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Fechamento de Ormuz e ameaça no Bab el-Mandeb elevam risco para fertilizantes e colocam safra 2027 sob pressão
Publicado 02/04/2026 • 10:56 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 02/04/2026 • 10:56 | Atualizado há 1 hora
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A combinação entre o fechamento do Estreito de Ormuz e a ameaça de bloqueio do Bab el-Mandeb pode comprometer até US$ 10 bilhões por dia em comércio global e aprofundar uma crise já visível nos mercados de energia e fertilizantes. O alerta é de Carlo Pereira, especialista em sustentabilidade, que vê impactos diretos sobre a oferta de insumos agrícolas e riscos crescentes para o Brasil.
Segundo ele, além do petróleo, cerca de 30% do comércio global de ureia e amônia passa por Ormuz. “A gente já sabe a crise que a gente está vivendo, a gente vê o preço do petróleo. E fora isso também 30% do comércio global de ureia e amônia passa por ali”, afirmou, em participação no Capital Sustentável.
Leia também: Demanda internacional sustenta alta dos fertilizantes em 2026 e aperta produtor brasileiro
Com a rota alternativa pelo Bab el-Mandeb também sob ameaça, em meio a tensões envolvendo os houthis, o cenário se torna mais complexo. “Por isso que a gente tem um grau de complicação muito maior”, disse.
Nesse contexto, Rússia, China e Belarus tendem a se beneficiar, avalia Pereira. “Quem ganha com isso? Rússia, China e Belarus, porque eles não dependem dessa rota para exportar esses insumos.”
Ele pondera, porém, que a dependência de fornecedores como Rússia e China traz riscos adicionais: “A Rússia e a China já andaram segurando parte dos insumos para garantir um preço melhor.”
O Brasil importa 85% dos fertilizantes que consome. No caso dos nitrogenados, a dependência chega a 95%, segundo o especialista. A ureia já acumula alta de até 50%, sendo 15% apenas na última semana.
“Então a gente vê que é uma crise sem precedentes”, afirmou.
Leia também: Fechamento do Estreito de Ormuz eleva preços de fertilizantes nos EUA
Embora parte dos insumos já tenha sido comprada antecipadamente para a safra atual, a incerteza recai sobre a entrega. “A entrega virá ou não é uma questão que a gente tem que se questionar”, disse. Ele mencionou ainda que o Irã sinalizou prioridade ao Brasil, mas levantou dúvidas sobre a capacidade efetiva de fornecimento: “O próprio Irã falou: ‘Brasil, para você eu vou entregar’. Mas vai ter a capacidade dessa entrega?”
Para Pereira, o maior risco está nas próximas temporadas. “O que está em risco aqui é, sem dúvida nenhuma, a safra 26/27, principalmente 27.” Ele projeta possibilidade de “redução drástica na produção de soja, milho e cana-de-açúcar”.
O impacto pode extrapolar o campo. “A gente sempre esquece que a cana-de-açúcar, o etanol, também dependem do petróleo”, afirmou, ao destacar a conexão entre energia e produção agrícola.
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