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Arena de combate contra super-ricos, Texas sintetiza derrota de Trump e mal-estar com big techs
Publicado 04/11/2026 • 14:55 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 04/11/2026 • 14:55 | Atualizado há 1 hora
Foto: reprodução
A eleição de James Talarico para o Senado americano pelo Texas durante as midterms, encerrando um jejum de 38 anos sem vitórias democratas no estado, revela mais do que uma batalha entre os dois principais partidos dos Estados Unidos. Expõe um confronto entre uma liderança política em ascensão e dois dos maiores símbolos das elites política e econômica global: Donald Trump e Elon Musk.
Musk destinou pelo menos US$ 474 milhões ao financiamento de grupos políticos e candidaturas nas eleições de meio de mandato deste ano. Desse montante, aproximadamente US$ 224 milhões tiveram como destino o Texas, estado onde Talarico ganhou projeção no bojo do descontentamento com a dupla Trump-Musk. Trump, que havia conquistado uma vitória confortável no Texas em 2024, com mais de 56% dos votos, viu sua popularidade desidratar em um reduto tipicamente republicano. O Texas é também um dos principais centros de operações da Tesla e da SpaceX, empresas de Musk.
Em seu discurso de vitória, o senador democrata eleito defendeu a retirada da influência do grande capital sobre a política americana, afirmando que nenhum bilionário ou trilionário (se referindo, evidentemente, a Musk, o primeiro do mundo a ocupar essa classe) deveria poder comprar eleições. Também pediu mudanças em um sistema econômico que, segundo ele, beneficia apenas o 1% mais rico da população.
O Texas também tem recebido investimentos expressivos na expansão de data centers, que sustentam o avanço da inteligência artificial. Esse tipo de iniciativa tem enfrentado contestações por serem uma espécie de floresta de pinheiros: bonita, vistosa, mas que não produz vida. Os data centers exigem grandes espaços físicos, consomem muita energia e água, mas não geram emprego, renda ou desenvolvimento econômico como as atividades econômicas tradicionais fizeram no passado.
Empresas de tecnologia alcançam valores de mercado extraordinários, enquanto investimentos bilionários em infraestrutura digital se tornam um dos principais motores da expansão econômica dos EUA. Mas existe uma contradição cada vez mais evidente. O crescimento da economia americana não tem sido percebido por parcelas importantes da população como uma melhora proporcional em suas condições de vida.
Um estudo de Jason Furman, da Universidade de Harvard, apontou que boa parte do crescimento do PIB americano esteve relacionada a investimentos em equipamentos de processamento de informações e softwares. No primeiro semestre de 2025, assim que Trump assumiu e quando Musk ainda estava no governo, esse tipo de investimento respondeu por aproximadamente 92% do crescimento da economia dos EUA.
Esse avanço da economia sustentado pelas big techs deixou muita gente de fora. Outro estudo, do Economy Policy Institute (EPI) "as escolhas das políticas públicas levaram diretamente a um acentuado distanciamento entre a produtividade e a remuneração dos trabalhadores típicos". Verdade seja dita, esse descasamento acontece desde os anos 1970, mas agora ele fica mais evidente, principalmente diante da simbiose entre governo e big techs promovida por Trump e os executivos dessas grandes empresas.
Quando Trump tomou posse, em janeiro de 2025, a presença de alguns dos principais executivos do setor tecnológico na cerimônia simbolizou a aproximação entre a nova administração republicana e o poder econômico das big techs. Musk, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e outras figuras centrais da economia digital passaram a representar, naquela imagem, uma aliança entre o poder político de Washington e o poder financeiro do Vale do Silício.
O que naquele momento poderia ser apresentado como demonstração de força e prestígio tornou-se, menos de dois anos depois, um passivo eleitoral para Trump. O resultado das eleições de meio de mandato sugere que parte importante do eleitorado passou a questionar não apenas quem governa os Estados Unidos, mas também quem se apropria dos frutos da sua prosperidade.
Os foguetes da SpaceX avançam em direção ao espaço, tentando simbolizar o retorno à Great America. Mas diferentemente dos anos 50 e 60, da época da corrida espacial, os milhões de americanos em terra firme sofrem com a estagnação da renda e o aumento acelerado do custo de vida. Para os americanos, o progresso, como escreveu Zygmunt Bauman, tem significado a sensação de ser chutado para fora de um trem em aceleração. Ou de um foguete espacial.
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