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DECISÃO 2026: Lula muda estratégia após derrota nas capitais e aposta em influenciadores digitais

Publicado 09/10/2026 • 20:14 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Campanha de Lula concentrou 11 das 28 agendas de rua em seis capitais, mas a diferença de votos para Flávio Bolsonaro aumentou nesses locais.
  • Presidente terminou o primeiro turno com 45,16% dos votos válidos, atrás de Flávio, que alcançou 47,03%, e tenta reverter a desvantagem.
  • Equipe petista convoca jovens influentes nas redes sociais e prepara uma comunicação mais voltada a vídeos curtos para a disputa de 25 de outubro.

Foto: Ricardo Stuckert

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu reforçar sua atuação nas redes sociais para tentar reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, depois que a concentração de agendas presenciais em grandes capitais não produziu os resultados esperados. A nova estratégia prevê maior participação de jovens lideranças digitais, vídeos curtos e uma comunicação mais direta com os eleitores.

A mudança ocorre após Lula receber 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio Bolsonaro, no primeiro turno. Em seis capitais que receberam atenção especial da campanha petista, a diferença desfavorável ao presidente em relação ao bolsonarismo aumentou em 457.542 votos na comparação com 2022.

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Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Brasília e Maceió concentraram 11 das 28 agendas de rua realizadas pelo presidente. Todas haviam dado vitória a Jair Bolsonaro em 2022. Apesar das visitas, o desempenho de Lula nesses locais não foi suficiente para reduzir a desvantagem eleitoral.

Interior concentra maior desvantagem de Lula

O levantamento das cidades percorridas pelo presidente mostra que Lula conseguiu uma vantagem de aproximadamente 356 mil votos sobre Flávio nos 21 municípios visitados, dos quais 14 são capitais. Nessas localidades, o petista recebeu 50,8% dos votos válidos.

Fora desse conjunto de cidades, entretanto, Flávio abriu uma vantagem de 2,58 milhões de votos. A diferença nacional de aproximadamente 2,23 milhões, portanto, foi construída principalmente no interior e em municípios de médio porte, que ficaram fora das agendas presenciais do presidente.

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Mesmo nas capitais dos três maiores colégios eleitorais estaduais – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro –, a estratégia teve resultado limitado. Embora essas cidades tenham concentrado 32% dos compromissos de campanha, a vantagem conjunta de Lula sobre Flávio foi de apenas 55 mil votos. Em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, o presidente ficou atrás do adversário.

Jovens influenciadores entram na campanha

A reação do PT inclui a participação da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, que recebeu 524.219 votos e se tornou a mulher mais votada de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados. Com cerca de 2 milhões de seguidores nas redes sociais, ela defende uma mudança na maneira como o governo apresenta suas realizações.

A proposta é substituir parte dos conteúdos extensos por vídeos curtos, publicações mais diretas e maior presença em plataformas como Instagram e TikTok. A avaliação é de que indicadores econômicos e políticas públicas precisam ser apresentados em uma linguagem capaz de alcançar eleitores que acompanham o debate político principalmente pela internet.

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Ana Elisa também defende uma disputa mais direta com Flávio Bolsonaro, incluindo a exposição do histórico político do adversário. Sua participação foi sugerida pelo vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), durante uma reunião da coordenação eleitoral. Camarão propôs ainda ampliar o diálogo com torcidas de futebol sobre as apostas esportivas.

Lula retoma campanha e promete ampliar presença digital

Nesta sexta-feira (9), Lula participou de uma carreata em Ceilândia, no Distrito Federal, acompanhado da primeira-dama, Janja, e do candidato petista ao governo local, Leandro Grass. Durante o ato, o presidente sinalizou que pretende intensificar sua atuação na internet até o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

“Eu agora estou virando o rei da selfie. Estou virando internauta”, declarou o presidente, em cima de uma caminhonete, durante a atividade de campanha. Sob sol forte, Lula também demonstrou confiança na possibilidade de reverter o resultado da primeira votação.

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A reorganização envolve mudanças no comando da comunicação. O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), passará a coordenar a área ao lado da equipe de Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação. A campanha também enfrenta dificuldades para ampliar sua presença territorial: em cinco dos seis estados onde Lula perdeu terreno nas capitais, candidatos de oposição venceram a eleição para governador no primeiro turno.

Falta de palanques dificulta recuperação

O cenário estadual representa outro obstáculo para a recuperação de votos nas capitais priorizadas pelo PT. Paraná, Alagoas, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro tiveram vitórias de candidatos de oposição ao governo estadual, reduzindo as possibilidades de articulação da campanha presidencial com palanques locais.

No Distrito Federal, Leandro Grass ainda disputa o segundo turno. Já no Rio de Janeiro, a expectativa é de confirmação da vitória de Douglas Ruas (PL) após a retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral, prevista para sábado (10), em decorrência da anulação dos votos atribuídos ao ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos).

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Com a disputa presidencial definida para 25 de outubro, a campanha de Lula tenta combinar a presença nas ruas com uma atuação digital mais intensa. O desafio será ampliar o alcance para além das cidades visitadas no primeiro turno e recuperar parte dos votos perdidos em regiões onde Flávio Bolsonaro construiu sua vantagem nacional.

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