?
5
Após EUA congelar concessão ao Brasil, entenda as diferenças entre os tipos de vistos americanos