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De olho no chocolate; El Niño pressiona safra global de Cacau e pode afetar preços

Publicado 04/05/2026 • 12:33 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Superávit global de cacau é revisado para 247 mil toneladas em 2025/26, com recuperação após quebra de 2023/24.
  • El Niño eleva incerteza para 2026/27 e pode reduzir produção global de cacau em cerca de 1,7%.
  • Brasil registra alta de 61% na produção de cacau no primeiro trimestre de 2026 na comparação anual.
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Embrapa

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O mercado global de cacau vive um momento de recuperação após a forte quebra de 2023/24, que fez os preços dispararem, mas o alívio pode ser breve. A consultoria StoneX revisou para 247 mil toneladas o superávit da safra 2025/26, em um cenário de recomposição consistente da produção. Para 2026/27, o excedente estimado cai para 149 mil toneladas, pressionado pela possível intensificação do El Niño.

“As condições climáticas têm favorecido a recuperação da produção em 2025/26, mantendo o mercado em trajetória de recomposição de estoques. Para 2026/27, o avanço rápido das projeções de El Niño adiciona um fator relevante de incerteza, especialmente sobre a oferta no Oeste Africano”, afirma Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

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Brasil avança 61% e lidera sinais de retomada

No Brasil, a produção dá sinais claros de recuperação. No primeiro trimestre de 2026, houve alta de 61% na comparação anual, movimento que tende a continuar, embora o risco climático volte ao radar, especialmente na Bahia.

A produção global segue alinhada às expectativas iniciais da StoneX. Ajustes pontuais foram feitos para Equador e Camarões, que apresentaram volumes ligeiramente abaixo do previsto. Do lado da demanda, o mercado ainda mostra fraqueza, com sinais de estabilização após quedas recentes.

Costa do Marfim e Gana mantêm projeções dentro do esperado

Na Costa do Marfim, maior produtor global, a safra 2025/26 segue dentro do esperado, com projeção de 1,834 milhão de toneladas. Para 2026/27, a estimativa foi ajustada levemente para 1,830 milhão de toneladas, já refletindo possíveis impactos do El Niño.

Em Gana, a safra apresenta bom desempenho, com expectativa de superar 600 mil toneladas, sustentada por condições climáticas favoráveis. O Equador mantém produção historicamente elevada, apesar de desaceleração recente nas entregas.

El Niño concentra os principais riscos para 2026/27

A probabilidade de ocorrência do El Niño a partir do segundo semestre de 2026 cresceu rapidamente e concentra as principais atenções do mercado. Historicamente, o fenômeno reduz a produção global de cacau em cerca de 1,7%, contra crescimento médio de 2,6% em anos normais.

Os impactos variam por região: maior risco de seca e estresse hídrico no Oeste Africano, aumento de temperatura e pressão hídrica no Brasil, possíveis efeitos com ressalvas no Equador e tendência de queda produtiva na Indonésia em cenários mais secos.

Demanda ainda fraca, mas estoques globais voltam a crescer

A demanda global segue em processo de ajuste. A queda na moagem foi de 2,4% no primeiro trimestre de 2026, desacelerando frente ao recuo de 7,7% no trimestre anterior. Para Bezzon, a trajetória indica estabilização gradual, ainda insuficiente para caracterizar uma reversão mais clara.

A queda recente dos preços do cacau, que retornaram a patamares mais próximos da normalidade, tende a estimular o consumo nos próximos meses. A StoneX projeta estabilidade em 2025/26, com leve alta de 0,2%, e recuperação moderada de 2,4% em 2026/27.

A relação estoque/uso deve avançar para 34,0% em 2025/26 e 36,3% em 2026/27, sinalizando normalização após a forte destruição de estoques observada em 2023/24. “O mercado caminha para uma normalização após o choque recente, mas ainda depende da evolução da produção, da retomada da demanda e, principalmente, do comportamento climático nos próximos meses”, conclui Bezzon.

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