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Cripto Brasil analisa a disputa entre bancos tradicionais e stablecoins pelo futuro das remessas internacionais

Publicado 28/01/2026 • 22:28 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Países como Singapura e Hong Kong já utilizam moedas estáveis como infraestrutura prática para e-commerce e turismo, movimentando volumes financeiros que rivalizam com grandes potências globais.
  • As instituições financeiras deixaram de apenas proibir o setor para tentar absorver a tecnologia, integrando ETFs e custódia de criptoativos em seus próprios sistemas para não perderem espaço regulatório.
  • Com as novas resoluções do Banco Central, as stablecoins foram integradas ao mercado de câmbio nacional, oferecendo segurança jurídica para empresas usarem blockchain em pagamentos internacionais e tesouraria.

O mercado global de criptoativos vive um momento de transição, deixando de ser visto apenas como um veículo de especulação para se tornar uma ferramenta essencial de infraestrutura financeira.

Durante o programa Cripto Brasil, especialistas destacaram como a Ásia, especialmente países como Singapura e Hong Kong, já utiliza as stablecoins (moedas estáveis pareadas ao dólar) para pagamentos cotidianos e remessas internacionais de baixo custo.

“Stablecoins são uma maneira de poder enviar dólares de forma contínua e segura para qualquer lugar do mundo, 24/7, tão fácil quanto enviar um e-mail”, destacou a reportagem.

No Paquistão e em outras economias asiáticas, a adoção escalou rapidamente após reguladores colocarem a criptoeconomia no centro da política monetária.

Enquanto países como a Índia receberam US$ 129 bilhões (aproximadamente R$ 672 bilhões, na cotação atual) em remessas em 2024, cidades-estado como Singapura já movimentam volumes de stablecoins comparáveis aos dos Estados Unidos, integrando esses ativos em marcas de moda e redes de hotéis de luxo.

A reação dos bancos tradicionais a esse movimento tem sido estratégica. Inicialmente, as instituições tentaram restringir o acesso do setor às contas bancárias, mas agora buscam absorver o mercado.

Hoje, grandes bancos brasileiros já oferecem exposição direta a Bitcoin e ETFs, tentando garantir que a infraestrutura desses novos serviços financeiros permaneça sob seu domínio regulatório.

“A primeira iniciativa que os bancos estão fazendo agora é trazer esse mercado para dentro deles… existe uma briga regulatória para que esses serviços fiquem restritos aos bancos”, explicou Rodrigo Batista.

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Diferente da Ásia, onde o fluxo comercial domina, na América do Sul a adoção de stablecoins é impulsionada pela busca de proteção contra moedas locais fracas e inflação.

Em países como Argentina e Bolívia, o uso desses ativos digitais funciona como uma substituição imediata ao dinheiro soberano, permitindo que a população preserve seu poder de compra em dólares digitais.

Caio Barbosa, CEO da Lumix, reforçou que o ano de 2025 foi um marco para a clareza jurídica, citando as novas resoluções do Banco Central do Brasil (519, 520 e 521).

Essas normas integraram as stablecoins ao mercado de câmbio brasileiro, criando a figura das prestadoras de serviços de ativos virtuais e oferecendo a segurança necessária para que empresas utilizem blockchain em suas tesourarias.

“O mercado percebeu que isso aqui não é especulação… é algo que eu posso usar como uma ferramenta, como uma tecnologia para executar mais pagamentos”, afirmou Caio Barbosa.

O desfecho mais provável para o setor é a “invisibilidade” da tecnologia: no futuro, usuários realizarão transações globais instantâneas sem sequer notar que o sistema por trás da operação é alimentado por uma stablecoin.

Com a regulação avançando globalmente, o paradigma da dependência total do sistema bancário tradicional e do dólar físico começa a ser desafiado por um ambiente nativamente digital.

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