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Cidade paulista segue modelo europeu e vira referência em tecnologia
Publicado 25/07/2026 • 17:45 | Atualizado há 2 horas
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KEY POINTS
Apesar das diferenças de escala, esses quatro polos internacionais têm em comum uma indústria forte o bastante para puxar uma cadeia inteira, e universidades que não ficam de fora dela.
Quando o Instituto Tecnológico de Aeronáutica foi instalado em São José dos Campos, em 1950, expressões como ecossistema de inovação e distrito tecnológico ainda estavam longe do vocabulário das cidades que disputavam empresas e investimentos. Décadas depois, o município brasileiro passou a figurar ao lado de nomes como Shenzhen, Austin, Eindhoven e Singapura em comparações sobre polos de tecnologia industrial.
Apesar das diferenças de escala, esses quatro polos internacionais têm em comum uma indústria forte o bastante para puxar uma cadeia inteira, e universidades que não ficam de fora dela.
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Shenzhen é talvez o caso mais visível de uma cidade em que inovação e indústria passaram a operar como partes do mesmo sistema. O corredor formado por Shenzhen, Hong Kong e Guangzhou assumiu, em 2025, a liderança do ranking mundial de clusters de inovação da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, entidade ligada à ONU que mede o desempenho de polos tecnológicos ao redor do mundo.
O ranking considera patentes internacionais, publicações científicas e negócios de capital de risco. Em 2024, Shenzhen investiu 245,3 bilhões de yuans em pesquisa e desenvolvimento, equivalente a 6,67% do PIB municipal e o segundo maior volume entre as cidades chinesas. As empresas responderam por 93,5% desse total.
O número de companhias nacionais de alta tecnologia instaladas na cidade já supera 26 mil. O resultado aparece na velocidade com que uma ideia sai do papel e chega à prateleira, algo que cidades menores tentam reproduzir em escala reduzida.
Austin tem dinheiro disponível para bancar o crescimento das empresas. Startups da região levantaram US$ 7,24 bilhões em capital de risco em 2025, o quinto maior volume entre as áreas metropolitanas americanas.
A cidade também combina esse capital com uma universidade conectada à indústria e uma base relevante de manufatura tecnológica. Desde 2023, o Texas destinou mais de US$ 1,25 bilhão a iniciativas ligadas à Universidade do Texas, incluindo projetos de semicondutores e formação de profissionais.
Entre uma boa pesquisa e uma empresa de verdade existe um caminho caro para percorrer. Contratar, prototipar, certificar, vender. Austin encurta essa travessia com capital abundante, algo que cidades com ecossistemas mais jovens ainda não conseguem replicar.
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Siga o Times | CNBCEindhoven não tem a escala de Shenzhen, nem o capital de Austin. Ainda assim, organizou uma economia de alta tecnologia em torno de poucas empresas âncora e uma rede densa de fornecedores especializados.
A Brainport Eindhoven reunia 6.645 estabelecimentos de alta tecnologia, segundo o monitor regional de 2024. Um estudo publicado em 2026 pela Vrije Universiteit Amsterdam estima que o polo responda por 57% dos gastos privados em pesquisa e desenvolvimento dos Países Baixos.
ASML, Philips e NXP estão no centro dessa economia, mas Eindhoven não se resume a elas. A força do polo vem da rede em torno delas. Fornecedores, programas de formação e uma governança que junta empresa, universidade e prefeitura na mesma mesa.
Singapura mostra até onde uma estratégia coordenada de atração de empresas pode chegar. Em 2025, a cidade-Estado recebeu compromissos de S$ 14,2 bilhões em investimentos fixos, puxados por semicondutores, biomedicina e o apetite crescente por infraestrutura de inteligência artificial.
Parte desse desempenho se explica por competências que uma prefeitura brasileira não tem, como política tributária nacional, imigração e comércio exterior. Mas há elementos que dá para copiar, como terreno e infraestrutura prontos para o investidor, licença rápida e um caminho claro até fornecedores e pesquisadores.
São José dos Campos, no interior paulista, já reúne parte dessa arquitetura em torno da presença histórica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica e da Embraer. A cidade brasileira acompanha, à distância, os quatro modelos internacionais na tentativa de transformar uma base industrial forte em um ecossistema de tecnologia mais amplo.
A questão que separa o Brasil desses quatro polos está menos na existência de uma indústria relevante e mais na capacidade de multiplicar negócios ao redor dela.
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