CNBC

CNBCIrã anuncia “novo plano operacional” caso os EUA retomem os ataques, enquanto navios relatam ofensivas

Raphael Coraccini

DECISÃO 2026: Mercado teme vitória de Lula e indicador de risco do dólar dispara às máximas

Publicado 18/10/2026 • 20:08 | Atualizado há 44 minutos

Foto de Raphael Coraccini

Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

Lula

Foto; AFP

DECISÃO 2026 veja onde Lula perdeu votos no 1º turno

Os contratos que visam proteger o investidor de uma alta inesperada e expressiva do dólar dispararam neste fim de semana. A explicação é um aumento das chances de vitória de Lula no segundo turno.

A movimentação atual só pode ser explicada pela proximidade ideológica dos grandes donos do dinheiro com Flávio Bolsonaro e rejeição ainda mais emocionada a Lula. Antes da campanha eleitoral, os contratos de proteção contra a alta do dólar ante o real estavam nas mínimas dos últimos anos. Agora, passaram às máximas dos últimos 15 anos.

O índice de risk reversal do real (que mostra a relação entre contratos compra e venda de dólar no mercado futuro) saltou para 7,8 pontos agora. Em setembro chegou a estar perto de 1 ponto.

Desde que Lula assumiu, em 2023, o comportamento do índice se manteve estável. Com a aproximação da eleição e a chance de reeleição de Lula, o índice quase duplicou com relação à máxima desde 2023 (início do governo Lula) e ultrapassou inclusive o patamar de risco dos tempos de pandemia.

Máxima do risk reversal do real por período

2020: 6,5
2021: 3,5
2022: 3
2023: 3
2024: 3
2025: 3,5
2026: (pré-campanha eleitoral): 4,5
2026 (campanha eleitoral): 8

Os números são aproximados e baseados na máxima de cada período

Risco do real se manteve estável com Lula governante

É como se Lula governante fosse um e Lula candidato, outro. Enquanto o atual presidente esteve apenas governando, o mercado não enxergou risco de disparada do dólar. Agora, tudo mudou. Os investidores enxergam risco duas a três vezes maior de disparada do dólar que o registrado ao longo do mandato como um todo.

Por outro lado, houve uma redução acentuada do risk reversal do real após a vitória de Flávio Bolsonaro no dia 4 de outubro, quando o índice caiu a 1. Traduzindo: o mercado avalia que se Flávio Bolsonaro ganhar, o real irá se fortalecer, e de maneira relevante.

Mas na última semana os números voltaram a indicar a possibilidade de depreciação acentuada do real diante da possibilidade crescente de Lula vencer.

Aumentam as apostas em uma virada

No fim da semana passada, o Polymarket, uma plataforma de predição utilizada por representantes do mercado financeiro para balizar suas decisões, já havia identificado que as chances de vitória de Lula dobraram. Flávio Bolsonaro ainda mantinha amplo favoritismo, com 70% de probabilidade de vitória, mas as chances de Lula passaram de cerca de 10% para algo perto de 20%.

A probabilidade maior de vitória de Lula foi impulsionada por motivos variados, como campanhas na rua, nas redes e medidas governamentais relacionadas à ampliação dos limites do MEI, à possibilidade de investimento público de R$ 5 mil em microempreendedores individuais, fim da jornada seis por um, aumento do Bolsa Família e a promessa de isenção da tarifa de transporte público nos fins de semana em todo o Brasil.

Todas essas bandeiras fizeram com que o mercado registrasse uma apreensão gradual no mercado, que contribui para, na última semana, a bolsa devolver parte dos ganhos expressivos registrados logo após a eleição de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, na segunda-feira, 5 de outubro, quando o principal índice da Bolsa bateu sua máxima histórica, tanto em termos nominais quanto reais.

O dólar também teve um comportamento curioso: caiu abaixo de R$ 5 e agora passa a se valorizar, batendo R$ 5,07 no fechamento da sexta. E com chances de novas valorizações expressivas nos próximos dias se a competitividade de Lula aumentar.

Ainda que as promessas de campanha de Flávio Bolsonaro em relação à política fiscal não estejam muito claras, o mercado enxerga no candidato do PL a figura que melhor atende às suas ambições relacionadas ao controle dos gastos sociais no país.

O avanço de Lula na última semana fez com que o mercado enxergasse que talvez essa agenda de arrocho em gastos sociais não esteja tão perto de ser implementada quanto se imaginava depois da euforia do primeiro turno.

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Raphael Coraccini