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Raphael Coraccini

Profecia de Stuhlberg está encaminhada e disparada da bolsa também reflete interesse no exterior por ativos brasileiros

Publicado 05/10/2026 • 20:45 | Atualizado há 1 hora

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

Parece que a profecia de Luiz Stuhlberger vai se concretizar. Um dos investidores mais ouvidos da Faria Lima e gestor do Fundo Verde disse, no final de setembro, que as chances de vitória de Flávio Bolsonaro eram de 60%. Mais do que isso, ele projetou uma alta de 30% para a bolsa de valores no caso de vitória de Flávio Bolsonaro. Quase um terço dessa alta já se consolidou agora, após a vitória no primeiro turno.

Apesar da pouca diferença entre Flávio e Lula — dois pontos percentuais —, nunca houve uma virada no segundo turno de uma eleição presidencial no período pós-ditadura. E o mercado precificou tudo. A bolsa de valores subiu quase 8%, atingindo um recorde nominal, aos 206 mil pontos, e também um recorde real, considerando o resultado nominal descontado pelo IPCA.

Os números mostram que a alta também engloba investidores estrangeiros. O ETF de ações brasileiras negociado na bolsa do Japão fechou com alta de mais de 8%. Em dólar, o desempenho do Ibovespa é ainda mais impressionante: o EWZ, ETF que acompanha ações brasileiras negociado em Nova York, teve valorização de mais de 12%. Isso porque o real também se valorizou mais de 4%, com o câmbio fechando em R$ 5.

Juros desabam quase 10%

A alta da bolsa também foi acompanhada pela queda dos juros futuros ao longo de toda a curva. E não foi qualquer queda. Os juros para outubro de 2030 caíram 9%. Mesmo os vencimentos mais longos — que embutem riscos maiores — apresentaram queda vertiginosa.

Com isso, as ações ligadas ao consumo interno ajudaram a impulsionar a bolsa. O Magazine Luiza, que vinha sofrendo com o nível elevado dos juros, disparou 24%, liderando os ganhos do Ibovespa. Outras empresas relacionadas à economia doméstica também saltaram, como Localiza (RENT3), Vamos (VAMO3), C&A (CEAB3) e Lojas Renner (LREN3). Todas registraram valorização superior a 18%.

As empresas com participação estatal também subiram com vigor. Destaques para Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3). A petroleira avançou mais de 8%, aos R$ 55, mesmo com a queda de 1,9% do petróleo, diante da perspectiva de mudança na política de precificação de combustíveis, com um possível retorno à paridade internacional, e de aumento no pagamento de dividendos.

O Banco do Brasil é um caso à parte. O banco de controle estatal avançou 11,5%, com o mercado precificando o aumento da possibilidade de privatização após a vitória de Flávio no primeiro turno. Daniella Marques, economista que pode vir a ocupar o cargo de ministra da Economia caso Flávio vença, havia colocado o nome do banco na lista de empresas passíveis de serem vendidas.

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