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“O mercado financeiro está obsoleto”: CFO da Tokeniza analisa momento do Bitcoin

Publicado 06/02/2026 • 16:59 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O mercado de criptomoedas vive um momento de reajuste severo após a euforia que levou o Bitcoin aos US$ 126 mil no final de 2025.
  • Em entrevista ao Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC, Mychel Mendes, CFO da Tokeniza, afirmou a queda recente, que testou patamares próximos aos US$ 60 mil, não foi uma surpresa para quem observa o gráfico de longo prazo.
  • Segundo o executivo, o "flash crash" de 10 de outubro e a volatilidade subsequente foram alimentados por uma combinação de fatores macroeconômicos e técnicos.

O mercado de criptomoedas vive um momento de reajuste severo após a euforia que levou o Bitcoin aos US$ 126 mil no final de 2025. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Mychel Mendes, CFO da Tokeniza, afirmou a queda recente, que testou patamares próximos aos US$ 60 mil, não foi uma surpresa para quem observa o gráfico de longo prazo.

Mendes explica que o ativo buscou uma região de memória técnica crucial: “O topo anterior do Bitcoin era os US$ 69 mil. Então a tendência natural é que ele caísse e ficasse numa região. Como esse valor foi uma resistência no passado, ele é um sinal muito fácil de ser visto por analistas, já está todo mundo esperando com ordens de compra”.

Segundo o executivo, o “flash crash” de 10 de outubro e a volatilidade subsequente foram alimentados por uma combinação de fatores macroeconômicos e técnicos. A mudança na diretoria do Fed, a valorização do ouro e a saída de investidores de ETFs de Bitcoin criaram a “tempestade perfeita”.

Mendes destaca ainda que o mercado puniu o excesso de otimismo: “O Bitcoin tinha uma alavancagem muito grande para a alta. Normalmente o mercado vem buscar essa liquidação, que aconteceu em massa e muita gente foi liquidada nesses dois últimos dias”.

A falha da “obviedade” e o papel do governo americano

Mendes recorreu aos conceitos de Ray Dalio para explicar por que o ciclo de alta não seguiu o roteiro esperado por muitos entusiastas. Ele afirma que a entrada massiva de capital institucional e governamental, amplamente aguardada, não se materializou como o previsto.

“Quando o mercado fica óbvio, não vai acontecer a obviedade. Todo mundo estava esperando a mesma coisa, todo mundo se posicionou, aí não aconteceu. Teve uma combinação que não era esperada: a economia americana olhou muito mais para eles mesmos do que para fomentar o mercado”, analisou o CFO.

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O esperado anúncio de reservas estratégicas em Bitcoin pelo governo dos EUA, que muitos acreditavam ser iminente após o posicionamento de figuras ligadas à Trump Media e outras grandes corporações, acabou perdendo força diante da manutenção de juros altos e da prioridade em reduzir o preço do dólar para o mercado interno. Para Mendes, essa cautela institucional é um movimento natural: “O institucional, o Banco Central, os países, ninguém quer essa volatilidade. Eles querem algo mais consistente, como é o S&P 500 ou o ouro”.

O futuro: descentralização e tecnologia

Apesar da retração, o CFO da Tokeniza enxerga a obsolescência do sistema bancário tradicional como o principal motor para a adoção futura do Bitcoin. Ele argumenta que a velocidade das transações cripto e a integração com a Inteligência Artificial tornam o modelo atual lento e ineficiente. No entanto, ele pondera que essa transição será gradual, assim como foi o fim do padrão ouro.

“O mercado financeiro está muito obsoleto. Há transações no mundo inteiro, entre países, entre moedas, numa velocidade muito rápida, imediata, enquanto no mercado financeiro isso está travado. O mercado cripto está em $2 trilhões hoje. Vai mudar, mas acho que isso vai ser gradual”, afirmou Mendes.

Mendes ainda previu que o Bitcoin deve permanecer algum tempo na região de estabilização antes de ensaiar novas altas. “Na minha opinião, ele está testando um fundo e tende a subir nos próximos meses, apesar de achar que ainda demora nessa região, que é um padrão já conhecido”, concluiu.

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