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De quem é a culpa da crise dos COEs de Ambipar e Braskem?
Publicado 08/10/2025 • 11:20 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 08/10/2025 • 11:20 | Atualizado há 8 meses
Foto: Unsplash.
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A liquidação de títulos da Ambipar e Braskem fez com que portais como o Reclame Aqui recebessem uma enxurrada de reclamações de investidores que perderam fortunas com o vencimento antecipado dos Certificados de Operações Estruturadas (COE).
Não é para menos. O prejuízo para os investidores que aplicaram dinheiro nos títulos da Ambipar, que oferecia retorno em CDI + 4,9% a.a., é de 93%. Nos títulos da Braskem, que prometiam rendimento de IPCA + 9,5% a.a., as perdas giram em torno de 70%.
Vale a explicação sobre o ocorrido. Os títulos em questão eram Certificados de Operações Estruturadas (COE). Esse tipo de investimento, que é relativamente novo e pouco conhecido no mercado financeiro brasileiro, combina renda fixa e derivativos.
O problema é que há um risco embutido: se os títulos se desvalorizarem em um determinado patamar – no caso, 50% do valor da emissão –, o COE é encerrado e os títulos são vendidos a preço de mercado. O investidor fica de mãos atadas.
A alegação de parte dos investidores é de que os COEs estavam sendo vendidos pelos bancos emissores como um produto de risco “moderado”. A proteção do capital investido (nominal) estava prevista em contrato — desde que os títulos não desvalorizassem abaixo de 50%.
Os bonds da Ambipar estão sendo negociados a 13% do valor de emissão. Os bonds da Braskem, num percentual de 20%. O limite foi ultrapassado e a proteção prevista em contrato foi inviabilizada.
Há de ser investigada a comunicação entre corretores e clientes. Não é incomum o recebimento de mensagens com ofertas de investimentos que parecem ter retornos atrativos. Vale lembrar: corretores ganham comissão pelos produtos vendidos.
Mas pouco – ou quase nada – se fala nessas curtas mensagens por WhatsApp e e-mails sobre os riscos atrelados a essas alocações de capital. A mensagem, não raramente, é vaga e foca muito mais no retorno (que não é garantido) do que no risco.
Ainda assim, é improvável que os bancos emissores sejam responsabilizados integralmente pelas perdas. Isso porque o investidor precisa aceitar um contrato – que descreve todos os riscos e detalhes minuciosos de cada operação – para que o dinheiro seja investido.
Os bancos, no entanto, não sairão ilesos. XP e BTG Pactual, descritos como os principais envolvidos neste caso, podem perder credibilidade no mercado. Isso abre espaço para outras casas de investimento aumentarem sua clientela.
A culpa das empresas pela crise dos COEs está na administração de seus próprios negócios. Há potenciais pedidos de recuperação judicial no radar de Braskem e Ambipar.
Para o investidor, fica a lição: as letras miúdas importam e é necessário saber exatamente onde está sendo investido o dinheiro.
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