CNBC

CNBCSamsung investirá R$ 5,2 bilhões em empresa de infraestrutura de IA

Raphael Coraccini

Fabricantes de iates de luxo temem que compradores voltem a cancelar compras caso Lula seja reeleito

Publicado 28/09/2026 • 22:44 | Atualizado há 4 horas

Foto de Raphael Coraccini

Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

Fabricantes de embarcações de luxo dizem que uma eventual reeleição de Lula tem causado novas ameaças de cancelamento de compras. Nas eleições de 2022, compradores de iates chegaram a colocar nos contratos a possibilidade de cancelar a aquisição caso Lula fosse eleito. Segundo relatos do setor, isso efetivamente aconteceu.

Após a vitória de Lula na última eleição, alguns contratos foram cancelados, inclusive em situações nas quais o comprador já havia pago uma entrada. Como havia previsão contratual para a desistência, as empresas aceitaram o cancelamento e fizeram o ressarcimento previsto. Isso poderia voltar a acontecer.

Alguns compradores brasileiros colocam cláusula política no contrato. No entanto, esse movimento não representa uma característica do consumidor estrangeiro. Este não condiciona a compra a resultados eleitorais, segundo a apuração desta coluna. No mercado externo, a decisão tende a ser mais objetiva. O comprador olha para o produto, características, qualidade, preço e condições comerciais.

Isso cria uma situação particular para os fabricantes brasileiros. Parte das decisões de compra depende de fatores que estão completamente fora do controle de quem produz as embarcações. O empresário pode ter o produto, a capacidade de entrega e um comprador disposto a fechar negócio, mas ainda assim o fabricante fica exposto a uma mudança de cenário político capaz de alterar a disposição do cliente.

Mercado vê culpa em Lula por tarifaço

Entre empresários, fabricantes e outros participantes do setor náutico, existe também agentes, a avaliação é que o governo Lula teve participação no agravamento das relações com o presidente americano Donald Trump e, consequentemente, na elevação das tarifas que atingiram produtos brasileiros, incluindo embarcações. E mais do que isso, existe a esperança de que Flávio Bolsonaro reverta esse cenário. Tem ainda a percepção de que as ações de Eduardo Bolsonaro ao defender as tarifas e de Flávio em não garantir a derruba não foram decisivas para implementação e manutenção das novas tarifas.

O setor náutico brasileiro chegou a enfrentar uma alíquota de 50% no auge da crise comercial. Depois, houve uma redução, mas a tarifa permanece em 35%, patamar muito superior ao que vigorava antes das medidas adotadas pelo governo Trump. Para empresários do segmento, portanto, a política externa e a relação pessoal entre os presidentes passaram a ter impacto direto sobre os negócios.

A expectativa manifestada pelos empresários do setor é de que, caso Flávio Bolsonaro chegue ao Palácio do Planalto, tenha melhores condições de diálogo com o governo americano e consiga negociar uma redução das tarifas que hoje pesam sobre o setor. Não necessariamente, na visão desses interlocutores, seria possível retornar imediatamente aos níveis anteriores à crise, mas existe a percepção de que uma tarifa de 35% dificilmente seria mantida em um eventual governo do filho de Jair Bolsonaro.

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Raphael Coraccini