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Publicado 18/03/2026 • 16:00 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Foto: Unsplash.
O que acontece quando uma empresa do agro quebra?
Há cada vez mais empresas em recuperação judicial (RJ) no Brasil. Em 2025, das 5.680 RJs solicitadas no quarto trimestre, quase 30% delas não conseguiram retomar as atividades e foram à falência. No agronegócio, cerca de 13 a cada 1000 empresas entram em recuperação judicial. Então, o que acontece quando uma empresa agro quebra?
Quando uma empresa do agronegócio quebra, o impacto vai muito além do próprio negócio. A crise costuma gerar um efeito em cadeia:
Atualmente, a taxa Selic a 15% tem encarecido empréstimos e financiamentos. Isso faz com que bancos sejam mais seletivos nas concessões de crédito, porque entende-se que o momento pede cautela.
Enquanto isso, empresas do agronegócio acumulam dívidas provenientes de débitos com fornecedores e contratos firmados anteriormente, de acordo com a MA7 Negócios. Esse cenário pressiona o fluxo de caixa e pode afetar a continuidade das operações, além de impactar parceiros ao longo da cadeia produtiva. Junto a isso, o agro encara um desalinhamento entre ciclo financeiro e ritmo de produção agrícola.
Nesse contexto, empresas especializadas em reestruturação financeira atuam comprando créditos deteriorados, renegociando prazos e oferecendo condições de pagamento alternativas para a reorganização do passivo das companhias.
Entretanto, “depois de uma quebra relevante, o banco precisa rever exposição e garantias. Só que a produção continua, o custo segue correndo e a empresa não pode simplesmente parar”, explicou André Matos, CEO da MA7 Negócios.
Por isso, soluções alternativas de financiamento podem ajudar empresas do agro, como as Cédulas de Produto Rural (CPRs) e o DIP Finance. Veja a seguir.
Conforme noticiado anteriormente, Cédulas de Produto Rural (CPRs) são títulos de crédito que permitem antecipar recursos, insumos ou maquinários para produtores. Essa modalidade permite pagar por meio da entrega do produto ou em dinheiro.
No segundo semestre de 2025, a emissão desses títulos somou R$ 121,9 bilhões, com crescimento de cerca de 30%, segundo a MA7 Negócios.
Leia também: Crise nas empresas? Brasil registra recorde de recuperações judiciais em 2025; entenda
Em paralelo, também está em ascensão o DIP Finance, um empréstimo para empresas em recuperação judicial ou extrajudicial. Embora seja considerado de alto risco, esses financiamentos movimentaram R$ 981 bilhões em emissões em 2025.
Assim como noticiado anteriormente, no Brasil, o DIP Finance funciona com base na Lei nº 14.112/2020. De acordo com um artigo da Liga de Direito Empresarial do IBMEC SP, esse recurso existe para suprir a falta de caixa de uma empresa.
No caso de produtores rurais, esse recurso oferece liquidez para pagar funcionários, fornecedores, preservar o valor dos ativos, planejar como recuperar a empresa e manter-se no mercado.
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De um lado, fundos de custeio, CPRs e operações estruturadas atendem novas demandas de financiamento. Do outro lado, a reorganização das dívidas comprometidas tem se mostrado um passo necessário para que os financiamentos alternativos sejam utilizados de forma sustentável.
Na visão de André Matos, CEO da MA7 Negócios, o ciclo atual do agronegócio depende menos de soluções pontuais e mais de coordenação financeira. “O que estamos vendo no agro é um processo de ajuste. Quem consegue organizar o passivo primeiro, preserva a operação e mantém portas abertas para o mercado”, afirma.
Logo, o agronegócio tende a valorizar cada vez mais a combinação de crédito privado e reorganização de dívidas. “O crédito continua existindo, mas exige leitura de risco mais precisa e decisões mais rápidas. Quem entende isso atravessa o ciclo, quem ignora tende a ficar pelo caminho”, concluiu.
Portanto, de acordo com a MA7 Negócios, a tendência do agro em 2026 é encarar um mercado de crédito mais segmentado, com diferentes instrumentos atuando ao longo do ciclo financeiro das empresas.
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