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México impõe cotas à importação de carne e afeta exportações brasileiras

Publicado 06/01/2026 • 21:39 | Atualizado há 1 dia

KEY POINTS

  • O México passou a limitar a importação de carne bovina e suína com isenção tarifária, estabelecendo cotas até o fim de 2026 e encerrando a política de abertura total adotada em 2022
  • A medida atinge diretamente o Brasil, que teve forte crescimento nas exportações ao mercado mexicano em 2025, quando o país chegou a se tornar o segundo maior destino da carne bovina brasileira
  • Volumes que ultrapassarem as cotas estarão sujeitos a tarifas de até 25%, o que reduz a competitividade da carne brasileira frente a produtores locais e a países com acordo de livre comércio com o México, como os Estados Unidos

Claudia Sheinbaum, presidente do México.

O governo do México oficializou nesta segunda-feira (5) novas regras para a importação de carnes, ao estabelecer cotas com isenção tarifária para a entrada de carne bovina e suína. A medida, publicada no Diário Oficial do país, entra em vigor imediatamente e põe fim à política de abertura total adotada desde 2022.

Pelo decreto, a isenção do imposto de importação fica limitada até 31 de dezembro de 2026 aos seguintes volumes:

  • 70 mil toneladas de carne bovina
  • 51 mil toneladas de carne suína

Qualquer volume que exceda esses limites estará sujeito à cobrança de tarifas. No caso da carne bovina, as alíquotas sobre o excedente variam entre 20% e 25%, retomando níveis anteriores ao acordo. Para a carne suína, as tarifas adicionais ficam em torno de 20%, com variações conforme o tipo de corte.

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A decisão altera o Pacic, programa criado em 2022 para conter a inflação de alimentos por meio da eliminação temporária de tarifas de importação. Com a inflação mais controlada e sob pressão de produtores locais, a Secretaria de Economia do México optou por restabelecer as barreiras comerciais.

Impacto direto sobre o Brasil

A mudança afeta diretamente os exportadores brasileiros, como JBS, Minerva e BRF, em um momento de forte expansão das vendas ao mercado mexicano.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e de entidades do setor indicam que o México ganhou relevância de forma acelerada ao longo de 2025. No segundo semestre do ano passado, o país chegou a ultrapassar os Estados Unidos e se tornou o segundo maior destino da carne bovina brasileira, atrás apenas da China.

As exportações para o mercado mexicano cresceram mais de 400% em 2025, funcionando como uma alternativa relevante diante do aumento do protecionismo nos Estados Unidos.

O que muda na prática

Com a limitação de volumes isentos, o Brasil terá de disputar uma fatia menor do mercado mexicano, competindo com outros fornecedores que não possuem acordos de livre comércio com o país.

Além disso, uma vez esgotada a cota, a aplicação de tarifas de até 25% reduz a competitividade da carne brasileira frente a produtores locais e a países com acesso preferencial ao mercado mexicano, como os Estados Unidos, que operam sob o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).

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O governo mexicano informou que os limites poderão ser revisados caso haja novo descontrole inflacionário nos preços da cesta básica, mas, até lá, a medida impõe um freio relevante ao avanço das exportações brasileiras.

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