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Brasil não sabe se carne bovina em trânsito vai entrar na cota da China para 2026

Publicado 06/01/2026 • 22:05 | Atualizado há 1 dia

KEY POINTS

  • O Brasil ainda aguarda esclarecimentos da China sobre se a carne bovina brasileira já embarcada ou em trânsito será contabilizada dentro das novas cotas de importação anunciadas por Pequim
  • Autoridades brasileiras afirmam que o volume atualmente em trânsito é relativamente pequeno frente às cerca de 1,5 milhão de toneladas exportadas para a China em 2025, mas o setor teme que cargas já enviadas sejam descontadas da cota de 2026
  • Entidades do setor alertam que, se a regra chinesa considerar apenas a entrada efetiva no país a partir de janeiro de 2026, o Brasil pode ter de abater cerca de 350 mil toneladas de sua cota anual, reduzindo o espaço para novas exportações e elevando o risco de tarifas adicionais de até 55% sobre o excedente.

Carne moída

O governo brasileiro ainda não sabe se a carne bovina em trânsito para a China será considerada parte das novas cotas de importação anunciadas por Pequim na semana passada, disse uma autoridade nesta terça-feira (6).

Herlon Brandão, chefe do departamento de estatísticas do Ministério do Comércio do Brasil, afirmou que os volumes de carne bovina brasileira em trânsito, com base nas informações disponíveis, representariam uma quantidade “pequena” em relação aos cerca de 1,5 milhão de toneladas métricas de carne bovina que o país sul-americano exportou para a China no ano passado.

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A China respondeu por cerca de metade dos volumes totais exportados pelo Brasil em 2025, que somaram um recorde de mais de 3 milhões de toneladas.

O país asiático impôs uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que excedem os níveis de cota dos principais fornecedores, incluindo Brasil, Austrália e EUA, como parte de uma medida para proteger seu setor doméstico de carne bovina.

O setor de carne bovina do Brasil está preocupado com a incerteza em torno das regras.

“As autoridades chinesas deixaram claro que o volume será calculado com base nas entradas efetivas no país a partir de 1º de janeiro de 2026, independentemente de contratos previamente assinados, cargas em trânsito ou produtos já embarcados”, disse o Sindifrigo-Mato Grosso, em um comunicado na terça-feira.

O grupo acrescentou que, se essa “interpretação for confirmada sem nenhuma revisão”, o Brasil terá que deduzir aproximadamente 350.000 toneladas de sua cota designada para 2026, que é o volume estimado de cargas mantidas nos portos chineses aguardando liberação alfandegária, em navios em trânsito ou estocadas nos portos brasileiros.

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O Ministério da Agricultura do Brasil não fez nenhum comentário imediato sobre as preocupações expressas pelo setor de carne bovina do país. Cerca de 53% das exportações de carne bovina do Brasil foram para a China em 2025, gerando uma receita de US$ 8,8 bilhões, de acordo com novos dados comerciais.

A China estabeleceu a nova cota de importação de carne bovina brasileira em 1,106 milhão de toneladas para 2026. Ela aumentará gradualmente para 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,151 milhão de toneladas em 2028, de acordo com o anúncio de Pequim.

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