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Felicidade no trabalho não se impõe: o que empresas precisam mudar já
Publicado 06/10/2026 • 10:00 | Atualizado há 8 horas
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Publicado 06/10/2026 • 10:00 | Atualizado há 8 horas
Magnific
Diante das notícias alarmantes sobre casos de baixa saúde mental, como o burnout, em ambientes organizacionais, às empresas não basta mais promover eventos motivacionais ou se esconder por trás da ciência da felicidade, sem reestruturar posturas organizacionais que adoecem.
Para sanear o caos de baixa saúde mental nas organizações, pesar a mão na positividade da autoajuda organizacional, como no boom do final do século XX, já não funciona, diante do avanço do campo científico da felicidade e da percepção cada vez mais gritante de que processos, cultura e lideranças adoecem empregados.
Ou as empresas assumem parte da responsabilidade e se convencem de que são um dos ativos geradores desse adoecimento, ou seus negócios serão prejudicados com a perda de lucro, diante do aumento de gastos com o cuidado da saúde e da baixa produtividade.
Para um destino melhor nesse cenário, o Governo Federal, com a revisão da NR01, incluiu os fatores psicossociais na equação de exigências no campo da saúde e segurança do trabalho, tornando obrigatórias ações estratégicas, processuais e de saúde por parte das empresas que, se não realizadas, poderão gerar multas e processos judiciais.
Leia também: Automação muda escala, custos e perfil do trabalho na medicina diagnóstica
Não podemos negar, é claro, que a ciência, orientada a verificações funcionais e factíveis sobre temas que elevam a felicidade no ambiente organizacional, deve ser considerada como um caminho viável para a melhoria do bem-estar dos empregados. Até porque desconsiderar os resultados das pesquisas, não só na Psicologia, mas também na Administração, Engenharia de Produção, Neurociência, Direito, Tecnologia, Sociologia, Economia, Antropologia e Medicina, seria um ceticismo afrontoso e sem argumentos.
Como negar os resultados de pesquisas e estudos de caso sobre indicadores de desempenho dos negócios quando a variável é a presença de pessoas felizes no trabalho: 33% maior lucratividade (Gallup); 66% menos afastamentos por doenças (Forbes); 44% maior produtividade (Hay Group); 51% menos turnover (Gallup); e 85% profissionais mais eficientes (Harvard Business Review).
Só que nenhuma empresa vai conseguir melhorar os índices de saúde mental se seu ambiente, líderes e processos continuarem adoecendo as pessoas. Para que o bem-estar seja deflagrado, é preciso eliminar e sanear o que é fonte de prejuízos sociais, emocionais, mentais, econômicos e comportamentais. E isso tem a ver com uma cultura organizacional que adoece, planejamento estratégico desprovido de valor e sentido, metas impossíveis de serem cumpridas, falta de segurança psicológica, precarização de instalações e do trabalho, assédio, discriminação, preconceito e políticas injustas de benefícios e remuneração.
Para iniciar uma conduta organizacional que demonstre a intencionalidade de melhoria da saúde mental dos empregados, é preciso dar alguns passos essenciais.
Diagnosticar o que está deflagrando os casos de baixa saúde mental, pois é preciso eliminar os ativos negativos. Eliminar e punir casos de assédio, discriminação e preconceito. Instituir um programa de longo prazo e sustentável, preferencialmente uma mudança ou uma nova configuração de cultura, pois eventos isolados e pontuais caem na armadilha motivacional de efeito raso e breve. Analisar e adequar o planejamento estratégico, ajustar condutas e metas e eliminar riscos psicossociais, dando atenção à segurança psicológica. Realizar o letramento de colaboradores e líderes sobre o que é e como ter ações de potencialização da felicidade em bases científicas. Mobilizar todas as camadas da empresa em torno do tema, de forma transversal, para que todos estejam engajados no processo.
Unindo ciência da felicidade e uma reconfiguração de processos organizacionais, podemos melhorar os quadros de saúde mental. O psicólogo Daniel Kahneman afirma que: “As pessoas não tomam decisões baseadas no que sabem, mas no que sentem.” E a felicidade, de forma simples, nada mais é do que um processo contínuo de potencialização de sentimentos positivos e manejo funcional dos negativos. Segundo a consultoria Robert Half, 89% das companhias reconhecem que bons resultados estão diretamente ligados à felicidade dos colaboradores. As empresas que entenderem que a felicidade – enfatizada pela Organização Mundial da Saúde como um componente da saúde mental – pode favorecer a melhoria do bem-estar dos empregados serão as que se manterão no mercado de forma sustentável.
Para isso, precisam se responsabilizar por cuidar do que move seus negócios, qualquer que seja a época ou o contexto: o humano.
Andréa Perez
Mestra em Sistemas de Gestão, fundadora e head do Instituto Felicidade Agora é Ciência (IFAC)
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