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CVM abre processo contra ex-executivos da Ambipar após rompimento com a Deloitte
Publicado 04/08/2026 • 09:30 | Atualizado há 6 dias
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Publicado 04/08/2026 • 09:30 | Atualizado há 6 dias
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Divulgação
A rescisão do contrato entre a Deloitte e a Ambipar, ocorrida pouco antes do pedido de recuperação judicial da empresa, deu origem a uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e resultou na abertura de um processo sancionador contra dois ex-diretores ligados à área de relações com investidores da companhia.
Os acusados são Ricardo Rosanova Garcia, que ocupou o cargo de diretor de Relações com Investidores até janeiro, e Renato Ferreira dos Santos, seu sucessor na função. O processo já teve acusação formal apresentada e seguirá para julgamento, embora ainda não haja data definida.
De acordo com informações divulgadas pelo Globo, a apuração teve início após a Deloitte comunicar à Superintendência de Normas Contábeis (SNC) da CVM, em outubro do ano passado, que havia deixado de prestar serviços de auditoria para a Ambipar.
A comunicação foi feita porque, segundo a auditoria, a empresa não informou oficialmente ao mercado a substituição da firma responsável pela auditoria, como exige a regulamentação.
Leia também: Justiça rejeita pedido do Banco Central e marca assembleias de credores da Ambipar
A Deloitte havia assumido a auditoria da Ambipar poucos meses antes, substituindo a BPO, que atuava na empresa havia quatro anos. O conteúdo do processo conduzido pela CVM permanece sob sigilo.
No entanto, relatório da administração judicial da Ambipar informa que a investigação foi instaurada a partir de uma comunicação encaminhada pela Deloitte. No documento, a auditoria apresentou as razões que motivaram sua renúncia ao trabalho previsto para 2025.
Entre os pontos que despertaram questionamentos estava uma informação incluída nas demonstrações financeiras do segundo trimestre do ano passado.
Em nota explicativa, a Deloitte informou que mais de R$ 2 bilhões dos R$ 4,6 bilhões registrados em caixa estavam aplicados em um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), cuja existência não havia sido previamente divulgada ao mercado e cujo prazo de liquidez variava entre 30 e 60 dias.
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Siga o Times | CNBCA informação levantou dúvidas entre investidores sobre a disponibilidade imediata desses recursos e reforçou preocupações em relação à situação financeira da companhia. Pouco tempo depois, a Ambipar entrou com pedido de recuperação judicial, informando dívidas de R$ 10,7 bilhões.
Leia também: Ambipar contradiz argumento apresentado a credores e admite a juiz dos EUA que sede da empresa fica em SP
Nas demonstrações financeiras do período, a Deloitte esclareceu que o trabalho realizado correspondia a uma revisão das informações intermediárias, e não a uma auditoria completa das demonstrações contábeis. Segundo a empresa, esse tipo de procedimento possui alcance mais restrito e não permite o mesmo nível de verificação proporcionado por uma auditoria integral.
Após o encerramento do contrato, a área técnica da CVM aprofundou a apuração com base nas informações recebidas da auditoria e concluiu pela responsabilização dos dois ex-executivos. Os fundamentos da acusação, entretanto, ainda não foram divulgados, e o processo aguarda inclusão na pauta de julgamento.
Leia também: Bancos acusam Ambipar de priorizar credores externos em plano de recuperação e audiência nos EUA é adiada para julho
Sobre o processo de recuperação judicial, a Justiça do Rio de Janeiro negou pedidos da Ambipar para incluir o Banco Central no processo e restabelecer as garantias originais de operações de derivativos com o Deutsche Bank. Na mesma decisão, foram marcadas para 25 de agosto e 1º de setembro as datas da Assembleia Geral de Credores (AGC), que será realizada em formato híbrido.
Nos últimos meses, a companhia também passou a informar à Justiça dos Estados Unidos que sua sede está em São Paulo, posição diferente da adotada no processo brasileiro de recuperação judicial, no qual sustentou que seu principal estabelecimento ficava no Rio de Janeiro.
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