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Vitória de Lula na eleição de domingo (25) pode derrubar Bolsa em mais de 5% e levar dólar a R$ 5,60, projetam analistas
Publicado 24/10/2026 • 21:53 | Atualizado há 7 horas
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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Orçamento do governo Lula aponta falta de R$ 53,7 bilhões para manter políticas atuais entre 2028 e 2030, diz documento
A eleição presidencial de domingo (25) deve provocar reação maior nos preços do mercado financeiro se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) for reeleito do que se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vencer. Em pesquisa do Citi com 73 investidores, 79% esperam queda de mais de 5% do Ibovespa na segunda-feira (26) com Lula, e 49% projetam alta acima de 5% com Flávio.
O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC reuniu avaliações de um banco, de gestoras e de economistas sobre o comportamento de dólar, juros futuros e Bolsa na segunda-feira, além de setores e empresas citados em cada resultado. As projeções refletem visões de mercado e não configuram indicação de investimento do Times Brasil | CNBC.
A pesquisa foi feita pelo Citi Research, com assinatura do analista André Mazini, e ouviu fundos long-only, hedge funds e gestoras com viés comprado. A leitura do banco é que o resultado favorável está só em parte nos preços e que a queda esperada no resultado adverso é maior que a alta no resultado positivo.
Antes dos dois desfechos, vale recapitular o ponto de partida. No primeiro turno, no domingo (4), Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na segunda-feira (5), o Ibovespa subiu 7,70%, para 206.912 pontos, e fechou pela primeira vez acima de 200 mil. O dólar caiu 4,12% e encerrou a R$ 5,00.
Desde então, parte do ganho foi devolvida à medida que as pesquisas mostraram vantagem menor para Flávio. Na quinta-feira (22), o Ibovespa operava na faixa de 203 mil pontos, e o dólar subia a R$ 5,03.
O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, afirma que o mercado está de lado à espera do resultado. Ele diz que o otimismo após o primeiro turno levou o Ibovespa acima de 200 mil pontos e que o Datafolha divulgado na quinta-feira mostrou cenário mais empatado.
Em carta a clientes publicada após o primeiro turno, a Galapagos Wealth Management calculou que o Ibovespa negociava, na sexta-feira (2), a 8,86 vezes o lucro projetado para 12 meses, abaixo da média de 20 anos, de 10,5 vezes. A gestora aponta também que os fundos de pensão têm menos de 8% do patrimônio em renda variável, ante pico de 33% em 2009, o que, na avaliação dela, deixa espaço para entrada de recursos na Bolsa.
Com a vitória de Flávio, 49% dos investidores ouvidos pelo Citi esperam alta de mais de 5% do Ibovespa na segunda-feira, e 48% projetam avanço de 1% a 5%. Para o real, 88% preveem valorização de pelo menos 2%. No contrato de DI para janeiro de 2029, 68% esperam queda de mais de 50 pontos-base, e 13% apostam em recuo acima de 100 pontos-base.
🔍 O DI (Depósito Interfinanceiro) é o contrato futuro que reflete a expectativa de taxa de juros nos próximos anos. Cem pontos-base equivalem a um ponto percentual.
Gustavo Sung, da Suno Research, espera mais apetite por renda variável, Bolsa em alta, câmbio em queda e fechamento da curva de juros na maior parte dos vencimentos, principalmente nos longos, mais ligados ao risco fiscal. Para o dólar, ele cita cotação abaixo de R$ 5, na faixa de R$ 4,80 a R$ 4,90.
O economista avalia que a agenda liberal e o ajuste fiscal mais rápido e mais profundo reduziriam a pressão sobre a inflação e abririam espaço para o Banco Central cortar juros, movimento que o mercado já precifica em parte.
Sung ressalva que o otimismo de curto prazo precisa virar medidas concretas desde o início do governo. Sem avanço do ajuste fiscal, o mercado pode corrigir em seis a nove meses, a depender da relação entre Executivo, Congresso e Judiciário.
O analista Gabriel Augusto Mollo, do Daycoval, vê como principal risco desse resultado a antecipação, pelo mercado, de uma melhora fiscal maior do que o novo governo consiga entregar. Nessa hipótese, os juros futuros voltariam a subir, e o real perderia valor.
Já a Galapagos soma cerca de 50 dos 81 senadores identificados com a direita a partir de 1º de fevereiro de 2027, o que, em tese, reduz o custo político de aprovar reformas. A gestora ressalva que parte desses parlamentares vem de partidos que nem sempre votam em bloco.
Com a reeleição de Lula, 79% dos consultados pelo Citi esperam queda de mais de 5% do Ibovespa na segunda-feira. No câmbio, 63% preveem desvalorização do real acima de 5%. No DI para janeiro de 2029, 67% apontam alta de mais de 100 pontos-base.
Sung vê quebra de expectativa do mercado e prevê estresse maior no primeiro pregão, com dólar na faixa de R$ 5,40 a R$ 5,60, abertura da curva de juros e correção do Ibovespa. Ele pondera que o pessimismo tende a ser de curto prazo e depende da equipe econômica e das medidas fiscais que o governo adotar.
O economista cita falas do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Fazenda sobre a necessidade de ajuste e avalia que o primeiro ajuste de um governo Lula seria mais moderado que o de Flávio. Na projeção dele, 2027 começaria com câmbio mais desvalorizado, inflação mais pressionada e menos espaço para o Banco Central cortar juros.
