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Hospitais brasileiros avançam na elite digital e redefinem a gestão na saúde

Publicado 18/03/2026 • 14:01 | Atualizado há 3 horas

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Ir ao hospital e sair carregando vários papéis já foi parte comum do atendimento médico. Receitas, resultados de exames, atestados e até filmes de radiografia circulavam entre pacientes e profissionais em um modelo baseado em registros físicos e processos manuais. Prescrições eram escritas à mão, evoluções clínicas ficavam arquivadas em formulários impressos e sinais vitais em unidades de terapia intensiva eram anotados manualmente pelas equipes de enfermagem. Informações importantes, muitas vezes sigilosas, transitavam entre setores em documentos impressos ou em sistemas que não se comunicavam.

Esse modelo exigia grande volume de trabalho administrativo e dificultava a consolidação rápida de dados para decisões médicas. Em hospitais de grande porte, com centenas de leitos e milhares de atendimentos mensais, a dispersão de registros também comprometia a eficiência da gestão e aumentava o risco de inconsistências na documentação clínica.

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Com a modernização dos serviços de saúde, a papelada hospitalar começou a ser gradualmente substituída por sistemas digitais. O prontuário eletrônico do paciente passou a concentrar registros clínicos em ambiente digital e ampliou o acesso às informações pelas equipes médicas. No Brasil, a adoção já é ampla no setor privado. A pesquisa TIC Saúde 2024, levantamento nacional que mede o uso de Tecnologias da Informação e Comunicação em estabelecimentos de saúde brasileiros, indica que cerca de 92% das instituições privadas utilizam prontuário eletrônico.

Fragmentação de sistemas ainda limita avanço digital nos hospitais

A presença do prontuário eletrônico, porém, não garante integração entre os sistemas hospitalares. Em muitas instituições ele funciona apenas como repositório de dados, enquanto áreas como laboratório, diagnóstico por imagem, farmácia e faturamento operam em plataformas separadas. A ausência de comunicação automática exige transferência manual de informações e dificulta a visualização completa do histórico do paciente.

Paulo Magnus, CEO da MV, empresa brasileira de tecnologia especializada em sistemas de gestão e prontuário eletrônico para hospitais e serviços de saúde, afirma que a fragmentação tecnológica ainda é um dos principais entraves para o avanço da maturidade digital hospitalar. Quando os sistemas não compartilham dados, profissionais precisam recorrer a planilhas, exportação de informações e registros repetitivos. Além de ampliar o trabalho administrativo, a falta de integração limita o uso estratégico das informações clínicas e dificulta o acompanhamento de indicadores assistenciais, eventos adversos e dados operacionais importantes para a gestão.

Superar essa fragmentação é justamente um dos principais objetivos da digitalização hospitalar. Instituições que avançam nesse processo conseguem organizar seus sistemas em uma arquitetura tecnológica integrada, que possibilita a circulação automática de dados entre diferentes áreas. Registros médicos, exames laboratoriais, imagens diagnósticas e parâmetros fisiológicos capturados por equipamentos são incorporados diretamente ao prontuário eletrônico e disponibilizados em tempo real para as equipes assistenciais. Esse grau de integração define o funcionamento de um hospital digital.

No final de 2025, o Hospital Moinhos de Vento alcançou esse patamar ao obter a certificação nível 7 do EMRAM, sigla em inglês para Electronic Medical Record Adoption Model, sistema internacional que avalia a maturidade digital hospitalar desenvolvido pela Healthcare Information and Management Systems Society. O modelo classifica os hospitais em uma escala de zero a sete e considera fatores como integração do prontuário eletrônico, automação de processos clínicos, interoperabilidade entre sistemas, captura automática de dados por equipamentos médicos e uso estruturado de informações para apoiar decisões clínicas e de gestão.

A certificação nível 7 do EMRAM ainda é restrita a um grupo muito seleto de instituições no Brasil e na América Latina. No país, hospitais como a Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP), o Hospital Márcio Cunha, em Minas Gerais, e unidades da rede Unimed, como Recife III e Volta Redonda, também já alcançaram esse patamar. O Hospital Italiano de Buenos Aires, na Argentina, é outro exemplo na região. Apesar dos avanços, o número de organizações com esse nível de maturidade digital ainda é reduzido, o que evidencia os desafios técnicos, operacionais e financeiros envolvidos na integração plena dos sistemas hospitalares.

