CNBC

CNBCOpenAI negocia captação de US$ 30 bilhões e prepara abertura de capital em 2027

Eleições 2026

DECISÃO 2026: eleitorado consolidado dificulta reação de Lula contra Flávio Bolsonaro, aponta CEO do Real Time Big Data

Publicado 23/10/2026 • 13:01 | Atualizado há 22 minutos

KEY POINTS

  • Bruno Soller classifica como “missão hercúlea” a tentativa de Lula de reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
  • Flávio lidera com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula, e é considerado favorito diante da estabilidade das pesquisas e da baixa disposição dos eleitores para mudar de voto.
  • Para conseguir a virada, Lula precisaria conquistar eleitores de outros candidatos e obter uma vantagem significativa entre os 33 milhões de brasileiros que não votaram no primeiro turno.

A tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial é uma “missão hercúlea”, segundo Bruno Soller, CEO do instituto Real Time Big Data. A avaliação considera a estabilidade das intenções de voto, o número reduzido de indecisos e a dificuldade de conquistar eleitores que já declararam apoio ao adversário.

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (23) mostra Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. A diferença de quatro pontos percentuais permanece inalterada em relação ao levantamento anterior, publicado em 19 de outubro. Para Soller, o cenário reforça o favoritismo do candidato do PL na votação de domingo (25).

“Tudo pode acontecer, mas a gente está falando de probabilidade e, por isso, na probabilidade, o Flávio Bolsonaro é favorito”, afirmou o especialista, em entrevista ao Times Brasil.

Na avaliação do pesquisador, Lula precisaria conquistar votos fora de sua base atual e ampliar significativamente a participação de eleitores que não compareceram ao primeiro turno. A dificuldade está no fato de que a campanha presidencial chega à reta final sem apresentar mudanças expressivas nas pesquisas.

“Todo esse percurso de segundo turno, em que talvez o presidente Lula tenha usado de todas as suas armas, das armas mais possíveis e diferentes possíveis para tentar fazer essa virada… ela ainda não chegou e tem muita dificuldade de acontecer”, declarou.

Estabilidade nas pesquisas dificulta virada de Lula

A consolidação das preferências eleitorais é um dos principais obstáculos para o presidente. Na pesquisa estimulada, considerando os votos totais, Flávio Bolsonaro aparece com 49% das intenções de voto, enquanto Lula registra 45%. Brancos e nulos somam 5%, e 1% dos entrevistados não soube ou não respondeu.

Na modalidade espontânea, em que os candidatos não são apresentados aos entrevistados, Flávio tem 48%, ante 44% de Lula. O levantamento também revela que 94% dos eleitores de Flávio afirmam não pretender mudar de candidato. Entre os apoiadores do presidente, o índice é de 93%.

Para Soller, esses resultados indicam que há pouco espaço para uma alteração significativa do quadro eleitoral nos últimos dias de campanha. “A ‘não mudança’ é o grande destaque. A gente tem uma consolidação do eleitorado”, afirmou.

A situação exige que Lula não apenas conquiste a pequena parcela de indecisos, mas também convença eleitores que demonstram preferência por Flávio ou que escolheram outras candidaturas no primeiro turno.

Leia também: DECISÃO 2026: Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas com apoio de eleitores insatisfeitos com governo Lula, diz CEO do Real Time Big Data

Lula precisaria buscar vantagem entre 33 milhões de ausentes

Um dos pontos centrais da análise de Soller envolve os aproximadamente 33 milhões de brasileiros que não votaram no primeiro turno. O pesquisador explicou que Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da disputa com cerca de 2,2 milhões de votos de vantagem. Considerando a transferência dos votos dos candidatos eliminados, essa diferença poderia aumentar.

Na estimativa apresentada pelo Real Time Big Data, dos aproximadamente 9 milhões de eleitores que escolheram outras candidaturas, 50% migrariam para Flávio, 35% para Lula e 15% optariam por votos brancos ou nulos.

Caso essa distribuição se confirme, a vantagem do candidato do PL aumentaria para aproximadamente 3,5 milhões de votos. Para superar essa diferença, Lula precisaria obter um saldo favorável equivalente a cerca de 11% dos 33 milhões de eleitores que se abstiveram no primeiro turno.

“O Lula precisa de 11% desses 33 milhões, o que vai dar mais que 3,5 milhões, para poder virar o jogo. Essa é a conta que a gente está fazendo”, explicou Soller. Mesmo em um cenário hipotético de divisão igual dos votos dos candidatos eliminados, o presidente ainda precisaria compensar a diferença inicial com uma vantagem equivalente a aproximadamente 8% daquele contingente de ausentes.

“Por isso que é uma missão difícil, hercúlea, que o presidente tem pela frente”, afirmou.

O analista ressalta que mobilizar esses eleitores não é simples. Parte dos brasileiros que deixam de votar apresenta um histórico recorrente de abstenção, enquanto outros enfrentam dificuldades relacionadas ao trabalho, deslocamento ou responsabilidades familiares.

