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Raphael Coraccini

Banco Central ignora o próprio objetivo e se esforça para manter Brasil com juros mais altos do planeta

Publicado 04/11/2026 • 20:45 | Atualizado há 54 minutos

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

Fachada Banco Central

Acervo Estadão Conteúdo

Está definido por lei que o Banco Central tem como objetivo próprio manter a inflação sob controle. Os indicadores mostram que a inflação brasileira está controlada, a 4,62% nos últimos 12 meses, e caminha em direção à meta. Mas o BC esqueceu sua missão e tem mantido o Brasil com o maior juro real do mundo mesmo com preços controlados. Nesta quarta, manteve a Selic a 13,75%.

Já em 2025, o Brasil havia fechado o ano dentro da meta de inflação (4,26%). E os juros eram exorbitantes (15%). E o país tem, em 2026, indicadores econômicos igualmente saudáveis. Mesmo com uma economia equilibrada e preços controlados, mantemos mais uma vez o posto de juro real mais alto do planeta (alternando com uma economia em guerra — como Rússia — e outra com sérias disfunções — como Turquia).

Assim como em 2025, no ano atual, o mercado fez projeções calamitosas sobre o Brasil. E errou. Esse Brasil arruinado não se materializou nem no ano passado nem agora.

As projeções para crescimento, inflação e câmbio precisaram ser revistas à luz dos indicadores efetivos. Mas as expectativas para os juros, que haviam subido diante daquele cenário pessimista, não retornaram aos patamares anteriores. Ou seja, o pessimismo criou uma ficção que exigia juros mais altos. A ficção não virou realidade, mas as projeções para os juros não só se mantiveram como foram tornadas reais pelo BC de Gabriel Galípolo.

Analistas têm o direito de formular suas expectativas, mesmo quando elas se mostram equivocadas. O impressionante é observar o Banco Central seguir as projeções do mercado como se fossem fatos. O mercado projeta e o Banco Central faz a mágica acontecer. É a profecia autorrealizável.

Sem respeitar seu objetivo fundamental, o BC desconsidera ainda que os preços estão controlados mesmo diante de fatores exógenos como guerras e disparada do preço do petróleo, ruptura de cadeias internacionais de suprimentos e choques externos de oferta. Além de questões outras alheias à oferta de crédito, como quebra de safras.

O Banco Central precisa dar verdadeiras cambalhotas argumentativas para explicar por que, mesmo diante de uma inflação controlada, mantém o Brasil entre os países com os juros reais mais elevados do mundo.

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