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Banco Master: crise expõe risco que investidores, empresas e até aposentados correm quando ultrapassam limite do FGC
Publicado 18/11/2025 • 12:42 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 18/11/2025 • 12:42 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
Crise do Banco Master pode causar sérios danos a empresas e aposentados
A crise do Banco Master expôs um risco iminente para milhares de investidores que não estão protegidos pelo limite de R$ 250 mil do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central coloca em xeque empresas, fundos e até aposentados que aplicaram recursos em instrumentos sem garantia, como letras financeiras, fundos administrados pela instituição e CDBs acima do limite assegurado pelo FGC.
O caso mais emblemático é o do Rioprevidência, responsável pelo pagamento de mais de 235 mil aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro. O fundo aplicou cerca de R$ 960 milhões em letras financeiras do Banco Master, títulos sem cobertura do FGC e com elevado risco de perda.
Mesmo após alertas, o órgão ainda investiu outros R$ 100 milhões em um fundo de ações concentrado em 96% na Ambipar — empresa em recuperação judicial. Ambos os produtos estavam ligados ao Master, que administrava a carteira.
Segundo relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), técnicos identificaram “graves irregularidades” nas aplicações e alertaram que continuar investindo em instituições de risco poderia transferir integralmente a responsabilidade pelos prejuízos aos gestores do fundo.
Mesmo assim, cerca de 10% do patrimônio do Rioprevidência foi exposto ao Master.
Segundo o Instituto Empresa, todos os credores acima de R$ 250 mil serão todos credores quirografários. Eles vão para o final da fila da massa falida, junto com fornecedores, para tentar recuperar o que der. “A perda provável é enorme“, diz o instituto.
Além dos aposentados, a crise do Banco Master também pode afetar empresas relevantes do varejo. Conforme revelado primeiro pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o Grupo Dia mantinha 66% de seus recursos de curto prazo (R$ 161 milhões) aplicados em um único CDB emitido pelo Bluebank, instituição diretamente ligada ao Banco Master e que também enfrenta problemas de liquidez.
Os títulos vencem em 26 de dezembro de 2025 e remuneram 109% do CDI, mas a segurança do pagamento passou a ser questionada depois que o Bluebank virou alvo de rumores de intervenção.
Para especialistas, a concentração de caixa em um único emissor fragilizado representa um risco corporativo incomum.
No dia 19 de novembro, a assessoria de imprensa do Grupo Dia informou que, em 10 de novembro, o grupo protocolou oficialmente uma petição comunicando que “não possui mais investimentos relacionados ao CBD no Banco Bluebank“.
A especialista em finanças e CFO da SaS Brasil, Adriana Melo, afirma que a crise expôs uma percepção equivocada do investidor sobre risco bancário.
“O FGC cobre produtos simples e dentro do limite. Fundos, CRI, CRA, debêntures, COE e estruturas ‘criativas’ não têm proteção alguma. Muita gente compra risco achando que o FGC é um colete à prova de bala, mas ele só funciona para o varejo conservador, dentro do limite”, diz.
Segundo ela, o impacto pode ser severo para quem aplicou em instrumentos administrados pelo Master, como no caso do Rioprevidência. “Quando fundos de pensão entram em estruturas opacas sem questionar emissor, concentração e lastro, o problema deixa de ser financeiro e passa a ser institucional”, afirma.
A crise, segundo Adriana, também reforça que governança pública falhou: “Esses fundos deveriam ser o filtro mais técnico do mercado. Se até eles entraram em produtos de baixa transparência, há falha grave de governança pública.”
O economista Igor Lucena, CEO da Amero Consulting, destaca que o volume de captação do Master foi um dos grandes fatores que colocaram o sistema em risco.
“O FGC protege até R$ 250 mil. Quem está dentro desse limite deve receber. Mas investidores acima disso correm risco de perda parcial”, afirma.
Ele lembra que o mercado ignorou sinais claros: “Títulos foram vendidos mesmo com baixa credibilidade. Taxas de CDI +30% deveriam acender alertas. Não é razoável uma instituição comprometer metade do FGC com sua emissão de CDBs.”
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Seguir no GoogleLucena reforça que o problema não é regulatório, mas de governança interna: “Não houve falha regulatória. O que faltou foi troca de informações e vigilância interna. A falha foi de compliance dentro do Banco Master.”
E alerta para impactos nos próximos meses: “O maior risco agora é para fundos de pensão e fundos de investimento que compraram produtos sem garantia. Haverá remarcação de ativos e prejuízos distribuídos.”
O episódio reacende o risco fiscal no Rio de Janeiro. No mês passado, a Alerj aprovou a Lei 11.010/2025, que permite ao governo usar receitas de royalties do petróleo do Rioprevidência para pagar dívidas do Tesouro. Servidores temem que a combinação de:
possa comprometer a capacidade de pagamento de aposentadorias e pensões no longo prazo.
Adriana Melo afirma que a crise do Banco Master deve gerar uma reprecificação de risco no mercado bancário.
“Spreads devem abrir no curto prazo, e investidores vão migrar para produtos mais simples. É um efeito higienizador: bons emissores ficam, maus emissores pagam mais caro ou desaparecem.”
Ela também alerta para a postura de parte dos investidores:
“Há um componente incômodo: muitos assumiram risco consciente. Achar que alguns pontos percentuais extras justificam fechar os olhos para ruídos de mercado é pura ganância.”
O caso do Banco Master mostra que emissores frágeis podem provocar danos profundos — especialmente para quem excede o limite do FGC ou investe por meio de fundos e estruturas não cobertas.
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