Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Black Friday mexe com a cabeça: entenda truques que empurram você a comprar sem pensar
Publicado 19/11/2025 • 08:44 | Atualizado há 2 meses
OpenAI alerta investidores para declarações “absurdas” de Elon Musk; entenda
Cloudflare adquire mercado de dados de inteligência artificial
Juiz anula decisão de Trump, e companhia retomará projeto eólico em Nova York
Morgan Stanley supera estimativas impulsionado por gestão de fortunas; veja os números
Austrália completa um mês de proibição de redes sociais para menores; veja os efeitos da medida
Publicado 19/11/2025 • 08:44 | Atualizado há 2 meses
Paulo Pinto/Agência Brasil
Black Friday tem estratégias especializadas para atrair consumidores
A Black Friday é, sem dúvida, um dos períodos mais esperados do ano e também um dos mais desafiadores para a saúde emocional. Em meio a contagens regressivas, banners piscando e notificações incessantes, é fácil se deixar levar pelo entusiasmo das promoções. O que poucos percebem é que, por trás desse comportamento, há uma complexa reação emocional e neurobiológica que explica por que muitas vezes compramos sem realmente precisar.
Durante essas campanhas, nosso cérebro é exposto a uma combinação poderosa de estímulos. O medo de perder uma oportunidade (o famoso FOMO, do inglês "fear of missing out"), a sensação de urgência e a promessa de recompensa imediata ativam o sistema dopaminérgico, o mesmo envolvido em sensações de prazer e antecipação. Em outras palavras, o simples ato de adicionar um produto ao carrinho já é suficiente para gerar uma sensação de bem-estar momentâneo.
O problema é que essa satisfação costuma durar pouco. Depois da compra, há uma queda natural nos níveis de dopamina, e o cérebro volta a buscar novos estímulos. É por isso que, em muitos casos, o consumo se transforma em um ciclo de repetição: compramos para aliviar a ansiedade e, em seguida, voltamos a nos sentir vazios ou culpados.
Um levantamento recente da Boston Consulting Group (BCG) apontou que 79% dos consumidores, em dez países, pretendem participar das promoções de fim de ano, e quase metade deles (48%) já usou ou pretende usar ferramentas de inteligência artificial para decidir o que comprar. Essa personalização crescente das ofertas reforça gatilhos emocionais e torna o ambiente digital ainda mais desafiador para quem busca manter o controle.
Como psicóloga, costumo dizer que o consumo em si não é o vilão; o problema aparece quando ele se torna um mecanismo para lidar com emoções difíceis, como estresse, tédio, solidão ou carência. Nessas situações, a compra deixa de ser uma escolha consciente e passa a funcionar como um alívio rápido, porém passageiro, para o desconforto emocional.
O primeiro passo para mudar essa relação é reconhecer os gatilhos que disparam o impulso. Pergunte-se: "Estou comprando porque preciso ou porque quero me sentir melhor agora?". Fazer pausas conscientes, respirar fundo e esperar alguns minutos antes de finalizar a compra ajuda o cérebro a sair do modo automático. Planejar o que realmente é necessário e definir um limite de gastos também são estratégias eficazes para reduzir o impacto das promoções.
Leia mais artigos desta coluna aqui
Outra orientação importante é observar seu estado emocional antes de consumir. Quando estamos cansados, sobrecarregados ou emocionalmente fragilizados, tendemos a tomar decisões mais impulsivas. Nessas horas, vale substituir o "clique da recompensa" por pequenas práticas de autocuidado: dar uma caminhada, ouvir música, descansar ou simplesmente se desconectar por alguns minutos.
A ideia não é demonizar o consumo, e sim torná-lo mais consciente. Comprar pode ser prazeroso e saudável quando há intenção, equilíbrio e clareza. A Black Friday, aliás, pode servir como um bom exercício de autoconhecimento: observar o que desperta o impulso, entender de onde vem a necessidade de comprar e aprender a lidar melhor com as próprias emoções.
Em tempos de estímulos constantes, cuidar da mente também é uma forma de proteger o bolso. E, quando percebemos que o consumo se tornou um refúgio emocional recorrente, é importante buscar ajuda profissional, porque, no fim, o verdadeiro equilíbrio não está no que compramos, e sim na maneira como nos relacionamos com o que sentimos.
Andrea Beltran - CRP 06/88088
Psicóloga
--
Mais lidas
1
Agibank: bloqueado pelo INSS, banco quer estrear na bolsa americana em 2026
2
Cimed sacode o mercado fitness e estreia nos suplementos com a marca Urso
3
Pedro Batista analisa impacto do ChatGPT Health na medicina personalizada
4
Flamengo: por que o clube ficou fora da Copinha 2026?
5
Após EUA congelar concessão ao Brasil, entenda as diferenças entre os tipos de vistos americanos