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Agro avança acima do PIB e enfrenta gargalos de infraestrutura para sustentar crescimento
Publicado 02/09/2026 • 15:49 | Atualizado há 5 horas
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Publicado 02/09/2026 • 15:49 | Atualizado há 5 horas
KEY POINTS
A agropecuária brasileira cresceu 6,8% no segundo trimestre de 2026, desempenho superior ao avanço de 2% do PIB nacional no período, segundo dados do IBGE divulgados nesta semana. No acumulado do primeiro semestre, o setor registra alta de 3,6% e mantém uma trajetória de expansão, impulsionada principalmente pelo aumento da produção e das exportações.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, André Diz, professor do MBA em Gestão do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), disse que o desempenho do campo contrasta com a trajetória observada na indústria. Enquanto a atividade industrial apresenta desaceleração, o agronegócio segue crescendo acima de outros setores da economia.
“Quando a gente olha para a agropecuária no Brasil como um todo, o que a gente tem é um desempenho bastante forte”.
Segundo o professor, parte do resultado está relacionada à combinação entre aumento da área plantada e ganhos de produtividade. As projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam para uma safra de aproximadamente 380 milhões de toneladas no ciclo atual, o que representa um novo recorde de produção.
“O agro vem crescendo proporcionalmente mais do que os outros setores”.
Apesar do avanço dentro das propriedades, o crescimento da produção também evidencia gargalos históricos de infraestrutura. Armazenagem e transporte continuam sendo obstáculos para que o Brasil consiga aproveitar integralmente sua capacidade produtiva.
A produção dentro da porteira avança em ritmo superior à capacidade logística de escoamento dos grãos. Nos últimos anos, houve mudanças na estrutura de transporte, especialmente com o aumento da participação do chamado Arco Norte no escoamento da produção, incluindo volumes relevantes do Mato Grosso.
Ainda assim, o professor considera que persistem entraves que limitam a produtividade e a competitividade do setor.
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Siga o Times | CNBC“Essas são uma das dores do crescimento. A nossa capacidade de produção para dentro da porteira cresce num ritmo muito maior do que a nossa capacidade logística”, afirmou.
A análise dos dados em um horizonte mais longo reforça a percepção de que o agro segue em trajetória positiva. Em vez de observar apenas a comparação entre um trimestre e o anterior, ele recomenda acompanhar os resultados acumulados em 12 meses para identificar a tendência do setor.
Nesse recorte, o agronegócio apresenta crescimento e aceleração, principalmente em função do desempenho das exportações.
O cenário contrasta com o comportamento do PIB brasileiro, que vem desacelerando nos últimos seis trimestres. Segundo André, o consumo das famílias é um dos fatores que ajudam a explicar essa perda de ritmo.
O elevado nível de endividamento e as taxas de juros em patamar alto reduzem a capacidade de consumo, enquanto as famílias representam uma parcela significativa da atividade econômica.
Para o segundo semestre, entretanto, permanece uma variável de incerteza para o campo: o fenômeno El Niño. A intensidade das chuvas e das secas pode afetar diretamente a produtividade das lavouras.
O último relatório da Conab, de acordo com André, trouxe uma melhora nas estimativas de produtividade, sinalizando que os impactos climáticos podem ser menores do que inicialmente projetados. Ainda assim, o comportamento do clima ao longo dos próximos meses será determinante para a produção.
“O fato é que setorialmente o setor vem muito bem. Temos toda essa incógnita sobre o desempenho do El Niño”, afirmou.
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