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Entenda em números como aconteceu a virada inédita na eleição brasileira
Publicado 25/10/2026 • 23:15 | Atualizado há 13 minutos
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KEY POINTS
A virada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) foi construída em duas frentes: a ampliação da vantagem no Nordeste e a redução das derrotas em importantes colégios eleitorais, principalmente no Sudeste. Segundo o levantamento que embasa esta análise, Lula passou de uma desvantagem de 2,22 milhões de votos no primeiro turno para uma vantagem de 4,43 milhões no segundo — uma mudança de 6,65 milhões na diferença entre os candidatos.
Com 99,99% das seções totalizadas, no recorte das 22h15 deste domingo (25), o relatório registra Lula com 64,25 milhões de votos, ou 51,78% dos válidos, contra 59,82 milhões de Flávio, equivalentes a 48,22%. O resultado representa, conforme o documento, a primeira vitória de um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar em uma disputa presidencial brasileira.
Para entender como isso aconteceu, é preciso olhar além do mapa dos vencedores por estado. Como a eleição presidencial é decidida pela soma nacional dos votos, reduzir uma derrota em um grande colégio eleitoral pode contribuir mais para o resultado do que conquistar uma vitória apertada em outro.
São Paulo foi o principal exemplo dessa dinâmica. Flávio venceu o estado nos dois turnos, mas sua vantagem caiu de aproximadamente 3,42 milhões para 2,02 milhões de votos. A redução de 1,40 milhão respondeu por cerca de 21% de toda a mudança na diferença nacional.
Lula passou de 38,2% para 46,2% dos votos válidos no estado. Assim, mesmo sem conquistar a maioria do eleitorado paulista, o petista diminuiu de forma expressiva a distância para o adversário.
Só a capital paulista acrescentou cerca de 475 mil votos à vantagem de Lula em relação ao primeiro turno, o equivalente a 7% da mudança nacional. Guarulhos, Osasco, São Bernardo do Campo, Santo André, Diadema, Mauá e Carapicuíba também contribuíram para esse movimento.
O Nordeste respondeu por aproximadamente 38% do ganho de margem do petista. A vantagem regional de Lula passou de 11,10 milhões para 13,65 milhões de votos. Bahia, Pernambuco e Ceará, juntos, acrescentaram cerca de 1,54 milhão à diferença a favor do candidato do PT.
No Sudeste, a redução da vantagem de Flávio somou aproximadamente 2,85 milhões de votos, ou 43% da mudança nacional. Somadas, as duas regiões concentraram 81% desse movimento.
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Siga o Times | CNBCMinas Gerais foi o único estado a trocar de vencedor. Flávio havia terminado o primeiro turno com uma vantagem de cerca de 589 mil votos. No segundo, Lula passou à frente por aproximadamente 107 mil, com 50,4% dos válidos.
A mudança mineira, porém, não se resumiu às grandes cidades. Segundo o levantamento, os principais municípios analisados responderam por cerca de 200 mil dos aproximadamente 695 mil votos de mudança na diferença estadual. O restante veio dos demais municípios.
Na cidade do Rio de Janeiro também houve inversão: uma vantagem de aproximadamente 138 mil votos de Flávio no primeiro turno deu lugar a uma dianteira de 113 mil de Lula no segundo.
Entre os turnos, Lula acrescentou 10,37 milhões de votos à sua votação, enquanto Flávio ganhou 3,72 milhões. Além dos 9,32 milhões de votos dados aos demais candidatos no primeiro turno, houve um aumento de aproximadamente 4,77 milhões no total de votos válidos.
O comparecimento passou de 78,9% para 80,8%, e a redução de brancos e nulos também ampliou o volume de votos destinados aos finalistas.
Na comparação dos saldos, o crescimento de Lula correspondeu a 73,6% desse universo adicional de votos. Esse cálculo, entretanto, não permite identificar a escolha individual dos eleitores de candidatos eliminados: também pode incluir trocas entre os finalistas e mudanças de participação entre os turnos.
Os números mostram, portanto, uma vitória construída pela combinação de ganhos em diferentes regiões. Lula ampliou a dianteira onde já vencia e reduziu a distância onde estava atrás. O levantamento permite dimensionar essa mudança, mas não medir isoladamente o efeito de apoios políticos, propostas ou ações de campanha sobre a decisão dos eleitores.
Fonte: levantamento fornecido, que atribui os resultados ao TSE, com recorte das 22h15 de 25 de outubro de 2026 e 99,99% das seções totalizadas.
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