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O que aprendi no Vale do Silício
Publicado 14/11/2025 • 08:10 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 14/11/2025 • 08:10 | Atualizado há 3 meses
Coolcaesar via Wikimedia
visão aérea do Vale do Silício, visto a partir do norte da cidade de San José.
Na semana passada, vivi algo que só posso descrever como uma travessia entre dois tempos: o nosso presente inquieto — cheio de urgências, dashboards em excesso e reuniões que se empilham — e o futuro que já está em incubação no lado oeste dos Estados Unidos. Um futuro que não faz alarde. Pelo contrário: ele se expressa em gestos pequenos, conversas curtas, protótipos escondidos, laboratórios silenciosos. Por isso mesmo, chamam de Vale do Silêncio — e, depois dessa imersão, entendo perfeitamente o nome.
Durante uma semana, visitei empresas como Visa, Oracle, IBM, Verizon, ElectricFish e o ecossistema da Plug and Play, além de caminhar pelo campus e participar de palestras com professores de Berkeley e Stanford. Tudo isso organizado com uma precisão cirúrgica pela equipe da ANCHAM que estruturou a viagem — planejamento impecável, agenda fluida, encontros relevantes, sem excesso e sem desperdício. Parecia fácil. Não é. Quem já organizou jornadas assim sabe o quanto isso exige método, olhar curatorial e sensibilidade para criar experiências de aprendizagem genuínas.
O mais interessante dessa imersão não foi ver “tecnologia de ponta” — isso, em certa medida, está em todo lugar. O ponto central foi perceber como, ali, a tecnologia deixa de ser fetiche. Ela vira meio, não fim. Ferramenta, não narrativa. Infraestrutura simbólica para a criação de futuros.
Ao entrar na Oracle, na Visa ou na Verizon, notei algo que raramente vejo no Brasil: a ausência de ansiedade. Nada de gente correndo com pranchetas, nada de urgência performada. Os times falam baixo, os ciclos são rápidos, mas o ambiente é calmo.
No Vale do Silêncio, inovação é tratada como consequência natural de três forças subterrâneas:
Não existe aquela obsessão com “lançamentos grandiosos”. Existe, sim, a busca constante por lapidar o que já está sendo testado.
A Oracle e a Verizon foram emblemáticas. Nada ali é “simples” — mas tudo é explicado de forma simples. A tecnologia mais avançada, da infraestrutura às aplicações de IA, é articulada como algo que serve à vida real: segurança, escala, velocidade, conectividade e ética.
A simplicidade, descobri, não é ausência de complexidade. É domínio dela.
Berkeley e Stanford reforçam isso: os alunos não aprendem inteligência artificial como um bloco monolítico, e sim como uma constelação de problemas que podem ser destrinchados, agrupados e resolvidos. A complexidade vira vocabulário cotidiano.
Talvez este seja um dos maiores aprendizados para as empresas brasileiras: não é possível liderar o novo mundo com medo da complexidade. Ela precisa ser atravessada, não evitada.
Nenhum símbolo é mais forte do que a visita à Plug and Play. Ali, a inovação está concentrada
em salas apertadas, pitches despretensiosos e conversas rápidas entre fundadores que ainda não têm todas as respostas — e não fingem que têm.
É ali, no improviso qualificado, que vemos nascer:
E, nesse cenário, a ElectricFish foi um dos encontros mais marcantes. Uma startup que está reimaginando infraestrutura energética com a agilidade de quem enxerga o futuro pela lente da urgência climática. Não é apenas tecnologia de carregamento rápido: é uma nova arquitetura para lidar com picos de consumo, escassez e armazenamento inteligente. Uma prova viva de que as transformações mais profundas muitas vezes começam em laboratórios discretos, mas com ambição de impacto global.
Voltei lembrando que grandes corporações muitas vezes desperdiçam milhões tentando reproduzir laboratórios que, no fundo, precisavam estar apenas menos engessados. É a garagem mental que faz falta — não o orçamento.
Se eu tivesse que escolher um único traço cultural para importar ao Brasil, seria este: errar sem espetáculo.
No Vale do Silêncio, falhar é parte do caminho — não é manchete, não é tabu, não é vergonha. É apenas dado.
As conversas na Oracle, na Verizon e nas startups tinham a mesma qualidade de maturidade: ninguém fala de inovação como bravata, ninguém promete resultados impossíveis, ninguém tenta parecer mais brilhante do que realmente é.
A clareza vence a vaidade. O método vence o improviso. O aprendizado vence o ego.
Saí do Vale do Silêncio com uma conclusão incômoda, porém necessária: o Brasil não precisa copiar o Vale. Isso seria impossível — e infantil. Mas precisamos, urgentemente, fazer três movimentos:
O Vale do Silêncio ensina que o futuro emerge quando nos permitimos trabalhar com menos barulho e mais consequência.
A organização impecável da viagem pela ANCHAM é, por si só, uma lição de liderança. O que funcionou não foi apenas a logística, mas a curadoria: cada encontro tinha propósito, cada conversa adicionava camadas, cada visita ampliava horizontes.
Assim também deveriam funcionar nossas empresas: com clareza, ritmo, propósito e espaço para reflexão.
No fim, o Vale do Silêncio não é um lugar. É um estado de consciência.
Um lembrete de que o futuro não se constrói no ruído — mas na coragem silenciosa de fazer o que precisa ser feito.
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