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Da fábrica ao desejo: como a China redefiniu o eixo do consumo global e revolucionou o mercadode luxo

Publicado 14/02/2026 • 17:40 | Atualizado há 1 hora

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Danni Rudz

Danni Rudz é comunicadora, criadora de conteúdo, consultora de diversidade corporal e vivências raciais, palestrante, educadora e especialista em moda inclusiva.  Comentarista especialista no Times Brasil - Licenciado CNBC falando ao vivo de Mercado de Luxo e Lifestyle, todas as 6ª feiras. Membro Forbes BLK.

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Por que gigantes como Adidas, Nike, Gucci e Louis Vuitton lançam coleções exclusivas apenas para vender na China?

A resposta está no tamanho e na sofisticação do mercado.

A China construiu, nas últimas quatro décadas, o maior movimento de ascensão econômica já registrado na história contemporânea. Entre 1980 e 2020, mais de 800 milhões de pessoas saíram da pobreza, segundo dados do Banco Mundial. Nenhum outro país promoveu uma transformação social dessa magnitude em tão pouco tempo.

Hoje, o país abriga mais de 400 milhões de pessoas na classe média, um contingente superior à
população inteira dos Estados Unidos.

Isso muda tudo.

O consumo como símbolo de ascensão

Quando centenas de milhões de pessoas sobem de patamar social quase simultaneamente, o consumo deixa de ser apenas necessidade e passa a ser símbolo.

Roupas, tênis, tecnologia e experiências tornam-se marcadores de conquista.

É nesse contexto que marcas globais entendem que lançar coleções exclusivas para a China não é um gesto cultural pontual, é estratégia de mercado.

A Nike abriu na China uma loja onde os corredores que completam seu treino recebem sopa quente
personalizada, com uma colher da marca.

A Adidas desenvolve coleções inteiras para o Ano Novo Chinês, vendidas somente na China e recentemente viralizou a jaqueta desejo mundial. O ocidente clama por ela.

Gucci e Louis Vuitton criam peças que existem apenas no mercado chinês ou abrem vendas de seus
lançamentos exclusivamente para consumidores chineses em primeira mao.

Não se trata de exotismo.

Trata-se de escala.

O novo orgulho cultural

Durante décadas, a juventude chinesa buscou referências ocidentais como símbolo de modernidade.

Hoje, o movimento se inverte.

E dois principais movimentos de comportamento explicam essa mudança:

  • Guochao (国潮): a “onda nacional”, que valoriza o orgulho cultural aplicado ao consumo.
  • Xin Zhong Shi Feng (新中式风): o “novo estilo chinês”, que mistura tradição com a estética
    contemporânea.

Vestir elementos tradicionais deixou de ser antiquado e virou afirmação de identidade para a juventude
chinesa. E os jovens estao fazendo uma releitura do que é tradicional na cultura chinesa.

Enquanto o Ocidente descobre essa estética e a considera novidade, na China ela já é parte do cotidiano.

É por isso que certas coleções viralizam mais fora do que dentro do país.

O reposicionamento do “Made in China”

Por décadas, “Made in China” foi sinônimo de produção em massa e baixo custo.

Hoje, a narrativa mudou.

A China influencia comportamento, exporta cultura e redefine desejo, alem de ter um parque produtivo
tecnológico e capaz de produzir pecas Hight Quality,

Segundo relatórios da Bain & Company, a China já representa cerca de 20% a 25% do consumo global de
luxo, mesmo com oscilações econômicas, segue como um dos mercados mais estratégicos para o setor.

Além disso, o crescimento médio anual do mercado de luxo na China permanece relevante no longo prazo, sustentado por jovens consumidores urbanos e digitalizados.

O mundo voltou o olhar para a Ásia:

  • Skincare coreano
  • Turismo japonês
  • Beleza chinesa
  • Cultura pop asiática

O que antes era periferia cultural agora ocupa o centro do debate estético global.

A inversão simbólica

Durante décadas:
Ocidente criava.
China produzia.

Hoje:
China cria identidade.
Ocidente consome referência.

O fenômeno não é apenas econômico.
É geopolítico, cultural e simbólico.

A China deixou de ser apenas a fábrica do mundo.

Passou a ser uma das maiores formadoras de desejo contemporâneo.

E no mercado global de luxo, desejo é poder.

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