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DECISÃO 2026: Comitê da Meta cobra transparência após falhas em contas de Lula na eleição
Publicado 20/10/2026 • 22:03 | Atualizado há 46 minutos
Publicado 20/10/2026 • 22:03 | Atualizado há 46 minutos
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Foto: Creative Commons
O Comitê de Supervisão da Meta afirmou nesta terça-feira (20) que a empresa precisa ampliar a transparência de suas decisões de moderação durante eleições, após falhas que atingiram contas relacionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Brasil e ativistas políticos nos Estados Unidos.
Em comunicado, o órgão independente apontou que restrições técnicas a contas de um candidato à Presidência brasileira provocaram alegações de interferência eleitoral. O conselho também identificou aplicação excessiva das políticas de combate a fraudes da Meta sobre contas de anúncios de Lula.
Para os integrantes do comitê, o episódio envolvendo os anúncios do presidente representa uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de revisores especializados. A cobrança faz parte de um alerta sobre a necessidade de proteger manifestações políticas em períodos de disputa eleitoral.
Leia também: Meta admite restrições que prejudicaram contas de Lula no Instagram e falhas em recomendações de Flávio Bolsonaro
O posicionamento também menciona a retirada de contas ligadas ao movimento No Kings, nos Estados Unidos, durante protestos realizados antes das eleições legislativas de meio de mandato. Segundo o conselho, mecanismos destinados a evitar erros deveriam ter identificado o problema.
O comitê questionou por que os procedimentos de proteção à integridade eleitoral não permitiram uma solução mais rápida e por que essas contas não foram incluídas no programa cross-check, que prevê revisão humana de decisões potencialmente prejudiciais à participação cívica.
Na avaliação do órgão, a moderação inadequada pode produzir dois problemas distintos: remover indevidamente manifestações políticas legítimas ou deixar de agir contra conteúdos capazes de comprometer a integridade das eleições.
Leia também: Meta nega interferência nas eleições e diz aplicar as mesmas regras a todos os candidatos
O conselho retomou recomendações feitas após as eleições presidenciais brasileiras de outubro de 2022. Na ocasião, pediu à Meta a criação de um sistema mensurável para avaliar suas iniciativas de proteção eleitoral, com divulgação de indicadores relevantes.
Segundo o comunicado, a empresa costuma apresentar números gerais de sua atuação, como quantidade de anúncios armazenados e contas removidas, mas ainda não estabeleceu métricas públicas que permitam medir a eficácia da fiscalização e identificar suas principais deficiências.
O órgão defende que a transparência seja acompanhada de procedimentos consistentes para a aplicação das regras, especialmente quando decisões automatizadas podem limitar a circulação de discursos políticos em momentos decisivos.
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Para sustentar a preocupação, o comitê citou análises anteriores envolvendo eleições no Curdistão iraquiano, protestos no Irã e sátiras políticas nos Estados Unidos. Em sua avaliação, remoções indevidas antes de votações podem desestimular a participação política.
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Siga o Times | CNBCO conselho também pediu que ferramentas automatizadas de moderação considerem idioma, nuances e contexto político, de modo a preservar manifestações que não incentivem a violência.
Na manifestação, o órgão lembrou que a Meta se comprometeu, em 2025, a permitir maior liberdade de expressão e reduzir erros na moderação de debates políticos e eleitorais. Para o comitê, os episódios recentes mostram que a companhia ainda precisa avançar para cumprir esse compromisso.
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Os copresidentes do Comitê de Supervisão divulgaram a seguinte declaração diante da forma como a Meta lidou com a conta “No Kings” no Instagram, das eleições no Brasil e de outras eleições previstas em todo o mundo:
“O Comitê de Supervisão está preocupado com falhas recorrentes na aplicação das regras nos esforços da Meta para preservar a integridade eleitoral. Da remoção de contas de ativistas políticos durante protestos nos Estados Unidos, às vésperas das eleições de meio de mandato, às restrições técnicas que atingiram as contas de um candidato à Presidência no Brasil, dando origem a alegações de interferência eleitoral, está claro que a Meta precisa fazer mais para garantir que suas práticas de aplicação das regras durante as eleições sejam transparentes e consistentes e que a expressão política seja protegida, e não reprimida.”
“Alertamos repetidamente que, durante eleições e períodos de elevada tensão política, as falhas de moderação de conteúdo da Meta frequentemente se manifestam de duas maneiras: aplicação excessiva das regras, que suprime a expressão política, e aplicação insuficiente, que compromete a integridade eleitoral.”
“O erro na aplicação das regras referente à conta No Kings deveria ter sido detectado pelos sistemas de prevenção de erros da Meta. Continua sem explicação por que os esforços da Meta para preservar a integridade eleitoral não levaram a uma solução muito mais rápida ou por que as contas No Kings não foram incluídas no programa de verificação cruzada (cross-check) da Meta — que permite à empresa designar entidades cívicas importantes para garantir uma revisão humana antes de uma decisão que possa comprometer gravemente a participação em um evento político significativo.”
“Da mesma forma, a aplicação excessiva das políticas antifraude da Meta às contas de anúncios do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva representa uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de revisores especializados.”
“Em resposta às falhas na atuação da Meta durante as eleições presidenciais de outubro de 2022 no Brasil, o Comitê pediu à Meta que desenvolvesse uma estrutura mensurável para avaliar seus esforços de preservação da integridade eleitoral, incluindo a divulgação de indicadores relevantes. Embora a Meta frequentemente cite indicadores gerais de atividade, como o número de anúncios armazenados ou de contas removidas, ainda não estabeleceu indicadores públicos que avaliem de forma transparente a eficácia — ou as lacunas críticas — na aplicação de suas regras. Isso precisa mudar.”
“Como o Comitê destacou em diversos casos envolvendo eleições regionais (Curdistão iraquiano), protestos contra o governo (slogan de protesto no Irã) e sátira política (Harris-Walz), remoções indevidas de manifestações políticas antes de uma eleição correm o risco de comprometer a integridade eleitoral e criar um efeito inibidor irreversível sobre a participação política. As ferramentas automatizadas de aplicação das regras devem levar em conta o idioma, as nuances e o contexto político para proteger melhor manifestações políticas que não incitem a violência.”
“Em 2025, a Meta se comprometeu a permitir mais liberdade de expressão e a cometer menos erros em torno das eleições e do debate político. Como demonstram os acontecimentos recentes, a empresa ainda tem trabalho a fazer para cumprir essa promessa.”
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