Flávio mantém vantagem na disputa por votos de outros candidatos

Segundo Soller, uma das diferenças observadas entre as pesquisas eleitorais está na distribuição dos votos de quem não escolheu Lula ou Flávio no primeiro turno. O CEO do Real Time Big Data citou o Datafolha como exemplo de levantamento que identificou uma disputa mais equilibrada, com vantagem numérica de aproximadamente um ponto percentual para Flávio.

Apesar das diferenças entre os institutos, o pesquisador avalia que o cenário ainda favorece o candidato do PL.

“Na nossa pesquisa, tem uma migração maior para o Flávio Bolsonaro. O Datafolha de ontem apresentou uma migração um pouco maior para o presidente Lula, mas não o suficiente ainda para a virada”, disse. Para ele, o perfil de parte dos eleitores que apoiaram candidatos alternativos representa uma dificuldade adicional para Lula, especialmente porque o sentimento de mudança aparece como um dos fatores relevantes na escolha presidencial.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Sudeste pode ser última oportunidade de recuperação

Na avaliação do especialista, a maior possibilidade de Lula conquistar novos votos está no Sudeste, região que concentra cerca de 42% do eleitorado brasileiro. Soller considera que a campanha petista poderia direcionar esforços aos eleitores de menor renda que escolheram Augusto Cury no primeiro turno, sobretudo nas periferias dos grandes centros urbanos.

Segundo os resultados eleitorais citados pelo analista, Flávio obteve vantagem de dez pontos percentuais sobre Lula em São Paulo e no Rio de Janeiro, 12 pontos no Espírito Santo e 3,5 pontos em Minas Gerais. O pesquisador avalia que parte desse público ainda pode ser influenciada por propostas econômicas e pela lembrança de melhorias nas condições de vida durante governos anteriores de Lula.

“É o eleitor da periferia das grandes cidades, que é impactado pelos desejos de mudança, mas também é impactado pelo bolso, pela renda”, afirmou. Entretanto, a insatisfação com o poder de compra e com a situação econômica atual representa um obstáculo para a estratégia de recuperação do presidente.

Comunicação do governo não conseguiu reverter insatisfação

Para Soller, a dificuldade eleitoral de Lula também está relacionada à maneira como a campanha apresentou os resultados da administração federal. O pesquisador considera que o discurso de valorização das realizações do governo não foi suficiente para convencer eleitores que demonstram insatisfação com sua situação financeira.

“O presidente ficou fazendo muita propaganda deste atual momento, deste atual governo dele, como se tivesse sido um governo que as pessoas estivessem aprovando, e elas não estavam”, declarou.

Segundo o analista, anúncios feitos durante o segundo turno, incluindo medidas voltadas aos microempreendedores individuais e mudanças nas regras de trabalho, ainda não produziram efeitos perceptíveis para uma parcela significativa dos eleitores. “O problema é que tem muito anúncio e pouca efetividade. Ainda não chegou na vida das pessoas”, avaliou.

Soller também apontou dificuldades do PT para dialogar com transformações no mercado de trabalho e com uma parcela mais jovem do eleitorado, que apresenta expectativas diferentes das gerações tradicionalmente associadas à base política do partido.

Debate representa uma das últimas chances de reação

O debate previsto para esta sexta-feira (23) é apontado pelo pesquisador como uma das últimas oportunidades para Lula tentar reduzir a diferença antes da votação. Soller observa, porém, que a fidelidade dos eleitores aos candidatos diminui as chances de um confronto televisivo provocar uma mudança expressiva nas intenções de voto.

De acordo com o levantamento, 51% dos entrevistados consideraram Flávio Bolsonaro vencedor do debate anterior, enquanto 45% avaliaram que Lula teve o melhor desempenho. Na visão do pesquisador, o presidente precisaria apresentar uma atuação capaz de convencer pessoas que ainda não consolidaram completamente sua escolha.

“Mas o presidente Lula precisa ter um desempenho muito bom nesse debate de hoje para poder ameaçar o Flávio Bolsonaro no domingo”, afirmou.

O especialista também ponderou que manifestações de rua e eventos de campanha tendem a mobilizar principalmente eleitores já identificados com as candidaturas, sem necessariamente provocar uma transferência expressiva de votos.

Favoritismo de Flávio não significa resultado definido

Apesar da vantagem apontada pelo Real Time Big Data, Soller ressalta que o resultado depende do comportamento dos eleitores nas urnas, especialmente da participação de quem se absteve no primeiro turno e da distribuição final dos votos dos candidatos eliminados.

A rejeição aos dois concorrentes também demonstra a intensidade da polarização. Segundo a pesquisa, 36% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula em nenhuma hipótese, enquanto 33% dizem o mesmo sobre Flávio Bolsonaro.


📌 DECISÃO 2026:

🔷 O Times Brasil | CNBC transmite no domingo (25) a cobertura do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com entradas ao vivo durante todo o dia de votação.

🔷 Às 16h, começa o especial DECISÃO 2026, que acompanha o fechamento das urnas e a apuração até a definição de quem vai governar o país.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Eleições 2026