CNBC
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi (à esquerda), tira uma foto em grupo com líderes de empresas de IA, incluindo o CEO da OpenAI, Sam Altman (ao centro), e o CEO da Anthropic, Dario Amodei (à direita), na Cúpula de Impacto da IA, em Nova Délhi, em 19 de fevereiro de 2026.

CNBCGigantes da IA anunciam bilhões na Índia em busca de liderança global

UP MarKet Danni Rudz

Alta-costura na Avenida: a colaboração entre Dolce & Gabbana e Juliana Paes reacende debate sobre o valor da moda brasileira

Publicado 21/02/2026 • 21:00 | Atualizado há 2 horas

Foto de Danni Rudz

Danni Rudz

Danni Rudz é comunicadora, criadora de conteúdo, consultora de diversidade corporal e vivências raciais, palestrante, educadora e especialista em moda inclusiva.  Comentarista especialista no Times Brasil - Licenciado CNBC falando ao vivo de Mercado de Luxo e Lifestyle, todas as 6ª feiras. Membro Forbes BLK.

KEY POINTS

  • A parceria com Juliana Paes representa a entrada formal de uma maison europeia no Carnaval brasileiro e coloca a festa no radar do luxo global como espaço legítimo de criação sofisticada.
  • Mesmo sem o selo oficial de haute couture, os ateliês carnavalescos trabalham com bordados manuais, estruturas escultóricas, cristais importados e processos artesanais intensivos que rivalizam com a moda europeia.
  • A repercussão internacional reforça a necessidade de reconhecer o Carnaval como sistema criativo estruturado, com potencial econômico, cultural e estratégico para reposicionar o Brasil na indústria global da moda.

Reprodução/Instagram/Juliana Paes

Juliana Paes e Dolce&Gabbana

O Carnaval brasileiro ganhou, neste ano, um novo capítulo na relação entre moda e cultura global. A atriz Juliana Paes desfilou na avenida vestindo uma fantasia desenvolvida em colaboração com a maison italiana Dolce & Gabbana, marcando a entrada inédita da grife no maior espetáculo popular do país.

Mais do que um figurino de impacto visual, a participação da marca italiana abriu uma discussão relevante dentro do universo da moda: afinal, o Carnaval brasileiro sempre produziu peças com nível técnico comparável ao da alta-costura internacional, ainda que esse reconhecimento nem sempre tenha sido formalizado.

A fantasia apresentada reuniu elementos clássicos da tradição carnavalesca brasileira, como bordados manuais, aplicações detalhadas, estruturas escultóricas e trabalho artesanal intensivo, características que também definem o universo da couture europeia. Produções desse tipo costumam envolver meses de desenvolvimento e equipes inteiras de artesãos especializados, reforçando o caráter autoral e exclusivo das criações exibidas na avenida.

É importante destacar que o termo haute couture é protegido por legislação francesa e regulamentado pela Chambre Syndicale de la Haute Couture, em Paris. Apenas casas que atendem critérios específicos, como manter ateliê na capital francesa e apresentar coleções oficiais no calendário da moda, podem utilizar legalmente essa denominação.

Ainda assim, a colaboração reacende um ponto central: embora não seja oficialmente classificado como alta-costura, o Carnaval brasileiro representa uma das maiores expressões de artesania de moda do mundo.

O diálogo entre luxo e Carnaval vem se consolidando fortemente. Artistas como Ivete Sangalo e Sabrina Sato também levaram para a avenida criações que incorporam elementos tradicionalmente associados à alta moda e à joalheria internacional. Ivete desfilou com sapatos exclusivos desenvolvidos em parceria com Alexandre Birman e roupas confeccionadas com cristais Swarovski. Sabrina Sato apresentou figurinos cravejados com cristais Swarovski importados da Áustria nos ensaios técnicos dos desfiles. Os episódios evidenciam que o Carnaval brasileiro há tempos opera com materiais, técnicas e níveis de execução comparáveis aos do universo do luxo global, reforçando a avenida como um espaço legítimo de excelência artesanal.

Leia também: JHSF compra palácio histórico em Milão para abrir hotel Fasano no Quadrilátero da Moda

A repercussão internacional do figurino de Juliana Paes evidenciou também um sentimento coletivo nas redes e nos portais especializados: um orgulho renovado e um reconhecimento da capacidade criativa brasileira. Ateliês carnavalescos, frequentemente associados apenas ao entretenimento, passaram a ser observados sob a ótica da excelência técnica e da produção cultural sofisticada.

O episódio reforça a ideia de que o Carnaval pode ser compreendido não apenas como festa popular, mas como um poderoso sistema criativo, capaz de unir moda, identidade, narrativa visual e economia cultural em escala global. Nenhum outro evento reúne simultaneamente milhões de espectadores, impacto estético imediato e produção artesanal em larga escala como a avenida brasileira.

A presença de uma maison europeia também revela uma mudança estratégica no próprio mercado de luxo, que busca cada vez mais conexão com culturas autênticas e experiências reais, expandindo sua atuação para além das passarelas tradicionais.

Diante desse cenário, trago aqui uma questão sobre a necessidade de maior valorização institucional da moda produzida no Carnaval, seja por meio de reconhecimento cultural, incentivo à formação artesanal, profissionalização dos ateliês dentro e fora da avenida, negócios para além do calendário do carnaval ou inserção mais consistente desse universo nos diálogos oficiais da indústria da moda brasileira e global.

A colaboração entre Dolce & Gabbana e Juliana Paes, portanto, ultrapassa o campo estético. Ela coloca em evidência uma pergunta maior: se o mundo começa a reconhecer a sofisticação da moda criada na avenida, talvez seja o momento de o próprio Brasil reposicionar o Carnaval como uma das mais elevantes vitrines de criação e artesania contemporânea, não?!

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Danni Rudz

;