O nível 7 representa o estágio mais avançado dessa escala e exige processos assistenciais totalmente digitalizados, rastreabilidade das informações clínicas e integração entre os sistemas utilizados no atendimento. Mohamed Parrini, CEO do Hospital Moinhos de Vento, afirma que a consolidação das informações em ambiente digital integrado melhora a organização da assistência e amplia a capacidade de monitoramento dos processos clínicos.

Investimento em infraestrutura digital

A implementação de modelos assistenciais baseados em dados exige investimentos em infraestrutura tecnológica, integração de sistemas e revisão das rotinas hospitalares. No Hospital Moinhos de Vento o processo ganhou escala em 2018, quando a instituição estruturou um programa de transformação digital que mobilizou mais de R$ 5 milhões em tecnologia hospitalar. Os recursos financiaram a digitalização de processos clínicos, a ampliação da infraestrutura de dados e a integração entre diferentes áreas assistenciais.

A modernização também incluiu a atualização do parque tecnológico, a expansão da capacidade de armazenamento e processamento de dados e a adoção de ambientes híbridos de computação em nuvem capazes de garantir estabilidade e disponibilidade contínua dos sistemas hospitalares.

Com essa base tecnológica ampliou-se o nível de integração entre os sistemas utilizados no hospital. A infraestrutura digital da instituição utiliza tecnologia da MV. Em instituições com maior maturidade digital, sistemas clínicos, administrativos e equipamentos médicos operam de forma integrada e permitem que informações circulem com mais fluidez entre os setores.

No Hospital Moinhos de Vento o prontuário eletrônico reúne dados provenientes de laboratórios, centros de diagnóstico por imagem, unidades de internação e farmácia hospitalar. A troca de informações ocorre por meio de padrões internacionais de interoperabilidade, como HL7 e APIs de integração, o que permite o compartilhamento rápido e seguro de dados clínicos.

A integração também alcança equipamentos médicos utilizados na assistência. Em unidades de terapia intensiva, monitores multiparamétricos capturam continuamente sinais fisiológicos dos pacientes e enviam essas informações diretamente para o prontuário eletrônico. Frequência cardíaca, pressão arterial, saturação de oxigênio e temperatura corporal passam a ser registradas automaticamente no sistema clínico. Dependendo da frequência de coleta, um único paciente internado em UTI pode gerar milhares de registros clínicos ao longo de um dia.

O fluxo contínuo de dados também modifica a organização do trabalho hospitalar. A integração entre sistemas reduz tarefas administrativas repetitivas e permite que as equipes assistenciais dediquem mais tempo ao cuidado direto com o paciente. A rastreabilidade das informações clínicas também fortalece mecanismos de segurança assistencial e reduz erros associados à administração de medicamentos e à transcrição manual de dados.

Efeitos da digitalização na gestão e nos custos hospitalares

A digitalização hospitalar também altera a estrutura de custos das instituições de saúde. A substituição de arquivos físicos, a redução de retrabalho administrativo e o acompanhamento de indicadores assistenciais em tempo real contribuem para tornar a gestão hospitalar mais eficiente.

Sistemas de gestão hospitalar desempenham papel estratégico nesse processo. A MV possui mais de cinco mil clientes na América Latina, incluindo 1.540 hospitais no Brasil. Apesar da expansão da digitalização no setor, apenas quatro instituições latino-americanas alcançam atualmente o nível máximo de maturidade digital estabelecido pelo HIMSS.

O crescimento do volume de dados clínicos gerados nas instituições de saúde amplia a necessidade de plataformas capazes de integrar informações assistenciais, administrativas e operacionais em uma mesma arquitetura tecnológica. A organização estruturada desses dados permite acompanhar indicadores clínicos com maior precisão, reduzir retrabalho administrativo e organizar fluxos assistenciais com maior eficiência.

A análise integrada dessas informações também fortalece a segurança do atendimento e contribui para a sustentabilidade econômica das instituições de saúde ao apoiar decisões de gestão baseadas em dados e otimizar o uso de recursos hospitalares.

Cinthya Dávila é editora de saúde da Brazil Health (www.brazilhealth.com)

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