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Siga o Times | CNBCMollo, do Daycoval, diz que os juros longos podem seguir elevados se persistirem dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida, o que limitaria a expansão dos múltiplos das empresas listadas. O analista acrescenta que uma equipe econômica bem recebida e medidas fiscais críveis poderiam reduzir o prêmio de risco mesmo com a reeleição.
O quadro reúne as projeções coletadas para a reação de segunda-feira em cada resultado.
| Indicador | Se Flávio Bolsonaro vencer | Se Lula for reeleito | Fonte |
|---|---|---|---|
| Ibovespa na segunda-feira (26) | 49% esperam alta acima de 5%; 48%, alta de 1% a 5% | 79% esperam queda acima de 5%; 7%, queda de 1% a 5% | Citi Research |
| Real | 88% esperam valorização de pelo menos 2% | 63% esperam desvalorização acima de 5%; 28%, entre 2% e 5% | Citi Research |
| DI para janeiro de 2029 | 68% esperam queda de mais de 50 pontos-base | 67% esperam alta de mais de 100 pontos-base | Citi Research |
| Dólar | Abaixo de R$ 5, na faixa de R$ 4,80 a R$ 4,90 | R$ 5,40 a R$ 5,60 | Suno Research |
| Curva de juros | Fechamento, principalmente nos vencimentos longos | Abertura da curva | Suno Research |
| Setores e empresas | Varejo, construção de média e alta renda, mercado de capitais, locação e infraestrutura | Exportadoras, habitação popular e negócios de geração de caixa previsível | Daycoval |
Com a vitória de Flávio, Mollo, do Daycoval, cita setores sensíveis ao custo de capital como candidatos à recuperação. No varejo, aparecem Magazine Luiza, C&A, Assaí e Vivara. Na construção de média e alta renda, Cyrela, Even e EZTEC. No mercado de capitais, BTG Pactual, XP e a operadora da Bolsa. Em locação e infraestrutura, Localiza, Simpar, EcoRodovias e Equatorial.
Com a reeleição de Lula, o analista aponta maior resiliência para exportadoras, como Embraer, Suzano e Gerdau, que tendem a se beneficiar de dólar mais alto, e para construtoras de habitação popular, como Cury e Direcional. Cita ainda negócios de geração de caixa previsível, entre eles Caixa Seguridade, TIM, Petrobras, BB Seguridade e Telefônica Brasil.
Mollo ressalva que o efeito depende do endividamento, da geração de caixa e da necessidade de investimento de cada empresa. Sobre a Petrobras, diz que a estatal não funciona como proteção automática contra o risco fiscal, por causa de decisões de investimento, política de preços e influência do controlador. Os nomes são exemplos do analista e não indicação do Times Brasil | CNBC.
O primeiro sinal de política econômica que o mercado deve observar é a equipe. A Galapagos cita os nomes para Fazenda, Casa Civil e Planejamento, além da equipe de transição e dos compromissos fiscais que o novo governo assumir.
Sung diz que o ajuste fiscal precisa avançar e ser prioridade já no início do governo, com apresentação das medidas que serão adotadas, hoje sem visibilidade.
A Galapagos lembra que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic para 13,75% ao ano em 16 de setembro, no quinto corte consecutivo, e que não há reunião em outubro. A próxima decisão sairá com o resultado das urnas conhecido, e o ritmo dos cortes dependerá dos sinais fiscais do novo governo, na avaliação da gestora.
A gestora afirma ainda que o risco não termina nas urnas, porque a legislação permite questionar a chapa vencedora no TSE até a diplomação, em dezembro. Ela cita ação protocolada em 23 de setembro pela campanha de Lula, que considera de desfecho improvável e fonte possível de volatilidade.
Para quem quer se proteger, Sung recomenda que o investidor responda a três perguntas antes de agir, sobre perfil de risco, tolerância à volatilidade e objetivos de curto, médio e longo prazo. Ele defende ainda manter, conforme o perfil, parte do patrimônio no exterior, o que protege de riscos domésticos.
Nas BDRs, que combinam a variação da ação lá fora com o câmbio, uma desvalorização do real tende a compensar perdas locais, afirma o economista.
A Galapagos mantém peso elevado em títulos atrelados à inflação, com juros reais acima de 7% ao ano em 30 de setembro, e vê na liquidez dos títulos pós-fixados uma forma de esperar mais visibilidade para assumir risco. Na carta, a gestora elevou a exposição à renda variável brasileira de neutra para sobrealocada, financiada pela redução de títulos pós-fixados.
Para quem pretende aproveitar a volatilidade, Mollo recomenda combinar oportunidades setoriais com gestão disciplinada de risco. Ele defende diversificar entre empresas domésticas e exportadoras, observar a qualidade dos balanços e controlar a exposição a setores muito sensíveis a juros. A prioridade, diz o analista, é preservar o patrimônio e manter flexibilidade, ajustando as posições à medida que o cenário político e econômico fique mais claro.
Sung afirma que o excesso de otimismo ou de pessimismo logo após a eleição tende a ser passageiro, porque os preços corrigem. Na avaliação dele, não se desesperar nem entrar com otimismo muito grande é mais adequado e evita decisões que fujam da estratégia de investimento.
Uma carteira boa, diz o economista, atravessa altos e baixos de forma resiliente e com proteção bem montada. O Daycoval vê a dependência de um único desfecho eleitoral como risco, e por isso defende a diversificação.
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